terça-feira, 31 de agosto de 2010

OS GNOMOS SÃO OS GUARDIÕES DA FLORA E FAUNA

O fato é que as histórias sobre esses seres são fascinantes....quem dera nós usassemos essa sabedoria e, certamente seríamos muito mais felizes...

Levam um estilo de vida doméstica bem semelhante aos de seus irmãos maiores, nós humanos. São exímios artesãos, sabedores de como trabalhar os metais e a madeira, que utilizam na confecção de casas e móveis de uso comum. Confeccionam sua própria porcelana. Conhecem muitas artes e ofícios, embora não tenham qualquer inclinação pelo desenvolvimento econômico, visto que lhes falta qualquer traço de ambição. Pelo que se sabe, são coletores de alimentos, que encontram nos bosques e florestas. Sua dieta é baseada em pequenas frutas, amoras diversas, folhas e raízes, das quais utilizam a fécula na confecção de bolos, tortas e pães, sempre adoçados com mel de abelha ou o néctar que eles extraem de algumas plantas e flores. São essencialmente vegetarianos, visto serem contrários a causar qualquer mal ou violência contra os animais. Podem dispor de frutas das mais variadas espécies, pois detêm a técnica ou arte de miniaturizar árvores por completo: tamanho dos troncos, folhas e frutos, conhecimento este que faria a alegria de qualquer mestre na arte do Bonsai.

Ao contrário do que se pensa, os Gnomos não fumam cachimbos nem consomem vinhos nem licores. Aliás desprezam o hábito entre os humanos do consumo de carnes e bebidas alcoólicas, evitando a todo custo pessoas que se dedicam a essas atividades, uma vez que cultivam um padrão de vida moral e espiritual avançado. São dotados de grande força, comparada a seu tamanho corporal e gozam de excelente saúde, embora conheçam a medicina das ervas, as quais não cultivam em hortas explícitas, mas disfarçadamente em meio à flora circunvizinha. Por esse motivo, sempre se achou que eles não se dedicam à agricultura. Dedicam-se com afinco à atividades de cultivo de plantas, ervas e todo tipo de cogumelos, visto serem imunes à toxidade destes. A bem da verdade, são exímios cultivadores de cogumelos, no que fazem em túneis especialmente cavados no subsolo.

Os Gnomos são bastante tímidos e reservados. Dificilmente são vistos durante o dia, sendo seres de hábitos noturnos. Se alguém os 'surpreendem', é mais pela disposição deles mesmos em se deixar ver. Donos de poderes psíquicos, são capazes de entender os pensamentos de quaisquer criaturas, sabedores de suas mais íntimas e reais intenções.

Diante de um primeiro contato, os Gnomos mostram-se gentis e cordiais, embora não escondam uma certa desconfiança, não obstante entenderem o que se passa na mente dos outros. As moças e senhoras Gnomos são mais tímidas e retraídas que seus companheiros, a ponto de dificilmente serem vistas, quer durante o dia ou à noite. Normalmente permanecem a maior parte do tempo ocupadas nos afazeres domésticos. De regra, esses simpáticos seres preferem contatar as crianças, visto terem elas a mente mais aberta, sem prejulgamentos, e possuidoras da natural inocência infantil. Quando não conseguem fugir a tempo, diante de uma presença indesejada, os Gnomos se transformam de imediato em algum tipo de animal, no mais das vezes assumem a forma de um sapo.

Nas excursões que fazem nos bosques e florestas, evitam as trilhas utilizadas pelos homens ou pelos animais. Preferem criar seus próprios caminhos, pequenas trilhas ou estradas, embaixo da vegetação dos pequenos arbustos rasteiros. Assim, sentem-se mais confortáveis. Existe um mal entendido quanto à maneira dos Gnomos viajarem à grandes distâncias. Pensa-se que eles costumam viajar com a ajuda de alguns animais, notadamente, pássaros, acomodando-se neles numa gostosa carona. Não é bem assim. Os Gnomos podem assumir qualquer forma que desejarem. Por conseguinte, quando querem cobrir grandes distâncias, transformam-se em aves migratórias e vão aonde desejarem, num vôo solitário, ou coletivo, envolvendo toda uma comunidade ou parte dela, na busca de locais mais adequados à sobrevivência. Isto explica o fato de que eles estejam espalhados por todos os continentes. Os Gnomos, todavia, são muito afeitos a brincadeiras e podem sim subir nas costas dos animais e das aves, apenas por simples divertimento.

Conhecedores dos segredos da terra, podem perceber catástrofes naturais com muita antecedência e nunca são surpreendidos por esses eventos. Dessa forma podem mudar de local, região ou mesmo continentes, sempre que as condições ambientais mostrarem-se adversas.

Os Gnomos não são seres espirituais, mas seus corpos são de carne e osso; são bem parecidos conosco, embora, isto sim, mais espiritualizados. Devido ao estilo de vida que levam, simples, embora cultivando uma disposição mental elevada, mantêm uma maior sensibilidade, o que lhes dá vantagem sobre nós. São muito solidários com todas as formas de vida, e uma de suas atividades típicas nos bosques, florestas .ou pradarias é cuidar de animais feridos ou doentes. Entendem a língua dos humanos, das plantas e animais, embora tenham sua própria linguagem. Dessa forma, podem se comunicar com diferentes criaturas, e entender suas necessidades.

