domingo, 28 de agosto de 2011

BÁRBARIE PATAS DE TOURO PARALISAM EM TORNEIO INTERNACIONAL DE BARRETOS

As duas patas traseiras de um touro travaram na noite deste sábado (27) durante o Barretos International Rodeo Rodeio. O público na noite era estimado em 50 mil pessoas.

O caso aconteceu durante a montaria do peão James Willian Marris. O touro deu cerca de três pulos e caiu com as patas traseiras no chão, de acordo com testemunhas.

O animal tentava se levantar, mas estava com as patas paralisadas e saiu da arena se arrastando pelas patas dianteiras.

Semana passada, um bezerro teve de ser sacrificado após ficar tetraplégico durante a prova de bulldog, quando o peão tem de imobilizar o bezerro com as mãos. A organização do evento disse que o caso foi uma fatalidade e atribuiu a morte a uma manobra irregular do peão.

Ontem, a organização do evento informou que o touro caiu por causa de uma cãibra e que logo depois se recuperou.  O peão Marris teve de montar em outro touro para completar a prova.

Ao fim da disputa, o touro que teve cãibra foi apresentado ao público para mostrar que o animal estava bem. Ele caminhou de um lado ao outro da arena.

O rodeio internacional tem 400 competidores neste fim de semana, segundo os organizadores. Destes, 56 disputam a montaria em touro -são 40 brasileiros e 16 estrangeiros.

Jornal Folha de São Paulo

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

BARBÁRIE ARTISTA PLÁSTICO PINTA MURO EM PROTESTO CONTRA VIOLÊNCIA EM RODEIOS

O artista plástico Eduardo Kobra prepara, nesta quinta (25) e sexta-feira (26), um novo trabalho de seu projeto "Greenpincel", no qual protesta contra a violência.

O muro "Sem Rodeios", que lembra o caso do peão que matou um bezerro em Barretos, está sendo pintado na avenida Brigadeiro Faria Lima, 324 (zona oeste de São Paulo).

"Esse tipo de rodeio tem que acabar", afirma o artista. O painel tem 4,5m por 12m.

Jornal Folha de São Paulo

terça-feira, 23 de agosto de 2011

BÁRBARIE RODEIOS GENÉTICA CRIA SUPERTOUROS

Cruzamentos genéticos e clonagens, assuntos que aparentemente passavam longe do rodeio, se transformaram cada vez mais nos últimos anos em algo comum nas conversas entre tropeiros --donos de boiadas-- e peões.

Os touros estão cada vez mais fortes e ágeis, graças ao avanço da ciência no mundo country, e passaram a ter alimentação balanceada, cuidados veterinários e até a praticar natação.

Com isso, chegam a pesar mais de uma tonelada --contra 800 kg, no máximo, até o final da década passada--, prolongam a carreira e preocupam os competidores.

Um dos precursores é o tropeiro Paulo Emilio Marques, dono do touro Bandido, o mais temido animal dos rodeios brasileiros morto em 2009.

Ele cria três clones do touro e terá em Barretos 20 animais com esse perfil --inclusive com atendimento de hospital veterinário.

Hoje, raças como marchigiana, nelore e simental estão entre as mais usadas --e mais cruzadas pelos proprietários-- nas arenas do país.

"Nelore com simental é o cruzamento mais usado. Mas a marchigiana é muito boa também", afirma.

Dados do Conselho Nacional de Pecuária de Corte indicam que a marchigiana ganha peso rápido e tem alto desenvolvimento de massa.

Já o simental, que tem peso médio de 1.050 kg e cresce rápido, tem boa musculatura e sem tendência a acumular excesso de gordura. O nelore é caracterizado por ter ossos finos e leves.

O tropeiro Humberto Francisco Nucci disse preferir cruzar nelore com marchigiana. "Sai uma máquina de pulo. Quando sai um animal bom, ele aguenta por muitos anos. Faz seis anos que iniciei o selecionamento de animais. Se não vai bem, já tiro e ponho outro."

Dos três clones do touro Bandido que o tropeiro Paulo Emilio Marques tem, dois são considerados bons para serem usados em rodeios.

"Até pensei em não usá-los, por causa da mística. Mas achei melhor colocá-los nos rodeios", afirmou.

O investimento para a clonagem chega a R$ 30 mil por unidade, mas o tropeiro disse ter feito parceria com uma empresa norte-americana.

Ele tem, ainda, 1.500 doses de sêmen de Bandido, que vende por R$ 2.000 --a média de outros bois é de R$ 300.

Invicto em mais de 200 montarias seguidas --um peão conseguiu parar, mas antes de ele virar "celebridade"--, o animal ganhou um memorial em Barretos.

A fama de Bandido se alastrou em 2001, quando o peão Neyliowan Tomazeli, de Poloni, campeão da Festa do Peão de Barretos de 1999, desafiou o touro no Mundial Toyota, em Jaguariúna.

Depois de ser derrubado, o peão foi arremessado a quase seis metros de altura e ficou nove meses numa cadeira de rodas. Quatro anos depois, o touro foi "ator" na novela "América", da TV Globo.

Jornal Folha de São Paulo

BÁRBARIE RODEIOS AÇÃO NA PROMOTORIA CRIMINAL BEZERRO [BEBÊ] É SACRIFICADO APÓS PROVA NA ARENA DE BARRETOS

A ação de entidades de proteção animal contra a Festa do Peão de Barretos será por formação de quadrilha. A representação, na Promotoria Criminal, será feita por conta da morte de um bezerro na sexta-feira. O animal foi sacrificado depois da prova bulldog, em que o peão precisa derrubar o bezerro com as mãos.

