domingo, 31 de março de 2013

BAYER E SYNGENTA PROPÕE PLANO PARA ABELHAS FRENTE A CRÍTICAS CONTRA PESTICIDAS

FRANKFURT AM MAIN, 28 Mar 2013 (AFP) - Os grupos químicos alemão Bayer e suíço Syngenta apresentaram nesta quinta-feira um 'plano de ação' para as abelhas, como alternativa à proibição dos pesticidas que fabricam e que a Comissão Europeia quer proibir.

O plano da Bayer e da Syngenta, que se baseia em melhorar as condições de vida das abelhas, propõem 'tirar a UE (União Europeia) da estagnação no que diz respeito à saúde das abelhas', indicou o grupo alemão em um comunicado.

A Comissão Europea (CE) quer proibir durante dois anos a utilização de vários pesticidas mortais para as abelhas para quatro tipos de cultivos: milho, canola, girassol e algodão.

Ela se baseia em um relatório negativo da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos.

A proposta das duas empresas, relativa a substâncias chamadas neonicotinoides, foi rejeitada em meados de março pela maioria dos Estados membros, mas a CE anunciou uma nova votação na primavera (hemisfério norte), com o objetivo de que entre em vigor no dia 1º de julho.

Os três neonicotinoides envolvidos estão presentes nos pesticidas produzidos pela Bayer e pela Syngenta.

De acordo com John Atkin, diretor de operações da Syngenta, citado no comunicado, a proibição dos neonicotinoides 'não salvaria uma única abelha'.

Segundo um estudo publicado na quarta-feira pela Nature Communications, os pesticidas que podem ser utilizados nos cultivos ou nas colmeias perturbam o funcionamento do cérebro das abelhas, afetando principalmente suas capacidades de memória e de orientação.

esp/mtr/dm
France Presse

CIENTISTAS RESPONSABILIZAM TELEFONE CELULAR POR DESAPARECIMENTO DE ABELHAS

 
 
Cientistas responsabilizam celular por desaparecimento de abelhas, diz site Reviewed by Clipping on Jun 5Rating:

O desaparecimento de abelhas que alarmou a Europa e a América
do Norte está sendo creditado, por alguns cientistas, ao crescimento do uso dos celulares, segundo o site do jornal britânico “Daily Telegraph”.

De acordo com o site, a Grã Bretanha teve uma queda de 15% na sua população de abelhas nos últimos dois anos.

Pesquisadores da Universidade Punjab dizem que a radiação dos telefones celulares é um fator chave no desaparecimento e alegam que isso está envolvendo nos sentidos de navegação das abelhas.

Segundo o “Daily Telegraph”, os cientistas fizeram um experimento durante três meses e compararam a situação das abelhas que estavam coexistindo com os celulares com as que não estavam.

As que estavam no ambiente com radiação de celular tiveram uma queda dramática no tamanho de sua colmeia e redução do número de ovos postos pela abelha rainha. As abelhas também pararam de produzir mel.

Folha.com

sábado, 30 de março de 2013

DRUIDAS NA AMAZÔNIA?

Tabula nouarum infularum, quas diuerfis refpectibus         Occidentales & Indianas uocant - Munster, ano 1550

Nos últimos anos, a Amazônia tem revelado mistérios arqueológicos de importância científica tão notável quanto a sua biodiversidade. Resquícios de civilizações de 5 mil anos têm sido encontrados freqüentemente, empolgando os pesquisadores, e sinais deixados por culturas complexas e adiantadas estão mudando o conceito sobre a ocupação da floresta.

A descoberta mais recente (2006) foi um misto de observatório astronômico e templo religioso de 2.000 anos de idade, semelhante ao famoso complexo monolítico druida de Stonehenge, em Salisbury, sul da Inglaterra - um enorme altar de pedras dispostas em círculo.

O monumento brasileiro é formado por 127 blocos de granito esculpidos, alguns com três metros de altura, distribuídos em intervalos regulares numa clareira da floresta amazônica, a 16 quilômetros do município de Calçoene e a 390 quilômetros de Macapá. 