Dedicam-se a proteger a flora e a fauna, pois têm pleno conhecimento dos intrincados inter-relacionamentos existentes na Natureza. Ao longo dos anos, se distanciaram bastante dos humanos, ao perceberem o individualismo, o egoísmo exacerbado, a ambição e falta de bondade para com os outros, sejam eles humanos, animais ou as plantas. Evitam as pessoas de má índole e de maus hábitos. Entretanto, procuram estar perto de pessoas bondosas, honestas e gentis. Freqüentemente as observam e as ajudam no que podem, mesmo que as pessoas disso não saibam. Mantêm-se distantes de lugares onde predominem atividades que envolvam paixões, barulho ou desarmonia. Em algum estágio da vida de um ser humano, especialmente quando criança, os Gnomos penetram-lhe nos sonhos, oferecendo momentos agradáveis. Aqueles que participam dessa experiência, normalmente tornam-se, ao crescerem, pessoas bondosas, respeitosas das coisas da terra e da Natureza. Essa, muito mais que uma atividade lúdica ou divertida, é, para esses seres, um momento especial para educarem seus irmãos maiores. Está aí uma grande lição a ser seguida......Realmente fascinante!!!!

fitosaude.blogspot.com

PLANTAS IMAGENS MESTRES MATERIALIZADOS

Google Imagens

ANIMAIS POSTURA NAMASTÊ

Google Imagens

BORBOLETA MONARCA EM SIMBIOSE COM AS FLORES

BORBOLETA EM SIMBIOSE COM LOUVA À DEUS

GOOGLE IMAGEM

AMIZADE ENTRE ANIMAIS E HUMANOS

GOOGLE IMAGENS

SIMBIOSE ENTRE ÁRVORE E HUMANOS

GOOGLE IMAGENS

domingo, 29 de agosto de 2010

ÁGUA EM PÓ OU ÁGUA SECA CONTÉM SÍLICA MODIFICADA

É uma substância absolutamente incomum, mas com potencial para ser quase tão útil quanto sua irmã mais molhada.

A água em pó, ou "água seca", poderá ser usada para absorver e armazenar o dióxido de carbono (CO2), o gás de efeito estufa que contribui para o aquecimento global.

Mas o pó brilhante, parecido com açúcar, parece promissor para uma série de outros usos. Por exemplo, na química verde, como um componente mais ambientalmente amigável para acelerar as reações químicas utilizadas para fabricar inúmeros produtos.

A técnica de fabricação da água em pó também poderá ser empregada para acondicionar e transportar líquidos industriais perigosos, que poluem o meio ambiente e causam grandes transtornos quando acontecem acidentes com vagões e caminhões que os transportam.

"Não há nada parecido como ela," disse Ben Carter, da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, ao apresentar a água em pó durante a reunião da Sociedade Norte-Americana de Química. "Mas temos esperanças de ver a água seca fazendo grandes ondas no futuro."

Carter explicou que a substância ficou conhecida como água seca porque ela consiste em 95 por cento de água e, ainda assim, é um pó seco.

Cada partícula do pó contém uma gota de água cercada por sílica modificada - a sílica, ou óxido de silício, é o principal componente da areia de praia. O revestimento de sílica impede que as gotas de água se combinem e voltem a formar um líquido.

O resultado é um pó fino, com propriedades que o tornam capaz de absorver grandes quantidades de gases, que se combinam quimicamente com as moléculas de água para formar o que os químicos chamam de hidrato.

Estranha quanto possa parecer, a água seca, ou água em pó, não é algo novo. Ela foi criada em laboratório em 1968, mas a dificuldade de fabricação manteve-a restrita a uma curiosidade científica. Em 2006, cientistas da Universidade de Hull, também no Reino Unido, resolveram estudar sua estrutura.

A partir de então, o grupo do professor Andrew Cooper, do qual Carter faz parte, tem-se dedicado a aprimorar as técnicas de fabricação da água seca e encontrar usos industriais para ela.

Um dos usos mais promissores envolve o uso da água seca como um material de armazenamento de gases, incluindo o dióxido de carbono. Em escala de laboratório, os pesquisadores descobriram que a água seca absorve mais de três vezes mais dióxido de carbono do que a água comum com sílica.

Esta capacidade de absorver grandes quantidades de dióxido de carbono na forma de um hidrato pode tornar o pó de água útil para ajudar a reduzir o aquecimento global, sugerem os cientistas.

A água seca também é útil para o armazenamento de metano, um componente do gás natural, o que ajudar a expandir a sua utilização como fonte de energia no futuro. Os cientistas acenam com a possibilidade de usar o pó para coletar e transportar gás natural de depósitos economicamente inviáveis.

Esse hidrato de metano existe de forma natural no fundo do oceano, sob uma forma de metano congelado mais conhecida como "gelo que queima".

A água em pó também pode fornecer uma maneira mais segura e mais conveniente para armazenar o metano para seu uso como combustível em automóveis.

Com interesse para a indústria química, os cientistas demonstraram que a água seca é um meio promissor para acelerar reações catalisadas entre o hidrogênio e o ácido maleico para produzir ácido succínico, uma matéria-prima usada na fabricação de medicamentos, alimentos e outros bens de consumo.

Os cientistas agora estão procurando parceiros comerciais e acadêmicos para desenvolver a tecnologia da água seca e, finalmente, fazê-la chegar ao mercado.

Site Inovação Tecnológica

ELERGIA DO AR ABASTECE RESIDENCIAS, RECARREGA VEÍCULOS

Postura Namastê Chacra Coronário Ativado

Alimentar casas e fábricas com eletricidade coletada diretamente do ar pode ser possível: cientistas brasileiros resolveram um enigma científico que durava séculos sobre como a umidade na atmosfera torna-se eletricamente carregada, abrindo caminho para seu aproveitamento.

Imagine dispositivos capazes de capturar a eletricidade do ar e usá-la para abastecer residências ou recarregar veículos elétricos, por exemplo.

Da mesma forma que painéis solares transformam a luz do Sol em energia, esses painéis futurísticos poderão coletar a eletricidade do ar - a mesma eletricidade que forma os relâmpagos - e direcioná-la de forma controlada para alimentar qualquer equipamento elétrico, nas casas e nas indústrias.