De acordo com o presidente da ONG PEA (Projeto Esperança Animal), Carlos Rosolen, serão denunciados a associação Os Independentes, que organiza o evento, o veterinário responsável e o bulldogueiro Cesar Brosco. 'Eles sabiam que isso poderia acontecer e assumiram o risco', afirma Rosolen.

O PEA deverá ratificar a ação que será feita pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, entidade que congrega várias associações. Para Sônia Fonseca, presidente do fórum, a morte do bezerro é a prova de que há maus-tratos contra animais dentro dos rodeios.

O fórum também irá pedir à Justiça que esse tipo de prova seja eliminado. A WSPA (Sociedade Mundial de Proteção Animal), que levará o caso ao recém criado Grupo de Atuação Especial de Defesa Animal, do Ministério Público, também ingressará com ação semelhante.

Há quatro anos, a prova do laço foi banida por causa da falta de um redutor de impacto nos animais.

Por meio da assessoria de imprensa, a organização informou que a ANB (Associação Nacional de Bulldog) e o Centro de Estudos do Comportamento Animal analisam se o competidor infringiu as regras durante a prova. A ANB deverá definir as providências depois da divulgação do laudo, que não tem data para ficar pronto.

Jornal Folha de São Paulo

domingo, 21 de agosto de 2011

BÁRBARIE RODEIOS BEZERRO É SACRIFICADO APÓS PROVA NA ARENA DE BARRETOS

Um bezerro precisou ser sacrificado após uma prova ocorrida no segundo dia da 56ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, na noite da última sexta-feira.

Na prova de bulldog (imobilização de bezerros), válida pelas finais da ANB (Associação Nacional de Bulldog), um animal teve de ser retirado da arena carregado após ser derrubado. O bezerro caiu e ficou imóvel na arena ao ser derrubado pelo bulldogueiro Cesar Brosco.

Como não se levantava após a queda, o bezerro precisou ser carregado na carroceria de um veículo.

Na noite de sexta, membros da organização da festa não se entenderam sobre o destino do bicho. O veterinário Marcos Sampaio de Almeida, de Os Independentes, dizia que o bezerro foi levado para uma ambulância veterinária e passava bem.

Mas Orivaldo Tenório de Vasconcelos, diretor do Ecoa (Centro de Estudos de Comportamento Animal), ligado à organização do evento, dizia --ainda na sexta-feira-- que havia a suspeita de que o bezerro tivesse sofrido uma fratura na coluna cervical.

"Percebi que ele tinha perdido o reflexo das patas e pedi para sacrificá-lo. Vou necropsiá-lo para saber a verdadeira causa da morte", afirmou o diretor.

Já no sábado, Vasconcelos confirmou a morte e disse que a necropsia constatou que o bezerro havia sofrido uma lesão nas vértebras e, por isso, havia ficado tetraplégico. Diante da situação, o bezerro foi sacrificado.

Vasconcelos disse que essa foi a segunda vez que ele viu um acidente do tipo ocorrer durante toda a sua carreira.

No bulldog, o peão tem de imobilizar o bezerro com as mãos, sem o uso de nenhum equipamento, e derrubá-lo.


Ivana Maria França de Negri enviou esta Mensagem

sábado, 13 de agosto de 2011

LIDERES RELIGIOSOS DEBATEM PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE EM JERUSALÉM

Representantes das comunidades cristã, judia e muçulmana se reuniram nesta semana em Jerusalém para debater uma forma de conscientizar seus fiéis sobre a importância de se preservar o ambiente. “O respeito a Deus exige também o respeito a sua criação e a natureza”, manifestou ao jornal israelense Jerusalem Post o bispo auxiliar do patriarcado de Jerusalém, William Shomali. Ele participou da apresentação do Centro InterConfessional de Desenvolvimento Sustentável. “Somos visitantes nesta Terra e a abandonaremos algum dia, mas precisamos deixá-la limpa para as próximas gerações”, disse o clérigo. “Se a Terra está poluída, se o Mediterrâneo está poluído, está poluído para todos, cristãos, muçulmanos e judeus”, destacou Shomali, que considerou necessário “estudar a crise ambiental, que é parte da crise ética, moral e espiritual”.

O novo grupo religioso-ecologista, liderado pelo rabino Yonatan Neril, conseguiu neste mês que o Conselho de Instituições Religiosas da Terra Santa assinasse a “Declaração da Terra Santa sobre Mudança Climática”, que pede para o mundo reduzir o consumo e enfrentar os problemas ambientais. [Uma das propostas para essa redução é o Movimento 10:10.]

O texto pede “a toda pessoa de fé” para que reduza suas emissões do efeito estufa e peça a seus líderes políticos que adotem “objetivos fortes, obrigatórios e com base científica para diminuir os gases do efeito estufa a fim de evitar os piores perigos da crise do clima”.

O ministro de Assuntos Religiosos palestino, Salah Zuheika, assinalou sobre o Corão: “Alá fala de tudo, sobre a natureza, o ar, os animais, e pede aos seres humanos não só que usem a natureza, mas que a protejam.”

O rabino David Rosen ressaltou também o caráter temporário da estada dos homens na Terra e sugeriu aos líderes religiosos que incentivem seus fiéis a consumir menos carne. A produção do alimento representa “uma das maiores causas de contaminação e de consumo de água”.