Embora não se saiba quem construiu o lugar, é conhecido que os antigos povos da Amazônia - 300 mil nativos no auge da civilização, há 11 mil anos - se orientavam pela posição das estrelas e as fases da Lua para plantar e realizar rituais religiosos. As pedras estão dispostas de forma a marcar o solstício de inverno e, em dezembro, o raio solar passa exatamente pelo meio delas.

Tal como no caso das pirâmides do Egito, dos monolitos de Stonehenge, dos totens da Ilha da Páscoa, das construções de Machu Pichu e outros monumentos de pedra antigos, não se descobriu como as enormes rochas foram transportadas e montadas naquele local.

As florestas do Amapá abrigaram muitas etnias, mas nenhuma das que os cientistas conhecem seria capaz de construir tal monumento. Os arqueólogos agora estão desenterrando urnas funerárias de cerâmica encontradas próximo ao local.
O templo druida do Amapá tem 127 blocos de
granito esculpidos, com até três metros de altura

serqueira.com.br/mapas/amapa.htm

PAPA FRANCESCO, GLI AUGURI DEL DALAI LAMA CUMPRIMENTOS DO DALAI LAMA AO PAPA FRANCISCO

O líder do budismo espera em breve encontrar o Santo Padre. Ele foi tocado pela escolha do nome, o que denota a simplicidade do Papa

Eleição "histórica" ​​ao Papa Francisco. Assim, o Dalai Lama expressou, em uma mensagem dirigida ao novo Santo Padre e publicado em seu site, a sua saudação e seu "sentimento de alegria" com a esperança de em breve cumprimentar o novo chefe da Igreja de Roma.

O líder dos budistas tibetanos disse não ser um especialista em santos católicos. Comentou o encontro inter-religioso em Assis, disse que ele foi "tocado" pela escolha de Bergoglio Cardeal tomando o nome dos pobres Francisco de Assis como seu nome para o papado.

"Sua disciplina - o Dalai Lama escreve, referindo-se a São Francisco - a simplicidade de sua vida e seu amor por todas as criaturas são qualidades que eu acho muito inspirador. Estou realmente emocionado em saber que este é o nome escolhido pelo Papa.

O Dalai Lama recorda ter conhecido três papas, Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI e de esperar por uma reunião com o novo Papa, "Eu estou muito feliz por ter encontrado seus antecessores imediatos - escreveu o Dalai Lama ao abordar Papa Francesco - com quem teve conversas amigáveis ​​ao longo dos últimos 40 anos mais ou menos, como eu já tinha o intercâmbio com os meus irmãos e irmãs cristãos.

Espero ter a honra de se encontrar com ele em algum momento no futuro próximo.

Il leader dei buddisti spera di incontrare presto il Santo Padre. Ha detto di essere stato toccato dalla scelta del nome, che denota la semplicità del Papa.

Un'elezione «storica» quella di di Papa Francesco. Così il Dalai Lama ha espresso, in un messaggio indirizzato al nuovo Santo Padre e pubblicato sul suo sito, il suo saluto e il suo «senso di gioia» augurandosi di poter incontrare presto il nuovo capo della Chiesa di Roma.

Il leader dei buddisti tibetani ha scritto di non essere un esperto di santi cattolici ma, essendo anche stato ad Assisi per l'incontro interreligioso, conosce San Francesco e si è detto «toccato» dalla scelta del cardinale Bergoglio di assumere il nome del poverello d'Assisi come suo nome per il pontificato.

«La sua disciplina - scrive il Dalai Lama riferendosi a San Francesco - la semplicità della sua vita e il suo amore per tutte le creature sono qualità che io trovo altamente ispiranti. Sono veramente toccato nel sapere che è questo il nome scelto dal Papa».