Se isso parece revolucionário demais, mais entusiasmante ainda é saber que a descoberta que poderá tornar esses sonhos uma realidade foi feita por um cientista brasileiro.

"Nossa pesquisa pode abrir o caminho para transformar a eletricidade da atmosfera em uma fonte de energia alternativa para o futuro," disse Galembeck. "Assim como a energia solar está liberando algumas residências de pagar contas de energia elétrica, esta nova e promissora fonte de energia poderá ter um efeito semelhante."

A descoberta do professor Galembeck parece resolver um enigma científico que já dura séculos: como a eletricidade é produzida e descarregada na atmosfera.

No início da Revolução Industrial, os cientistas perceberam que o vapor que saía das caldeiras gerava faíscas de eletricidade estática - trabalhadores que se aproximavam dos vapores eram frequentemente atingidos pelos choques elétricos.

Mas essa eletricidade se forma também em locais mais amenos, quando o vapor de água se junta a partículas microscópicas no ar, o mesmo processo que leva à formação das nuvens - é aí que começam a nascer os relâmpagos.

Nikola Tesla ficou famoso pelas suas tentativas de capturar e utilizar essa eletricidade do ar, tentativas infelizmente nem sempre bem-sucedidas.

Mas, até agora, os cientistas não tinham um conhecimento suficiente sobre os processos envolvidos na formação e na liberação de eletricidade a partir da água dispersa pela atmosfera.

"Se nós soubermos como a eletricidade se acumula e se espalha na atmosfera, nós também poderemos evitar as mortes e os danos provocados pelos raios," estima Galembeck.

Os cientistas sempre consideraram que as gotas de água na atmosfera são eletricamente neutras, e permanecem assim mesmo depois de entrar em contato com as cargas elétricas nas partículas de poeira e em gotículas de outros líquidos.

Mas o professor Fernando Galembeck e sua equipe descobriram que a água na atmosfera adquire sim uma carga elétrica.

O grupo brasileiro confirmou essa ideia por meio de experimentos de laboratório que simulam o contato da água com as partículas de poeira no ar.

Eles usaram minúsculas partículas de sílica e fosfato de alumínio - ambas substâncias comumente dispersas no ar - para demonstrar que a sílica se torna mais negativamente carregada na presença de alta umidade, enquanto o fosfato de alumínio se torna mais positivamente carregado.

"Esta é uma evidência clara de que a água na atmosfera pode acumular cargas elétricas e transferi-las para outros materiais que entrem em contato com ela," explicou Galembeck. "Nós a chamamos de higroeletricidade, ou seja, a eletricidade da umidade."

Painéis para capturar a energia higroelétrica poderão ser colocados no topo dos prédios para drenar a energia do ar e impedir o acúmulo das cargas elétricas que são liberadas na forma de raios. [Imagem: Martin Fischer]

No futuro, segundo Galembeck, poderá ser possível desenvolver coletores - similares às células solares que coletam a luz solar para produzir eletricidade - para capturar a higroeletricidade e permitir seu uso em residências e empresas.

Assim como as células solares funcionam melhor nas regiões mais ensolaradas do mundo, os painéis higroelétricos vão funcionar de forma mais eficiente em áreas com alta umidade, uma característica das regiões tropicais, Brasil incluído.

Alta umidade significa altos níveis de vapor de água no ar - um vapor que se torna visível ao se condensar e embaçar os vidros do carro, por exemplo, e cuja baixa intensidade incomoda tanto nos dias secos de inverno.

Galembeck afirmou em sua apresentação que uma abordagem semelhante poderia ajudar a prevenir a formação de raios. Ele vislumbra a colocação de painéis higroelétricos no topo de prédios em regiões onde ocorrem muitas tempestades. Os painéis drenariam a energia do ar, impedindo o acúmulo das cargas elétricas que são liberadas na forma de raios.

Seu grupo de pesquisa já está testando metais para identificar aqueles com maior potencial para utilização na captura da eletricidade atmosférica e prevenção dos raios.

"São ideias fascinantes que novos estudos, nossos e de outras equipes de cientistas, poderão tornar realidade," disse Galembeck. "Nós certamente temos um longo caminho a percorrer. Mas os benefícios no longo prazo do aproveitamento da higroeletricidade podem ser substanciais."

Durante o século 19, houve vários relatos experimentais associando a interface ar-água e os fenômenos eletrostáticos da chamada "eletricidade do vapor". O famoso Lord Kelvin idealizou um equipamento, que ele chamou de condensador de gotas de água, para reproduzir experimentalmente o fenômeno.

Contudo, até hoje ninguém havia conseguido descrever os mecanismos do acúmulo e da dissipação das cargas elétricas na interface ar-água. Isso pode dar a dimensão dos resultados agora obtidos pelos cientistas brasileiros.

O trabalho do professor Fernando Galembeck e sua equipe demonstra que a adsorção do vapor de água sobre superfícies de materiais isolantes (dielétricos) ou de de metais isolados - devidamente protegidas dentro de um ambiente blindado e aterrado - leva à acumulação de cargas elétricas sobre o sólido, em um intensidade que depende da umidade relativa do ar, da natureza da superfície usada e do tempo de exposição.

A pesquisa verificou ainda um aumento acentuado nas cargas elétricas acumuladas quando são usados substratos líquidos ou isolantes sólidos, sob a ação de campos externos, quando a umidade relativa do ar se aproxima de 100%.

Site Inovação Tecnológica

RESERVAS PARTICULARES DO PATRIMÔNIO NATURAL

Sudito se curva diante do Rei Deva

Criação de reservas corporativas é tendência mundial

O ambientalista Mário Mantovani, diretor de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, disse que a criação de áreas protegidas pela iniciativa privada, por meio de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), é uma tendência mundial, definida a partir da questão da biodiversidade. "É fundamental", afirmou, em entrevista à Agência Brasil.