Jornal Folha de São Paulo

PRODUZIR ÁGUA A PARTIR DO AR NO DESERTO DE NEGUEV

Obter água a partir da umidade do ar não é uma técnica nova. Na verdade, ela era mencionada na Bíblia ­ há milhares de anos, o orvalho da noite já era armazenado para irrigar plantações.

Uma empresa israelense desenvolveu um método de obter água a partir do ar em grande escala, o que pode ajudar a resolver problemas em muitos países. De acordo com o Dr. Etan Bar, executivo-chefe da EWA, com sede em Beersheba (no deserto do Neguev), o processo tem três etapas: a primeira é a acumulação da umidade do ar em flocos de sílica. A segunda etapa é a remoção da água e a terceira, a condensação, usando aparelhos à base de pequenos volumes de biodiesel ou outro combustível.

De acordo com o Dr. Bar, o processo apresenta custo reduzido porque a água pode ser obtida a partir de pequenas unidades de condensação ­ sem custo de transporte.

A EWA, que faturou US$ 100 mil em 2007, planeja chegar ao final deste ano com US$ 5 milhões de faturamento, atingindo US$ 100 milhões em 2009, por conta da enorme demanda ­ principalmente da África, índia e Austrália ­ por unidades de produção de água a partir do ar.

brasilisrael.com.br

SISTEMA DE PURIFICAÇÃO DA ÁGUA

A falta de água potável em situações de calamidade – como terremotos, deslizamentos de terra ou grandes desastres – pode aumentar consideravelmente o número de vítimas. Mas uma nova tecnologia, desenvolvida pela empresa israelense Watersheer, pode garantir a purificação de água em pouco tempo, a custos muito reduzidos.

O dispositivo foi batizado Sistema Pessoal de Purificação Sulis, em homenagem à divindade grega do mesmo nome, ligada às águas. Com peso de apenas dez gramas e espessura de 7cm, o Sulis pode ser adaptado a uma tampinha de garrafa. A solução química contida no tablete purifica, em minutos, toda água contaminada por compostos orgânicos, biológicos e químicos.

“Mais de 1,6 milhão de crianças com menos de cinco anos de idade morrem a cada ano em todo o mundo por ingerirem água contaminada”, afirma o executivo-chefe da Watersheed, Yossi Sandak. “Nossa idéia era desenvolver um dispositivo muito simples porque inúmeras empresas e entidades atuam na área de prevenção a desastres, mas, quase sempre, as alternativas geradas são muito caras”, prossegue o executivo. “O fato é que a solução que criamos não custa mais do que um café e um doce comprados em qualquer cafeteria”, brinca. Uma tampinha de garrafa com a solução é suficiente para purificar mil litros de água.

A expectativa da empresa é de começar a produzir o Sulis em escala industrial até junho. A companhia também busca investidores para instalar uma planta industrial na cidade israelense de Sderot. Seu principal público-alvo serão as Organizações Não-Governamentais (ONG) que trabalham com prevenção e atendimento a vítimas de desastres naturais, além de grupos específicos como montanhistas e participantes de ralis. O dispositivo poderá ter também uso militar, atendendo soldados em treinamentos e missões especiais.

brasilisrael.com.br

domingo, 7 de agosto de 2011

MAIOR RESERVATÓRIO D'ÁGUA DO UNIVERSO

Astrônomos descobriram o maior e mais distante reservatório de água já detectado no universo. A quantidade de vapor de água presente em torno do quasar APM 08279+5255 é equivalente a 140 trilhões de vezes toda a água nos oceanos da Terra e quatro mil vezes a água presente em toda a Via Láctea.

Quasares são buracos negros gigantes no centro de galáxias que consomem continuamente o disco de poeira e gás que os cerca. Conforme come, o quasar cospe uma grande quantidade de energia. Astrônomos acreditam que eles possam ser alguns dos objetos mais antigos do universo.

O objeto estudado por um equipe da Nasa e da Caltech, por exemplo, está a 12 bilhões de anos-luz e possui um buraco-negro com 20 bilhões de vezes mais massa do que o Sol e trilhões de vezes a sua energia.

Mesmo sabendo que a água existia no Universo primitivo, os astrônomos se surpreenderam por encontrar uma quantidade tão grande e tão distante. Se o quasar está a 12 bilhões de anos-luz, significa que surgiu relativamente pouco depois do Big Bang,a explosão que deu origem a tudo há cerca de 13,5 bilhões de anos.

Em um trabalho publicado na Astrophysical Journal Letters, os astrônomos explicam como o ambiente em torno desse quasar é único. Nele, o vapor de água está sendo banhado por raios-X e radiação infravermelha, o que o torna incomumente quente e denso.

Sua temperatura chega a – 53º C e sua densidade é 300 vezes menor do que a atmosfera terrestre. Isso parece pouco, mas representa cinco vezes mais calor e uma densidade de 10 a 100 vezes maior do que as vistas em uma galáxia como a Via Láceta.

As medidas de vapor de água e outras moléculas, como monóxido de carbono, sugerem que o quasar possui material suficiente para crescer até seis vezes o seu tamanho atual. 

info.abril.com.br

sábado, 6 de agosto de 2011

GARRAFA DE VIDRO E BAMBU É IDEAL PARA SUBSTITUIR PET


A empresa americana Bamboo Bottle criou uma garrafa limpa, segura, elegante e sustentável, para substituir as garrafas PET. A invenção é feita de vidro, bambu e plástico reciclado, não libera substâncias químicas e pode armazenar qualquer tipo de bebida.