Il Dalai Lama ricorda di aver già incontrato tre pontefici, Paolo VI, Giovanni Paolo II e Benedetto XVI e di aspettare un incontro con il nuovo Papa. «Sono stato molto contento di aver incontrato i suoi immediati predecessori - ha scritto il Dalai Lama rivolgendosi a Papa Francesco - con i quali ho avuto conversazioni amichevoli durante gli ultimi 40 anni circa, così come ho avuto scambi con i miei fratelli e sorelle cristiani. Spero di avere l'onore di incontrare anche lei qualche volta nel prossimo futuro».

www.globalist.it

EQUADOR QUER VENDER PARTE DA AMAZÕNIA A PETROLÍFERAS CHINESAS

Equador planeja leiloar mais de 3 milhões de hectares da Floresta Amazônica para companhias petrolíferas chinesas. Um grupo de políticos equatorianos negociou na segunda-feira contratos com representantes de empresas como a China Petrochemical e a China National Offshore Oil. Antes de Pequim, eles se reuniram em Quito, Houston (EUA) e Paris, sempre encontrando resistência e protestos de indígenas. As informações são do jornal The Guardian.

“O Equador tem vontade de estabelecer uma relação de benefício mútuo”, disse o embaixador do Equador na China em um discurso. De acordo com a ONG Amazon Watch, sete grupos indígenas que habitam o terreno afirmam que não consentiram com a aprovação de projetos envolvendo petróleo – que devastariam o ambiente e ameaçariam seu modo de vida.

O governo de Rafael Correa decidiu não licitar alguns blocos de terra por falta de apoio das comunidades locais, de acordo com o secretário de Hidrocarbonetos do Equador, Andrés Donoso Fabara. “Estamos autorizados por lei, se quisermos, a usar a força e realizar atividades mesmo se houver oposição”, afirmou ele, garantindo, porém, que “essa não é nossa política”.

A Amazon Watch defende que o acordo violaria a própria política de investimentos chinesa, aprovada em conjunto pelos ministérios do Comércio e da Proteção Ambiental no mês passado. A terceira cláusula do acordo diz que empresas devem “promover o desenvolvimento harmonioso da economia local, do ambiente e da comunidade”, mesmo durante operações no exterior.

Fonte: Terra

EXISTÊNCIA DE ILHAS DE CALOR URBANAS EM MANAUS/AM

As alterações sofridas tanto na ocupação populacional quanto no planejamento urbano da cidade de Manaus representaram também mudanças na estrutura atmosférica da capital. Um desses efeitos, em especial, chamou a atenção de dois pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Doutores em Meteorologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os professores Francis Wagner Correa e Rodrigo Souza realizaram um estudo sobre a Ilha de Calor Urbana (ICU), fenômeno decorrente de oscilações climáticas.

Um dos autores do relatório, o professor Francis Wagner recebeu o G1 na Escola Superior de Tecnologia da UEA (EST-UEA), sede do laboratório de modelagem atmosférica onde as pesquisas acerca das Ilhas de Calor são realizadas. De acordo com Wagner, o projeto nasceu a partir de uma demanda da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) para avaliar este fenômeno. No total, foram dois anos de duração. “A ilha de calor representa a diferença de temperatura entre a área rural e a urbana. A nossa meta é fornecer subsídios para a formação do plano-diretor de arborização e zoneamento ecológico de Manaus e medidas para controlar o calor da cidade”, apontou.

No estudo, os dois pesquisadores se dividiram e cada um trabalhou com uma das vertentes do projeto – enquanto Wagner cuidou da modelagem numérica, Rodrigo Souza trabalhou com a parte observacional. O que são essas duas abordagens? O especialista explica. “O professor Rodrigo utilizou informações de temperatura da superfície estimadas por meio de satélite ambiental, usando resolução de 1 km e 5 km. Esse método também contou com medidas de estações meteorológicas dentro e fora da área urbana”, destacou. “Já eu aproveitei um modelo numérico denominado Brams (sigla que significa Brazilian Regional Atmospheric Model System) que consegue simular o clima nas escalas local, regional e global. Para isso, colocamos no modelo alguns cenários de vegetação. Assim é possível concluir os impactos no clima”, acrescentou Wagner.

Segundo o pesquisador, o modelo numérico equivale a um conjunto de equações matemáticas que representam as leis físicas da atmosfera ou o clima de uma região. Por ter um pacote numérico pesado, a simulação só pode ser feita no laboratório de modelagem da UEA, por meio do Sistema de Processamento de Alto Desempenho da Universidade (também conhecido como Cluster). Atualmente, o espaço possui 120 processadores fazendo esse trabalho.