Mantovani citou o caso do grupo hoteleiro francês Marriott no Amazonas, que fez da área um poço de carbono, onde vai neutralizar todas suas emissões de gases poluentes, adotando uma unidade de conservação.

"Se essa moda pega, o Brasil vai ter área protegida sobrando", estimou o ambientalista. 

 "E chegando dinheiro lá para aquela comunidade [que vive ali], porque a empresa é tida como uma prestadora de serviço. Não é um Bolsa Família. É um Bolsa Floresta, onde a empresa presta o serviço de manter aquela floresta em pé", acrescentou.

Mantovani destacou que cada vez mais as questões ambientais estão
presentes no dia a dia das empresas. "E a unidade de conservação é uma grande saída". A partir de uma gestão compartilhada entre ossetores público e privado, ele acredita que a fiscalização fica mais efetiva e a gestão das unidades mais facilitada.

O ambientalista defendeu que esses mecanismos sejam isentos de
impostos, como ocorre na área cultural, com a Lei Rouanet de incentivos fiscais. "Eu faço uma Lei Rouanet do meio ambiente, com um edital de chamada para quem quer proteger parques, por exemplo". Para Mantovani, a medida ajudaria o Poder Público, "que nunca tem recursos".

De acordo com David Zee, coordenador de mestrado em meio ambiente da Universidade Veiga de Almeida, no Rio, o programa de incentivo à criação de reservas corporativas, que está sendo lançado pelo Instituto Ecofuturo em parceria com a organização não governamental internacional The Nature Conservancy (TNC), se insere na nova concepção de responsabilidade socioambiental das empresas.

"Eu acho extremamente meritória e necessária essa intervenção". Segundo Zee, na medida em que as empresas começarem a investir na criação de reservas protegidas, elas estarão resgatando um compromisso em função dos benefícios que a natureza concedeu para a própria empresa e a sociedade.

"Então, à medida que as empresas comecem a se agregar a esses
programas, mais e mais empresas estarão entrando, porque isso se torna um diferencial". Completou que essa é uma atuação moderna, atual.

O consultor do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), José Luciano de Souza, disse que já existem no Brasil cerca de 550 reservas particulares federais criadas por meio do instituto, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Juntando as reservas estaduais e federais,
o número se eleva para mais de mil RPPN em todo o país.

O primeiro decreto para criação de RPPN foi assinado em 1990. O ICMBio trabalha incentivando a sociedade civil, incluindo pessoas físicas e jurídicas, a criar reservas particulares. Luciano afirmou que essa é uma iniciativa considerada bem-vinda pelo ICMBio, "porque a gente trabalha junto com a sociedade civil na busca da conservação dos nossos ecossistemas. Não fica só uma atribuição do governo federal ou estadual".

Além de desfrutarem de isenção do Imposto Territorial Rural (ITR), os
proprietários de RPPNs contam com o apoio do ICMBio na gestão, fiscalização e proteção a essas áreas. Eles podem ainda concorrer à obtenção de recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente. "Mas, têm que enviar um projeto para ser aprovado", lembrou Souza. Segundo o ICMBio, Minas Gerais é o estado que apresenta maior número de RPPN. 

Jornal Folha de São Paulo

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

PRECISAMOS DA CIÊNCIA PARA SUSTENTAR A VIDA E O PLANETA


José Mujica é presidente do Uruguai

Necessitamos de um conhecimento científico que seja propriedade de toda a humanidade e esteja a serviço dela, isto é, de todos os povos, afirma neste artigo o ex-guerrilheiro e presidente do Uruguai, José Mujica.

Coube a nós viver um tempo de aprendizes de bruxo. Colocamos em marcha uma civilização que conseguiu melhorar a vida de muitíssima gente, mas, talvez, apressadamente. Não podíamos medir as consequências de tantas coisas que estávamos fazendo ao planeta. Esta nave com a qual andamos pelo universo tem suas próprias complexidades e agora estamos aprendendo, com dor, que temos de modificar muitos aspectos de nosso comportamento para que a Terra se mantenha sustentável.

Isto é indispensável para a manutenção de todas as formas de vida, e, com isso, a nossa. Não somos tão poderosos nem tão sábios como às vezes cremos. Os jogos profundos de interrelação da natureza e das atividades humanas trazem profundos mistérios. Temos de agradecer primeiramente aos cientistas que dedicam suas vidas a indagar os segredos da natureza. Esta dedicação só pode ser explicada por uma paixão pela causa humana.

Atualmente, ninguém pode se fazer de desentendido quanto aos desafios de conviver e tornar sustentável o meio ambiente. Todos somos responsáveis. Porém, existe uma responsabilidade muito maior daqueles que primeiro se colocaram como donos da civilização moderna e contemporânea. E esta não é uma causa nacional, é uma causa universal. Nenhum país, por mais poderoso que seja, pode garantir a continuidade do que está em jogo.

Por isso os acordos de caráter mundial são cada vez mais necessários. Devem poder contar com a fidelidade de seu cumprimento por parte de todos os integrantes da comunidade mundial, com sustentabilidade de recursos, com uma preocupação latente, mas organizada, e, especialmente, com um trabalho concertado de homens e mulheres da ciência para enfrentar desafios como o de uma grande ampliação da extensão agrícola.

Hoje sabemos de muitas coisas que deveríamos fazer, mas não sabemos aplicar em massa. Por isso, educar e formar pessoas é decisivo. Precisamos pesquisar muito mais e elaborar um tipo de conhecimento que seja propriedade e que esteja a serviço deliberado de toda a humanidade, isto é, que seja acessível a todos os povos. Nesta parte da América, temos desafios que valeria a pena investigar em profundidade. Por exemplo, nos faz falta saber muito mais sobre o ciclo do fósforo. Não só nos envenenamos com mercúrio, como temos também graves problemas com o chumbo e outros contaminantes tóxicos.