As garrafas PET são grandes vilões da natureza, desde o processo de fabricação, que envolve petróleo. Depois de usadas, boa parte delas não é reaproveitada, contribuindo para o aumento da poluição e prejudicando ainda mais o meio ambiente. Por isso, usar uma garrafa reutilizável é tão importante e ainda acaba sendo mais econômico.

A estrutura principal da Bamboo Bottle é o vidro. Isso garante a ela a durabilidade e capacidade de armazenar bebidas quentes ou frias. Além disso, o vidro, ao contrário do plástico, não libera nenhuma substância química que possa contaminar o líquido ou prejudicar a saúde do usuário.

O bambu é usado para envolver o vidro e assim dar dureza e resistência à garrafa e o plástico foi necessário para fazer a tampa e o fundo da garrafa. A empresa espera conseguir eliminar esse material, mas enquanto isso não é possível, são usados somente plásticos reciclados.

Toda a estrutura da garrafa está dentro dos padrões de sustentabilidade. O vidro, que é a base da bamboo boottle, é 100% natural e a maior parte de sua composição é proveniente de vidro reciclado. O bambu, que dá o toque final e é o principal diferencial desta garrafa, é uma árvore abundante na terra. A espécie usada pela empresa norte-americana é o Phyllostachys Pubescens, que tem crescimento muito rápido, chegando a alcançar 90 metros em apenas nove meses. Além disso, existe a preocupação com o processo de retirada, para que ele não cause grandes impactos na natureza.

COMO FATURAR US$1 BI SEM CONSUMIR UMA GOTA DE PETRÓLEO

 
Os clientes nem imaginam o poder que têm. Pois foi a partir das cobranças de uma requintada clientela de arquitetos e decoradores sobre o que sua empresa andava fazendo para poupar o meio ambiente que Ray Anderson iniciou a grande transformação em sua fábrica de carpetes, a Interface .
 
A mudança começou em 1994, quando a empresa, com sede em Atlanta (EUA), comemorava 30 anos e Anderson, então, deu início a um planejamento para os 25 anos seguintes. Um dos grandes desafios é, até 2020, fazer a Interface funcionar sem consumir petróleo. “Dentro de mais 12 anos não será consumido nada que venha da natureza e não possa ser rapidamente renovável”, diz Anderson, que comanda uma empresa com 35 fábricas, está presente em 150 países e que em 2006 faturou US$ 1 bilhão.
 
Anderson participou da Conferência Internacional do Instituto Ethos, em São Paulo. Contou a uma platéia de aproximadamente 800 pessoas que na busca de transformar a Interface numa empresa que respeita o meio ambiente, já venceu etapas importantes. O tratamento dos dejetos deu início a tudo. Nada do que entra na companhia sai em forma de lixo; e as emissões também não podem causar danos à biosfera. Esses são pontos inegociáveis. Trabalhar com luz solar e energias renováveis, além de eliminar desperdícios, foram o ponto alto da primeira parte do projeto. O transporte de funcionários e produtos é parte do pacote. E qualquer medida deve ser tomada sem alimentar o efeito estufa.
 
A mudança da mentalidade e da cultura dos fornecedores fez parte de uma segunda onda do processo. Anderson lembra que deu trabalho. Mas os números compensam. A empresa conseguiu diminuir o efeito estufa em 82%; reduziu 60% o consumo de combustíveis fósseis; as matérias-primas de fontes renováveis passaram de 75% para 100%; e 27% da energia consumida hoje vem de fontes renováveis. Tais providências pouparam a natureza e fizeram bem para os cofres da empresa. “Vendemos mais de 140 milhões de m quadrados de carpete desde 2003″, declara Anderson.
 
Mas o empresário avisa que nada disso é mágica. “Levamos dois anos até formar uma massa crítica”, lembra. “Demorou mais sete anos para que pudéssemos fazer alguma divulgação de nossos resultados”. O próprio mercado financeiro, em Nova York, não acreditava na nova ordem deflagrada por Anderson e sua Interface – mas isso, segundo ele, mudou. “Hoje Wall Street tem compromisso com as energias limpas e em praticamente todas as organizações as pessoas têm muito claro que a sustentabilidade é sinônimo de vantagem competitiva”. Anderson acredita que muito em breve várias leis irão emergir dessas tentativas. “São os seguidores que fazem os líderes; e as pessoas querem nos seguir”.
 
Se fosse começar hoje o que iniciou em 1994, Ray diz que teria estudado mais biologia (“para complementar as idéias dos engenheiros”); e contrataria mais mulheres. “Elas fazem toda a diferença; elas trabalham com o lado direito do cérebro, têm uma natureza emocional e lidam com desafios diante dos quais os homens titubeiam e demonstram muita dificuldade”. Além dessas providências, Anderson diz que ficaria mais atento à igualdade social – hoje sua grande frustração. “Ainda me sinto em débito com a base da pirâmide da África”.
 
Sem a cobrança de seus clientes arquitetos e decoradores, contudo, Anderson reconhece que não teria iniciado o trabalho de transformação social e ambiental dentro da empresa. Antes da demanda do mercado, que apareceu em forma de desafio, ele confessa que nunca havia pensado sobre o tema. Anderson perguntou, então, ao gerente de produção quanto a fábrica retirava do planeta para produzir lucros. “Três semanas depois, o funcionário veio com um número tão absurdo que decidi que não poderia ficar parado; e dei o primeiro passo”.
 
A decisão pela mudança, a bem da verdade, coincidiu também com uma forte recessão no setor de carpetes – e Anderson encontrou ali uma forma de reinventar tudo.

