sábado, 27 de fevereiro de 2010

PLASTICO BIODEGRADÁVEL A PARTIR DA CANA DE AÇÚCAR

O Brasil já tem a tecnologia de produção e está prestes a se tornar o primeiro país do mundo a fabricar em escala contínua e comercial o plástico biodegradável a partir do açúcar da cana.

Atualmente, uma unidade piloto da PHB Industrial S/A, em Serrana (SP), produz 60 toneladas/ano do produto.A empresa anunciou investimentos de US$ 50 milhões para ampliar a produção para duas mil toneladas anuais.

Segundo o diretor-executivo da PHB, Sylvio Ortega Filho, as obras para ampliação da fábrica, anexa à Usina da Pedra, começam em 2007 e o início da produção em escala industrial está previsto para o segundo semestre de 2008.As pesquisas para a produção do plástico biodegradável a partir da sacarose começaram em 1991, conta o pesquisador José Geraldo da Cruz Pradella, do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) de São Paulo.  A tecnologia foi desenvolvida pelo IPT em parceria com a Coopersucar e licenciada à PHB.

A planta piloto da PHB, que pertence aos Irmãos Biagi e ao Grupo Balbo, está em produção desde 1995. De início, fabricava oito toneladas de plástico biodegradável/ano e a partir de 2000, passou a produzir 60 toneladas anuais. A produção, conforme Ortega Filho, tem como destino parte da Ásia, Europa e Estados Unidos, além do Brasil.

O produto recebeu o nome de Biocycle (ciclo da vida, em inglês). O plástico biodegradável é utilizado principalmente em embalagens de alimentos e cosméticos, de produtos injetados, como brinquedos, e ainda de produtos termoformados, como potes de iogurte O produto, conforme explica Ortega Filho, é obtido por meio de um processo de fermentação: as bactérias se alimentam do açúcar e o transformam em um poliéster natural, o plástico biodegradável. Para as bactérias, esses poliésteres, são uma reserva de energia. A etapa seguinte do processo de produção é a extração e purificação do poliéster acumulado dentro dos microorganismos, por meio do uso de um solvente natural.

A principal vantagem do plástico biodegradável é que ele se decompõe rapidamente no meio ambiente, sem causar impacto ambiental negativo. Aos se decompor, ele transforma-se em CO2 (gás carbônico) e água. Não há liberação de resíduos tóxicos e o gás carbônico é resgatado da atmosfera pelas próprias plantações de cana.

O plástico biodegradável se decompõe muito mais rápido na natureza: entre seis meses e um ano e meio, dependendo da espessura da peça e do meio em que se encontra. Já os plásticos de petróleo levam mais de cem anos para se degradar.

Ortega Filho explica que, do ponto de vista químico, os plásticos biodegradáveis são estáveis e precisam estar em meio bacteriológico para a decomposição. Em fossas sépticas, a decomposição chega a 90% em seis meses e em aterros sanitários atinge 50% em 280 dia.

O Brasil produz 4,213 milhões de toneladas de plásticos por ano, segundo o Plastivida (Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos). Hoje, o plástico biodegradável tem uma participação ínfima nesse mercado. E ainda permanecerá pequena com a ampliação da produção da fábrica de Serrana. As duas mil toneladas que passarão a ser produzidas em 2008 vão corresponder a apenas 0,047% do mercado nacional.

Diversas aplicações do PHB estão em estudo: pinos, filmes, fios, embalagens, vasos para mudas de plantas que normalmente os agricultores deixam no campo, microcápsulas para implante ou ingestão que contenham medicamentos ou hormônios para liberação lenta.“O custo e a escala de produção precisam ser ampliados para que se ampliem também seus nichos de aplicação”, afirma a pesquisadora Luiziana Ferreira da Silva. Os avanços no estudo da produção de PHB permitiram a redução no custo de produção.

Quando foram iniciados os primeiros estudos, no início da década de 1990, o custo era de 14 dólares o quilo e hoje se aproxima de cinco dólares.

“Ainda é um valor muito maior do que o dos plásticos de origem petroquímica, entretanto, não se pode fazer essa comparação porque a produção do PHB ainda está em fase piloto”, argumenta a pesquisadora. Ela lembra que, quando o celofane foi lançado, também tinha custo elevado, ao contrário de hoje. Além da sacarose, outra matéria-prima proveniente da cana-de-açúcar pode ser utilizada na fabricação do plástico biodegradável: o bagaço.“Seu uso para a produção de PHB transformaria um resíduo potencialmente poluente em um material ambientalmente correto e de maior valor agregado, ao passo que a sacarose é um produto bastante purificado e de mercado garantido”, compara a pesquisadora Luiziana Ferreira da Silva, que desenvolveu o processo de utilização do bagaço para a fabricação do bioplástico.

O PHB produzido a partir do bagaço é obtido por meio da hidrólise (quebra estrutural) do produto.O bagaço libera então açúcares que fazem parte de sua composição, como a glicose, xilose e arabinose, que podem ser consumidos pelas bactérias utilizadas no processo de fabricação do plástico biodegradável, explica Luiziana, que hoje atua no Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP Universidade de São Paulo).

A próxima etapa da produção é a remoção dos compostos tóxicos liberados na hidrólise. Em seguida, o material é submetido a bactérias produtoras de PHB, em condições especiais que permitam a produção do plástico.

Segundo a pesquisadora, este processo foi submetido recentemente a um pedido de patente no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial).  O uso do bagaço para este fim foi estudado em um projeto sob a coordenação de Luiziana, realizado no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) de São Paulo e financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), entre 2001 e 2002.

Agora, Luiziana trabalha na pesquisa de bactérias com a maior eficiência possível em transformar a xilose e os outros açúcares do bagaço em PHB.“Para isso, temos feito uma busca em diferentes nichos ambientais, explorando a biodiversidade brasileira para encontrar microrganismos com tal eficiência”, disse a pesquisadora. www.vomm.com.br








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