Isto ocorre nesta região do mundo onde fica uma das maiores reservas agrícolas e alimentares da humanidade, e onde teremos de duplicar a produtividade para atender a crescente demanda mundial por alimentos. Contudo, a forma de fertilização que aplicamos é imprópria para respeitar o meio ambiente. E não sabemos ainda dominar vastíssimos fenômenos de nutrição vegetal.

Neste momento, o Uruguai tem no horizonte a angústia do que acontece ou não acontece no distante Oceano Pacífico. Um fenômeno como o El Niño pode repercutir neste país com uma eventual seca, e isto ocorre cada vez com maior frequência. Precisamos que a engenharia genética nos permita desenvolver vegetais muito mais resistentes à seca. No entanto, ainda não temos a capacidade de fazê-lo. Devemos trasladar para as grandes gramíneas a resistência do sorgo, mas tampouco sabemos fazê-lo. Essas respostas devem ser dadas por uma pesquisa a serviço da humanidade. E não se trata de um sonho, pois é perfeitamente possível.

A extensão agrícola é fundamental, mas insuficiente. A pesquisa intensiva deve ser incorporada, não apenas com um sentido de atualidade, como também para prever o que virá. Para isso precisamos da ciência. Todos estes esforços têm a ver com sustentar o meio ambiente para que a humanidade possa manter e melhorar sua vida, sempre com consciência social, pelo menos neste continente, que é um dos mais ricos em recursos naturais, e também o mais injusto da Terra porque distribui mal os frutos de sua riqueza. E a vida nos ensinou que quando há penúria, os setores mais fracos da sociedade são os que acabam pagando.

Direitos exclusivos IPS.
MONTEVIDÉU, Uruguai, 23 de agosto

sábado, 21 de agosto de 2010

PLANTA ORA PRO NOBIS


Senhores, estou com mais 350 mudas, iguaizinhas, prontas para serem doadas. Alguém gostaria? É tudo grátis!

A mudinha de ora pro nobis, enfeitada à carater, reinou absoluta no evento em Homenagem ao Produtor Rural, no Plaza Eventos, dia 06 p.p. Foi um grande sucesso, em que compareceram produtores rurais de toda a região e convidados, autoridades. Valeu a pena, o esforço para produzir 600 mudas, todas iguais. Quero divulgar, sempre, quero que todos se beneficiem dos nutrientes desta cactácea de múltiplas utilidades.

Tenho enviado estacas/mudas para muitas regiões do país, para Manaus/AM, Fortaleza/CE, Niterói/RJ, Cuiabá/MT, São Joaõ da Barra/RJ, Rio de Janeiro, Ivinhema/MS, Cristino Castro/PI, Lorena, Valinhos, Brasília/DF, Jacareí, Juiz de Fora/MG, Praia Grande, Ibaiti/PR, Campo Grande/MS, Tapiraí/PR, Varginha/MG, Lavras/MG, Bauru, Joinville/SC, Lins, Suzano, Votuporanga, Jales, São José do Rio Preto, Indiaporã, Macedônia, Ilha Solteira, Mira Estrela, Valentim Gentil, Araçatuba, Mirassol .

Paula X enviou esta Mensagem

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

FMI AMBIENTAL

Brasil teme "FMI ambiental" nas metas de redução

Apesar de ser um documento fraco e de ter sido rejeitado por vários países, o Acordo de Copenhague contém entendimentos políticos considerados importantes. Mundo pode ter "buraco" na proteção ao clima.

 Essas assimilações devem ser incorporadas ao texto do chamado LCA, que debate o futuro regime de proteção ao clima em todo o mundo.

A esperança é que a meta de limitar o aquecimento a 2ºC e o fundo verde para o combate à mudança climática nos países em desenvolvimento --pontos do acordo- virem itens "oficiais".

Mas Copenhague deixou também uma espécie de "ativo tóxico" que está causando celeuma entre os países ricos e aqueles que estão em desenvolvimento.  É a chamada ICA, sigla em inglês para Análise e Consultoria Internacional.

O termo foi criado pelo Acordo de Copenhague para designar a verificação das metas voluntárias de redução de emissões de poluentes adotadas pelos países em desenvolvimento e sem financiamento externo.

FMI AMBIENTAL
EUA, o Japão e outros países que estão no grupo dos desenvolvidos acham que a ICA deve ter cunho de debate político, no qual as ações verificadas seriam passíveis de cobrança --da mesma forma como o FMI [Fundo Monetário Internaciona] prescreve políticas para vários países.

Já alguns países emergentes, como o Brasil, veem isso como uma ingerência externa e defendem que a ICA seja apenas um órgão técnico e não de regulação das políticas ambientais.

Como a ICA só vale para países em desenvolvimento, teme-se também que os EUA fiquem, mais uma vez, livres para adotarem suas ações de redução de CO² como, quando e se quiserem.

"O Brasil não tem problemas com transparência, mas tem problemas com análise do tipo que o FMI faz", disse à Folha o embaixador extraordinário para a Mudança do Clima, Sérgio Serra.

Jornal Folha de São Paulo

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

SUSTENTABILIDADE NA REDE


Quando se pensa em empregos verdes e empreendimentos que tenham o DNA da sustentabilidade, é comum imaginar organizações ligadas a produtos da natureza e da biodiversidade. No entanto, esta é uma visão ainda estigmatizada do desenvolvimento sustentável. Uma parte importante da economia sustentável está baseada em educação, ciência, conhecimento e desenvolvimento de novas tecnologias

Alguns anos atrás um livro me chamou a atenção, por mostrar o processo de globalização sob um novo ângulo. Escrito pelo jornalista norte-americano Thomas Friedman, “O Mundo é Plano – Uma breve história do século XXI” mostra como a tecnologia, a ciência e a educação estão transformando as relações de espaço no planeta.