Anderson já elegeu seu sucessor e passa o tempo livre a viajar o mundo contando sua história. Só no ano passado deu mais de 50 palestras e foi eleito pela revista “Time” como um dos heróis do meio-ambiente.

Anderson, porém, não tem todas as respostas. Sabe que quer trabalhar em qualquer lugar do planeta com as mesmas questões e soluções, embora saiba que China, Índia, Rússia e outras regiões terão de dar passos diferentes conforme o ritmo de seu desenvolvimento industrial. Quanto aos planos para 2020, o empresário trata-os como o zeloso pai das mudanças feitas na empresa. Até lá terá passado dos 85 anos – mas está certo de que viverá para ver. “Venho de uma família muito longeva.”

BANANA ECOLÓGICA

Há mais de cinco anos sendo comercializadas em feiras ecológicas e pontos de venda diferenciados, as bananas ecológicas do litoral norte do Rio Grande do Sul vêm ganhando cada vez mais espaço na mesa de diversos tipos de consumidores. Vendida ou doada, tanto faz. O importante é o benefício que consumo de um produto puro traz para quem consome, quem produz e, principalmente para o meio ambiente.


Mais de seis mil pessoas beneficiadas pelo consumo de banana ecológicado litoral norte do Rio Grande do Sul recomeçaram a ser beneficiadas pelo consumo da banana ecológica da região de Torres. São crianças, jovens, idosos e adultos de creches, asilos, escolas, centros comunitários, apaes e pastorais de Torres, Três Cachoeiras, Arroio do Sal, Capão da Canoa , Xangrilá, Tramandaí e Osório que receberão semanalmente cerca de sete mil quilos de bananas cultivadas sem agrotóxicos por agricultores e agricultoras de municípios da região de Torres.

A doação é viabilizada através do Projeto Compra Antecipada Especial da Agricultura Familiar – Doação Simultânea, da Conab ( Companhia Nacional de Abastecimento) proposto pela Econativa – nome da Cooperativa Regional dos Produtores Ecologistas do Litoral Norte do RS e Sul de SC. Esta já é a terceira edição do projeto. A primeira aconteceu entre julho de 2005 e janeiro de 2006.

O Governo do Estado de Santa Catarina comprou 20.000 vidros de 700 gramas de doce de banana ecológico para a merenda escolar. Os doces foram produzidos na Agroindústria Morro Azul - que tem parceria com a Econativa – e garantidos por um selo de certificação, obtido através do sistema de certificação participativa da Rede Ecovida de Agroecologia.

Agricultores e agricultoras assessorados pelo Centro Ecológico estão comercializando bananas cultivadas em sistema agroflorestal para a rede Zaffari de supermercados, uma das mais tradicionais da capital gaúcha, Porto Alegre. Além do consumo de alimentos puros, o consumidor porto-alegrense tem a oportunidade de apoiar a preservação e a recuperação da Mata Atlântica, consumindo em sua própria cidade. As bananas são do tipo prata e caturra. São vendidas em embalagens de 500 gramas, com selo da Rede Ecovida de Agroecologia.

CASCA DE BANANA PODE DESPOLUIR A ÁGUA

Só na Grande São Paulo, quase quatro toneladas de cascas de banana são desperdiçadas, semanalmente, nos restaurantes. Foi esse dado, divulgado em uma reportagem sobre desperdício de alimentos, que estimulou a doutoranda em química Milena Boniolo a pesquisar uma utilidade para as cascas de banana. E ela encontrou: despoluir a água contaminada por metais pesados.

O processo é simples e funciona graças a um dos princípios básicos da química: o dos opostos que se atraem. Na casca da banana, existe uma grande quantidade de moléculas carregadas negativamente, enquanto os metais pesados são positivamente carregados. Logo, quando colocada na água, a casca da banana atrai para si os metais.

Para que dê conta do recado, no entanto, ela precisa ter suas propriedades potencializadas. Milena Boniolo também descobriu uma “fórmula” bem simples para isso: em uma assadeira, as cascas devem ficar expostas ao sol por cerca de uma semana. Em seguida, elas são trituradas e peneiradas. No fim, é essa “farofa de casca de banana” que será jogada na água para despoluir o recurso.

Segundo a pesquisadora, 5 mg do pó de banana são suficientes para despoluir 100 ml de água. Mas, para alcançar altos níveis de limpeza, é preciso repetir o processo mais de uma vez. Isso porque, em testes de laboratório, a casca de banana conseguiu “chupar”, de primeira, cerca de 65% dos metais pesados que estavam na água.

Agora, Milena Boniolo procura patrocínio para aplicar essa técnica em grande escala. Já que casca de banana é o que não falta...
Cacho de Bananas
"Mãe e a criança"

Planeta Sustentável

CARRO FEITO DE BANANA

Utilizar petróleo para fabricar plástico pode se tornar coisa do passado! Pesquisadores da Unesp – Universidade Estadual Paulista acabam de descobrir uma alternativa para a produção do material: a fibra de banana – e garantem: o produto final é perfeito para a confecção de carros.

Isso porque o bioplástico feito da fruta pode ser até 30% mais leve e quatro vezes mais forte do que o plástico comum, aumentando a resistência dos veículos e, ao mesmo tempo, diminuindo seu peso – o que reduz os gastos com combustível e, consequentemente, as emissões do carro.

E não são só as fibras de banana que podem ser utilizadas na fabricação do bioplástico: segundo os pesquisadores, o abacaxi e a casca do coco também podem ser usados no processo, que é baseado no cozimento dessas frutas, para a obtenção da nanocelulose – a matéria-prima do bioplástico.