O que mais me atraiu foi ver como processos produtivos baseados em conhecimento estão migrando dos países centrais para países em desenvolvimento. Um dos exemplos usados é a Índia, que mantém grandes centros de telemarketing e de desenvolvimento de softwares em seu território, com profissionais locais prestando serviços para empresas de todo o mundo. Um usuário de cartão de crédito em Nova York, ao ligar para o serviço de atendimento ao cliente, pode estar falando com um indiano com sotaque do Brooklin que vive em Bangalore, na Índia.

Bilhões de dólares estão circulando pelo mundo através da prestação de serviços em rede. Para isto basta aproximar empresas e organizações, que precisam de serviços que podem ser prestados via redes e tecnologia da informação, a centros educacionais e de pesquisas capazes de apoiar o desenvolvimento dos recursos humanos adequados para esses desafios. A tese do “Mundo Plano”, que permite que a Internet exporte empregos, vale para o Brasil, um país de dimensões continentais.

Regiões privilegiadas sob o ponto de vista da educação e de centros de desenvolvimento tecnológicos podem servir como ponto focal para o desenvolvimento de uma economia baseada em conhecimento. A expansão das redes de internet de alta velocidade é fundamental para o desenvolvimento de uma economia potencialmente sustentável, capaz de descentralizar atendimento de data-centers e desenvolvedores de softwares e construtores de sites e portais.

Empresas localizadas nos grandes centros do Sul e Sudeste podem se beneficiar com a expansão de redes virtuais de serviços para regiões sem vocação industrial ou agrícola, mas com muitos talentos jovens à espera de qualificação.

Ricardo Young
http://www.ricardoyoung.com.br
Envolverde

BRASIL VAI TROCAR DIVIDA EXTERNA POR PROTEÇÃO AMBIENTAL

Um acordo assinado nesta quinta (12) entre os governos do Brasil e dos EUA perdoa uma dívida de US$ 21 milhões que o país tinha com o Usaid (órgão de ajuda externa americano) em troca de proteção a florestas.

Pelo acordo, deverá ser criado um fundo para financiar, nos próximos cinco anos, projetos de conservação na mata atlântica, no cerrado e na caatinga, os biomas "pobres" do país.

A Amazônia foi excluída por já receber verbas internacionais de outras fontes, como o Fundo Amazônia.

O primeiro desembolso, de US$ 6 milhões, deve ocorrer em outubro, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Deverão ser contemplados projetos em áreas protegidas, manejo florestal, manejo comunitário e monitoramento.

Segundo Teixeira, a dívida havia sido contraída antes dos anos 1960, e o Brasil vinha pagando-a em parcelas. O acordo zera o débito.

Segundo Lisa Kubiske, encarregada de negócios da Embaixada dos EUA, este é o 16º acordo do tipo entre seu país e nações tropicais.

O perdão de dívidas em troca de conservação é uma provisão de uma lei americana de 1998, a Lei de Conservação de Florestas Tropicais.

Já se beneficiaram da lei países como Indonésia, El Salvador, Botswana, Costa Rica, Indonésia e Colômbia.

O valor é baixo: somados, os acordos desembolsaram até agora US$ 239 milhões para a conservação de florestas tropicais.

É menos do que foi destinado em 1992 pelo PPG-7, o primeiro programa do tipo, que tinha US$ 330 milhões _a maioria da Alemanha. E bem menos do que a Noruega prometeu só para o Fundo Amazônia (US$ 1 bilhão).

O acordo com o Brasil demorou porque o governo questionava a legitimidade da dívida, contraída há muito tempo e com uma agência de auxílio ao desenvolvimento _que, em tese, deveria emprestar a fundo perdido.

O país também fez questão de deixar a Amazônia de fora para que o acordo não corresse o risco de ser interpretado como um projeto de venda de créditos de carbono por desmate evitado -- algo que os EUA sempre quiseram, para abater a conta de suas altas emissões de carbono, e que o Brasil sempre rejeitou.

Jornal Folha de São Paulo

ALTER DO CHÃO AQUIFERO DE 84 QUADRILHÕES DE LITROS DE ÁGUA

Há cerca de 50 anos se tem conhecimento da existência do Aquífero Alter do Chão. No entanto, a partir da sua tese, o professor André Montenegro Duarte descobriu que este reservatório tem, aproximadamente, 84 quadrilhões de litros de água, duas vezes o volume do Aquífero Guarani, no sul do Brasil. Na entrevista que concedeu, por telefone, ao IHU On-Line, Duarte aponta as diferenças entre esses dois reservatórios: "O Guarani está localizado numa região mais cristalina, uma área mais rochosa, por isso a água fica armazenada mais nas fraturas, embora lá também existam depósitos de água nos pacotes sedimentares. Já o Alter do Chão é todo sedimentar, ou seja, é uma área muito grande, onde a porosidade é muito maior e, consequentemente, o volume de água também", explicou.

André também falou do conceito de valor do "não uso" que, segundo ele, deve ser aplicado na gestão da água do aquífero localizado sob os estados do Amazonas, Pará e Amapá. "Nós estamos fazendo alguns estudos que são uma tentativa de gestão e utilização dessa água de forma estacional e inteligente dando valor para a ideia de ‘não uso’", analisou.

André Montenegro Duarte é graduado em Engenharia Civil Universidade Federal do Pará - UFPA. Na Universidad Politecnica de Valencia realizou o mestrado na área de Engenharia e, na UFPA, onde atualmente é professor, fez o doutorado em Geologia e Geoquímica, intitulado O Valor Econômico e Estratégico das Águas da Amazônia.

IHU On-Line - Como se caracteriza o Aquífero Alter do chão?

André Montenegro Duarte - O Aquífero Alter do Chão é uma formação geológica no interior do solo que armazena a água nos poros ou nos vazios. São espaços nos quais, durante milhões de anos, foi armazenada água. Tem grande extensão territorial e abrange os estados do Pará, Amapá e do Amazonas.

IHU On-Line - Quais as diferenças entre este e o Aquífero Guarani?

André Montenegro Duarte - São bem diferentes. A principal diferença é o volume. O Alter do chão tem uma capacidade de armazenamento de água muito maior. O Guarani está localizado numa região mais cristalina, uma área mais rochosa, por isso a água fica armazenada mais nas fraturas, embora lá também existam depósitos de água nos pacotes sedimentares. Já o Alter do Chão é todo sedimentar, ou seja, é uma área muito grande, onde a porosidade é muito maior e, consequentemente, o volume de água também.

IHU On-Line - O Aquífero Alter do chão é conhecido há pelo menos 50 anos, mas não se sabiam sua extensão e seu volume de água, por exemplo. Que dados permitiram o senhor chegar a esses valores?

André Montenegro Duarte - Ele foi identificado na década de 1950 pelos poços de pesquisa de petróleo da Petrobras. Entretanto, não havia interesse econômico maior na exploração ou na codificação dessa água. A quantidade foi definida, ainda de maneira preliminar, pois existem alguns estudos complementares, de uns cinco anos para cá com os estudos que têm sido feitos aqui na universidade. Utilizamos dados cedidos pela Petrobrás e de outras pesquisas realizadas ao longo dos anos na região. A cidade de Manaus, por exemplo, é abastecida por este aquífero, assim como Santarém, outro município grande no oeste do Pará. Existem alguns poços perfurados operando e isso permite que tenhamos essas informações.

IHU On-Line - As obras que estão sendo projetadas para a Amazônia podem ameaçar o Aquífero Alter do chão?

André Montenegro Duarte - A água que está armazenada no Alter do Chão, com aproximadamente 84 quadrilhões de litros, duas vezes o volume do Aquífero Guarani, não será alterada por obras como uma barragem, hidrovia, pois está no subsolo. O que acontece em algumas obras com grandes áreas de desmatamento, é que provocam uma mudança no ciclo da água, que é o responsável pela recarga e manutenção do Aquífero ao longo desses milhões de anos. Em algum momento essa água será explorada, devido ao fato de ela tem um valor econômico muito grande, mas se não houver recarga, ficará insustentável. Então essas intervenções humanas causam problema não ao volume de água que está lá dentro, mas trazem a possibilidade de alterar o ciclo da água na região, prejudicando a manutenção do Aquífero.

Como já citei, Manaus, Santarém e outras pequenas localidades já são abastecidas com esta água; mas é um volume muito pequeno em relação ao potencial do Aquífero. Sabemos, porém, que a água potável é um bem que está se tornando cada vez mais raro e escasso, por isso está sendo agregado grande valor econômico ao Aquífero, que já desperta o interesse de empresas de grande porte de todo o mundo. Elas estão inclusive adquirindo áreas na região para fazerem a exploração no futuro. Potencialmente tem um mercado muito grande.

IHU On-Line - Mas há uma forma de preservar esse ciclo da água mesmo com a exploração?

André Montenegro Duarte - Nós estamos fazendo alguns estudos que são uma tentativa de gestão e utilização dessa água de forma estacional e inteligente dando valor para a ideia de "não uso". Ou seja, uma parte seria utilizada e outra preservada. E a essa segunda parte também se agrega valor. Existem posturas teóricas que precisamos implementar para que consigamos implementar estas questões de forma mais pragmática.

IHU On-Line - O senhor pode nos explicar o que é o conceito de valor do "não uso"?

André Montenegro Duarte - Vou te dar um exemplo real: a floresta tem valor quando um madeireiro corta a madeira e a vende. Ela tem também um grande valor quando essa madeira permanece lá, ou seja, em pé. A floresta preservada pode ter um valor de "não uso" muito maior. Um desses valores está ligado ao sequestro de não uso do CO2, hoje já se consegue auferir receita ou valor econômico para a preservação daquele espaço através desse processo. Hoje, existem mercado de resgate de CO2 que possibilita o "não uso".

A água também pode ter um valor de "não uso" agregado. O mais importante, nesse caso, é, principalmente, preservar o ciclo da água do que o reservatório em si. Para manter o Alter do Chão é preciso preservar o ciclo hidrológico e, para isso, é preciso ter um elemento compensatório.

ASSOREAMENTO PODERÁ EXTINGUIR E ESTAGNAR OS NOSSOS RIOS?

Vista de satélite de rios com seus leitos devastados
pela garimpagem aluvionar predatória na Amazônia
Detalhes de um leito de rio
após a lavra aluvionar predatória

Está cada vez mais comum vermos inúmeros artigos alarmistas sobre assoreamento e os males que ele causa. Muito do que se escreve sobre o assunto é, realmente, preocupante e deve ser olhado com cuidado por todos. No entanto a indústria de notícias pseudo-científicas é grande e são frequentes os absurdos propalados como dogmas de fé. Um deles se destaca pela frequência com que é repetido:o assoreamento irá matar e estagnar os nossos rios.

De tanto ouvirmos as mais desencontradas notícias sobre o assoreamento como a grifada acima, resolvemos escrever algumas linhas sobre o assunto desmistificando alguns dos pilares desta indústria do alarmismo que infesta a mídia e a cabeça de muitas pessoas que nela acreditam piamente.