Os pesquisadores ainda não conseguem afirmar, com precisão, os custos desse processo, mas acreditam que em até dois anos a indústria automobilística poderá se beneficiar com o produto – que, segundo eles, também é recomendado para o setor médico, na fabricação de próteses e pinos, e para os militares, na produção de coletes e capacetes a prova de balas.

E para aqueles que estão se perguntando sobre o desperdício de alimentos, os pesquisadores avisam: a fabricação do bioplástico pode ser feita com os restos das frutas, o que garante que os alimentos não deixarão de ir para a mesa do brasileiro para produzir plástico!

PEGN

LAMA RETIRADA DO PORTO VAI GERAR ENERGIA

Por ano milhões de toneladas de lama são retiradas do fundo dos portos de todo o Brasil. O resíduo é armazenado e depois despejado no oceano, em áreas onde causa menor impacto ambiental.

Buscando evitar riscos à diversidade marinha e agregar benefícios à população, pesquisadores da Fundação Universidade Rio Grande (Furg), do Rio Grande do Sul, desenvolveram um projeto para transformar a lama coletada em energia elétrica.

O objetivo é criar uma Unidade de Tratamento de Sedimentos de Dragagem, que deve ser instalada ainda este ano no Porto do Rio Grande, no município gaúcho de Rio Grande.

A dragagem é um procedimento em que uma embarcação recolhe os sedimentos do fundo do leito dos portos, usando uma espécie de aspirador. Esse processo é feito para manter a profundidade do local por onde os barcos e navios navegam.

Em vez de despejar a lama no oceano, ela passará a ser transferida para reatores na unidade de tratamento.

Segundo a coordenadora do projeto, Christiane Ogrodowski, a energia elétrica é captada nesta fase. Eletrodos instalados nos tanques de armazenamento captarão os elétrons que são produzidos na decomposição da lama. Esses elétrons podem ser transferidos para baterias ou irem direto para a distribuição de energia.

"O projeto tem potencial de gerar 580 megawatts por hora, quantidade suficiente para abastecer uma cidade de até 600 mil habitantes. É uma tecnologia inovadora", afirma Cristiane. Para os próximos cinco anos, a expectativa é a de que sejam retiradas 6,5 milhões de toneladas de lama do Porto do Rio Grande.

Contando também coma participação do professor Fabricio Santana, o projeto será o primeiro no País a gerar energia elétrica a partir da lama.

"É uma maneira de preservar o meio ambiente e ajudar a solucionar um problema mundial que é a destinação desse material dragado. Além disso, economicamente é uma das melhores formas de produzir energia", garante Christiane.

O projeto tem o apoio financeiro da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, do Porto do Rio Grande e da Furg. Considerado um dos portos mais importantes da América Latina, devido à sua posição geográfica e extensão, o porto gaúcho é o segundo mais importante do País para o comércio internacional brasileiro.

MCT

GASES LANÇADOS NO AR TRANSFORMADO EM ENERGIA ELÉTRICA

No dia 26.09.2007, um apagão de energia elétrica afetou todo o Estado do Espírito Santo. Muitas companhias localizadas na região, como a Vale do Rio Doce, tiveram que paralisar a produção e, em apenas duas horas, contabilizaram alguns milhões de reais de prejuízo.

A ArcelorMittal Tubarão escapou do apagão. Isso porque, há cerca de dez anos, a antiga Companhia Siderúrgica Tubarão, hoje pertencente ao grupo que faturou R$ 14 bilhões em 2006 no Brasil, investe em fontes alternativas de energia e se tornou auto-suficiente nesse campo.

Anos atrás, a empresa, que produz sete milhões de toneladas de aço por ano, começou a transformar os gases gerados a partir do seu processo industrial em energia elétrica. Num primeiro momento, era apenas uma forma de preservar o meio ambiente e gerar energia para o próprio consumo. Agora, a ArcelorMittal transformou a iniciativa em um negócio que garante uma receita de R$ 300 milhões, algo perto do que fatura a Nec no Brasil. A técnica desse processo foi tão aprimorada que passou a gerar excedente, vendido para a Tractebel, um dos maiores grupos de distribuição de energia do País, que, em troca, receberá aproximadamente .

150MW de energia limpa, o que corresponde a 10% do total consumido no Espírito Santo. Outros contratos já estão por vir. “Estamos com um projeto para aumentar a nossa capacidade de gerar energia através do vapor de gases. Já temos outras empresas interessadas em investir na nossa solução”, afirma Jorge Bittencourt, diretor de distribuição de energia da ArcelorMittal Tubarão.

MAIS ENERGIA 150 MEGAWATTS é a quantidade de energia que a Tractebel comprou da Arcelor. A solução energética amiga do meio ambiente da siderúrgica capixaba é capaz de gerar 500 megawatts, uma quantidade acima do que a empresa necessita – seu consumo interno é de 345 MW, o suficiente para abastecer uma cidade com um milhão de residências.

Nas três turbinas existentes atualmente, a ArcelorMittar investiu aproximadamente US$ 70 milhões. “Estamos colhendo os frutos do que investimos há pelo menos dez anos”, conta Bittencourt. Naquela época, a palavra sustentabilidade ainda não fazia parte do dicionário do meio empresarial e o meio ambiente começava a entrar na pauta das empresas. “Começamos a investir em termelétrica, energia gerada pela queima de combustíveis, na década de 80. Tínhamos que pensar em alternativas porque o Estado nessa época não oferecia a mínima infra-estrutura nesse campo”, conta. Com o passar dos anos, houve mais motivação para que a Arcellor- Mittal se dedicasse ainda mais à geração de energia alternativa. Primeiro, a preservação do meio ambiente tornou-se o “tema da vez” da indústria mundial. Segundo, o risco de apagões continua cada vez mais presente e a empresa afirma não se preocupar com essa possibilidade. “Caso ocorra um novo caos no setor elétrico, temos não somente a solução para a nossa empresa, como também para as demais companhias”, salienta Bittencourt. E isso sem agredir o ar que respiramos.

Revista Isto é Dinheiro

PAPELÃO É ALTERNATIVA RÁPIDA E LIMPA NA CONSTRUÇÃO CIVIL


O papelão oferece uma solução rápida e segura para construções de apoio nos canteiros de obras, pequenos depósitos e e outros "puxadinhos".

O uso do papelão na construção civil pode representar uma alternativa que proporciona mais rapidez na obra, e com um processo mais leve e salubre.

Se não diretamente para moradias, o material oferece uma solução rápida e segura para construções de apoio nos canteiros de obras, pequenos depósitos e outros "puxadinhos".

A utilidade e a segurança do papelão para a construção civil estão sendo demonstradas por pesquisas que estão sendo realizadas no Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), da USP.

De acordo com a pesquisadora Gerusa Salado, os estudos com o papelão já vêm sendo desenvolvidos no Japão. "No Brasil, esse tipo de pesquisa ainda é inédito," afirma.

A escolha do papelão levou em conta critérios como reciclagem e produção de celulose e do próprio papelão, matérias-primas abundantes no Brasil.

"O papelão, além do fato de poder ser reciclado várias vezes, não precisa de um grande processo de transformação para a reciclagem. Basta triturá-lo e misturar com água", descreve Gerusa.

Para testar a eficácia do uso do papelão na construção civil, os pesquisadores construíram uma célula-teste. Esta "construção experimental", como foi denominada, possui o formato de um cubo medindo cerca de 3x3x3 metros (m), equivalente a um volume de 27 metros cúbicos (m3). Em uma de suas paredes há uma janela. Na outra, uma porta.

Gerusa explica que as outras duas paredes são "paredes cegas", ou seja, sem qualquer tipo de abertura. Inicialmente, a pesquisadora desenvolveu na célula-teste as vedações, que são o objeto principal de sua pesquisa.

Conseguiu construir uma parede de 1 m linear, com tubos de 10 cm de diâmetro, sem resina ou impermeabilizantes.

A estrutura, segundo ela, resistiu até 5,0 toneladas. Utilizando a resina impermeabilizante, a mesma estrutura teve sua resistência aumentada, suportando até 6,0 toneladas.

Esta mesma resina também torna o material resistente às chuvas e à umidade. "Nossa construção experimental tem resistido a todas as fortes chuvas desses últimos tempos", conta a pesquisadora.

Em relação ao fogo, ela alerta que o material ainda precisa ser avaliado em relação ao tempo que o papelão pode levar para ser incinerado e se o fogo pode se extinguir sozinho - estes testes são realizados em laboratório e seguem normas técnicas nacionais e/ou internacionais. "Sabemos que todos os materiais de construção são suscetíveis ao fogo, mas neste caso, precisamos averiguar se o tempo de propagação de um incêndio acidental possibilita que os usuários desocupem a edificação", diz Gerusa.

Os estudos realizados já têm dado frutos, segundo a pesquisadora. "Já é certeza que a estrutura poderá ser aplicada em edificações térreas".

O intuito das pesquisas, segundo Gerusa, é que a estrutura possa vir a ser utilizada para habitações ou não, além de outros tipos de construções como edifícios, como uma possibilidade de substituição de materiais de alvenaria.

Entre as principais vantagens na utilização do papelão na construção civil, Gerusa destaca o uso de uma fundação apenas superficial e não subterrânea, pois a construção é leve. A construção de imóveis com este material é bem mais rápida do que os métodos convencionais porque é feita num sistema construtivo pré-fabricado.

"Além disso, os tubos de papelão são ocos, facilitando a instalação dos sistemas hidráulicos e elétricos, não havendo necessidade de quebrar paredes. Todo o processo é limpo e salubre podendo ser desmontado e remontado a qualquer tempo", garante a pesquisadora.

O custo de uma parede de papelão em relação à de alvenaria convencional por enquanto é proporcional, mas Gerusa lembra de alguns fatores que podem torná-lo um potencial material concorrente à alvenaria, como impostos adequados a construção civil, produção não só dos tubos, mas também de módulos pré-fabricados em larga escala.

Agência USP

PRÓPOLIS DÁ CAPACIDADE ANTIMICROBIANA A MATERIAIS PLÁSTICOS

Pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu um novo filme plástico para uso em embalagens de alimentos com propriedades antimicrobianas.

O material ganhou sua propriedade bioativa com a adição de própolis.

Os polímeros, mais comumente conhecidos como plásticos, são materiais que têm utilização em larga escala pela indústria e podem servir para inúmeras funções.

Sabendo disso, a engenheira de alimentos Renata Barbosa Bodini desenvolveu seu novo material polimérico bioativo à base de gelatina e própolis.

A propriedade antimicrobiana do própolis foi transferida para o filme, tornando-o ideal para a embalagem e conservação de alimentos.

A gelatina já é usada experimentalmente na produção de filmes biodegradáveis, como uma alternativa para substituir os polímeros sintéticos, como o plástico.