O que é assoreamento? Os processos erosivos, causados pelas águas, ventos e processos químicos, antrópicos e físicos, desagregam os solos e rochas formando sedimentos que serão transportados. O depósito destes sedimentos constitui o fenômeno do assoreamento.

O assoreamento é um fenômeno moderno? De forma nenhuma. O processo é tão velho quanto a nossa terra. Nestes bilhões de anos os sedimentos foram transportados nas direções dos mares, assoreando os rios e seus canais, formando extensas planícies aluvionares, deltas e preenchendo o fundo dos oceanos. Incontáveis bilhões de metros cúbicos de sedimentos foram transportados e depositados.

Se este processo fosse filmado e o filme, destes bilhões de anos, condensado em poucas horas nós veríamos um planeta vivo, em constante mutação, onde as montanhas nascem e são erodidas tendo o seu material transportado para os mares que são completamente assoreados por sedimentos que serão comprimidos e se transformarão, por força da pressão e temperatura em rochas que irão formar outras montanhas que serão erodidas ... e o ciclo se repete.

Enquanto a terra for quente estes ciclos irão se repetir com ou sem a influência do homem. A medida que o nosso planeta esfriar e as montanhas erodidas não forem substituídas por novas aí sim teremos o fim da erosão e, naturalmente do assoreamento.

O Homem está acelerando o assoreamento? Sim. Infelizmente o Homem através do desmatamento e das emissões gasosas contribui para o processo erosional o que acelera o assoreamento como pode ser visto nas imagens acima. Mas qualquer fenômeno natural como vulcões, furacões, maremotos e terremotos pode, em poucas horas, causar estragos muito maiores do que aqueles causados pela influência do homem.

Mesmo em vista destes fatos não devemos minimizar a influência do Homem no processo.

Afinal o assoreamento pode estagnar um rio? Não. O assoreamento pode afetar a navegabilidade dos rios obrigando a dragagens e outros atos corretivos, mas, enquanto existirem chuvas a água irá continuar, inexoravelmente, correndo em direção ao mar, vencendo, nos seus caminhos todas as barreiras que o homem ou a própria natureza colocar.

A natureza mostra que é praticamente impossível represar as águas mesmo em situações drásticas como a formação de uma montanha. Um exemplo clássico é o do Rio Amazonas. A centenas de milhões de anos as águas onde hoje é a Bacia do Amazonas corriam para Oeste. Com o soerguimento da cordilheira dos Andes estas águas foram, a princípio impedidas de fluir naquela direção, mas com o tempo mudaram de sentido correndo para Leste, transportando imensos volumes de sedimentos que se depositaram (assoreando) no gigantesco vale tipo "rift" que hoje é chamado de Bacia do Amazonas. Nem por isso o nosso rio deixou de fluir.

Não há como dissociar um rio do seu sedimento. Um não existe sem o outro. O assoreamento poderá matar os lagos, mas nunca o rio que, enquanto houver o ciclo hidrológico, continuará no sua incansável jornada em direção ao mar
geologo.com.br

OCEANOS INTERFEREM NA MUDANÇA DO CLIMA DA AMAZÔNIA


Prever eventos futuros, que podem ou não acontecer, é difícil. Talvez, para os cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), isso esteja cada vez mais próximo de ser realidade. Isso porque eles desenvolveram um estudo para avaliar a influência dos oceanos Pacífico e Atlântico na previsão do clima da Amazônia.

Denominada "Estudo do potencial de previsibilidade climática para a Amazônia: influência da forçante oceânica e continental”, a pesquisa é realizada desde 2004. Em 2008, a infraestrutura foi reforçada com novos equipamentos, adquiridos com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Doutor em Meteorologia e coordenador do estudo, Luiz Antônio Cândido disse que a meta é prever o que acontece na atmosfera antes que esses eventos climáticos cheguem à superfície. Todavia, não há como se fazer um estudo de modelagem climática sem equipamentos de ponta que sejam capazes de armazenar os dados obtidos, para que os pesquisadores façam as devidas análises.

Ele se refere ao modelo de diagnóstico elaborado para a seca que assolou a região em 2005. "A experiência mostrou que não só a seca foi causada por um aquecimento anormal do oceano, mas que essas condições anormais vinham acontecendo desde 2003", revelou.

Segundo Cândido, hoje, as pesquisas são feitas com dados já gerados por grandes centros meteorológicos. Os dados são analisados e verificados, mais precisamente, as peculiaridades existentes nas sub-bacias da região amazônica e a relação existente com a mudança de temperatura e o ciclo das chuvas.

Inicialmente, a hipótese que se tinha, conforme Cândido, era de que a seca teria sido causada por um aquecimento anormal na parte equatorial do oceano Atlântico (mais próxima da Amazônia), o que foi confirmado.

De acordo com Cândido, a partir da modelagem climática, a hipótese foi testada e confirmada. “Colocamos esse padrão de oceano mais aquecido e analisamos qual seria sua influência na atmosfera da região e qual seu efeito no ciclo das chuvas”, explicou.

“A estrutura nos possibilita a realização de experimentos teóricos, mas que tem uma validade prática grande e, ao mesmo tempo, nos dá condições de formar novos alunos e futuros profissionais”, salientou.

A pesquisa contou com o apoio do Programa de Infraestrutura para Jovens Pesquisadores - Programa Primeiros Projetos (PPP). FAPEAM. A ação é uma parceria entre a FAP e o CNPq. O programa visa a apoiar a aquisição, instalação, modernização, ampliação ou recuperação da infraestrutura de pesquisa científica e tecnológica nas instituições públicas e particulares de ensino superior e/ou de pesquisa sediadas ou com unidades permanentes no Estado de Amazonas. O objetivo é dar suporte à fixação de jovens pesquisadores e nucleação de novos grupos, em quaisquer áreas do conhecimento.

notapajos.globo.com