O primeiro passo do estudo consistiu na adição de extrato etanólico de própolis (EEP) à gelatina, para formar os filmes plásticos, o que mostrou viabilidade da ideia.

"A própolis é uma substância que possui comprovadamente propriedade antimicrobiana, e seria necessário verificar se essa característica seria mantida nos filmes, caracterizando a bioatividade", conta Renata.

A atividade antimicrobiana foi avaliada tanto no EEP isolado como nos filmes biodegradáveis. As análises foram feitas por 177 dias, com observações a cada 28 dias, e o resultado foi positivo: a propriedade foi conservada em ambos os casos.

A pesquisa produziu um material biodegradável, com capacidade antimicrobiana e fabricado a partir de um produto natural encontrado em abundância. Deste modo, a engenheira acredita que seu estudo pode ter uma utilidade imediata.

O filme plástico antimicrobiano é formado por vários componentes: gelatina (comum), material plastificante (foram utilizados o sorbitol e o citrato de acetil tributila), álcool etílico e o extrato de própolis.

O microorganismo utilizado para colocar à prova a propriedade antimicrobiana do filme foi a bactéria Staphylococcus aureus. O EEP ainda foi testado em diferentes concentrações em relação à gelatina: 5%, 40% e 200%. Tal diferenciação foi útil, já que os resultados foram diferentes.

Quando o extrato etanólico de própolis foi utilizado em concentração de 40% e 200%, os filmes apresentaram a atividade antimicrobiana. Já na concentração de 5%, a Staphylococcus aureus cresceu sobre o filme biodegradável, demonstrando que esta concentração não tem efeito inibitório.

A ideia inicial era a de que os filmes biodegradáveis com propriedades bioativas pudessem ser utilizados comercialmente como embalagens, mas Renata explica que há desafios pela frente:

"O método utilizado inicialmente na produção, chamado casting, é laboratorial e por enquanto não é viável para produção em larga escala. Além disso, o própolis tem um aroma muito forte e característico que foi passado para os filmes, o que dificulta a utilização deles para embalagem.

Mas isso não significa que não haja possibilidade de uso comercial: os filmes podem ser utilizados para embalar produtos de origem animal ou podem servir de suporte para o aditivo (própolis). Mas todas essas utilizações têm que ser testadas, e serão necessárias pesquisas complementares para se avaliar o potencial de aplicação do material,". 

Agência USP

PORCELANA QUE IRIA PARA O LIXO VIRA ARGAMASSA PARA CONSTRUÇÃO CIVIL

O Brasil produz 30 mil toneladas anuais de isoladores elétricos de porcelana de alta e baixa tensão para distribuição de energia - equipamento utilizado como isolante de eletricidade em postes de iluminação, usinas hidrelétricas e, até mesmo em residências.

Deste montante, 75% são destinados às substituições das peças que perdem a sua função isolante. Isto significa que 22.500 toneladas de isolantes velhos são descartadas todos os anos.

Não há problemas com o corpo metálico do isolador, que é reaproveitado e reciclado. Mas a parte de porcelana é descartada de forma absolutamente inadequada - em terrenos baldios e beiras de estrada, por exemplo.

Essa situação levou o engenheiro Marco Antonio Campos a realizar ensaios que permitiram adicionar o resíduo da porcelana que seria descartado na natureza em misturas que resultaram em novos tipos de concreto e argamassa.

Os experimentos deram certo. Campos obteve um material vantajoso do ponto de vista de resistência e economia. O trabalho foi feito na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, orientado pela professora Ana Elisabete P. G. A. Jacintho.

O processo de transformação é relativamente simples do ponto de vista metodológico. A moagem do resíduo da porcelana foi feita de forma a gerar tanto a areia grossa - ou agregado miúdo na linguagem técnica - e brita 1 ou agregado graúdo.

Tanto a areia quanto a brita permitiram resultados com granulometria similar à utilizada tradicionalmente na construção civil. Por sinal, a areia feita de resíduo de porcelana foi o material que obteve melhor desempenho nos ensaios em laboratório.

Já os testes de substituição foram etapas complexas, pois demandaram muitos dias de experimentos para estabelecer comparativos. O engenheiro testou a areia e a brita com substituições nas classes de 25%, 50%, 75% e 100% e fez os ensaios após três, sete e 28 dias. "Estas comparações entre os dias e porcentagens de material eram necessárias para conhecer o desempenho do material em várias formulações diferentes", esclarece Campos.

O ensaio de resistência mecânica de compressão simples compreende a medição da capacidade que o material tem de suportar a pressão.

Já o teste de absorção da água visa medir o quanto de água o concreto ou argamassa absorve, pois quanto menor a capacidade de água, menor o consumo de cimento na mistura.

"Os resultados foram similares às misturas feitas com materiais tradicionais e, em alguns casos, foram até superiores. A única questão foi o endurecimento do concreto ocorrer de forma mais rápida. Mas, isso foi perfeitamente contornado com o acréscimo de aditivos", explica.

Uma das vantagens econômicas também tem a ver com os testes de absorção da água. Os resultados apontaram que o material não absorve a água, o que significa a diminuição do consumo de cimento para produção do concreto. Ou seja, possibilita uma economia substancial de material para a composição.

Segundo Campos, as análises demonstraram que a proposta é perfeitamente viável. A porcelana branca - matéria-prima dos isoladores - são altamente resistentes devido às temperaturas elevadas a que é submetida - em geral, até dois mil graus.

Jornal da Unicamp