Zona Centro-Sul tem mais incidência de ICU – Os professores tiveram acesso a toda a área metropolitana de Manaus, por meio de satélite. Com os dados do Sistema de Processamento e as imagens da cidade, foi comprovado que em Manaus existe o fenômeno de Ilha de Calor Urbana (ICU), sobretudo na estação seca (meses de julho, agosto e setembro), afirmou Francis Wagner.

A pesquisa, que teve como base o período entre 2002 e 2012, revelou que os picos de temperatura são mais notáveis na Zona Centro-Sul e Sul de Manaus, em bairros como Aleixo e Petrópolis. Outras áreas da cidade com proeminência das Ilhas de Calor são a Cidade Nova, Tancredo Neves, Zumbi e Japiim.

Por meio de uma avaliação da média dos três primeiros anos (2002, 2003 e 2004) em relação aos três últimos (2010, 2011 e 2012), Wagner e Souza comprovaram que o aquecimento nesses locais deve aumentar ainda mais no futuro. Um dos principais fatores para o aparecimento desse fenômeno, como apurou o pesquisador, é o excesso de calor armazenado na área urbana em relação à zona rural. “Esse aumento vem das emissões dos veículos, da poluição das indústrias e da atmosfera como um todo. As ilhas também surgem a partir da diminuição da cobertura vegetal, que leva a uma redução na ‘evapotranspiração’. Isso faz com que acumule mais energia. Outro fator importante é a natureza de materiais impermeáveis, como concreto, asfalto e pavimentos, na área urbana”, enumerou.

Além das áreas com mais intensidade de Ilhas de Calor, também foi constatado o horário com temperaturas mais altas. “São dois picos. O primeiro, das 7h, acontece porque todos os carros saem de casa e liberam uma grande quantidade de poluentes na atmosfera. O segundo é às 20h e é explicado pelo aquecimento do asfalto após o pôr do sol. Esse calor fica preso na atmosfera e se dissipa lentamente durante a madrugada. Em termos médios, pode-se dizer que a ICU é mais intensa à noite”, avaliou.

Nova etapa ainda este semestre – De acordo com Wagner, o projeto terá uma nova etapa, com início este ano e conclusão em 2014. Na etapa observacional, o planejamento é de instalar de monitorar uma rede automatizada com pelo menos 20 estações meteorológicas na área urbana de Manaus. O modelo numérico permitirá a visualização de cenários futuros, com o aumento da quantidade de CO2. “Estamos em fase de formatação do texto. Já temos sinal verde para dar início”, encerrou.

Para o diretor de arborização da Semmas, Heitor Liberato, o diagnóstico dos pesquisadores da UEA está diretamente ligado à perda da massa arbórea nesses espaços com Ilhas de Calor. “É um levantamento fundamental para a gestão ambiental do município, já que temos como prioridade a implantação de projetos de arborização urbana. Queremos, inclusive, apresentar esse relatório para as demais secretarias da prefeitura”, disse.

G1

BACIA AMAZÕNICA PODE TER SIDO MAR INTERNO

Comparação entre o proposto mar interno e atual 
Floresta Amazônica [S.David Webb/Science]
 
Depois de estudar por quatro anos o processo evolutivo de diversificação de um grupo de anêmonas de tubo do Atlântico Sul, um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) obteve um resultado inesperado.

O estudo biológico acabou contribuindo para reforçar a teoria geológica de que, há cerca de 10 milhões de anos, a bacia Amazônica era ocupada por um mar interno que ligava o Caribe ao Uruguai.

O estudo teve o objetivo inicial de identificar, por meio de análises genéticas e moleculares, em que momento da evolução ocorreu a diferenciação entre duas espécies de anêmonas de tubo do gênero Isarachnanthus, do grupo Ceriantharia, presentes no oceano Atlântico.

Os resultados mostraram, no entanto, que o cenário mais provável para a diferenciação das duas espécies - e de uma terceira existente no oceano Pacífico - seria coerente com a chamada teoria da "rota marinha da Amazônia no Mioceno médio".

Segundo essa teoria, uma passagem marinha ligava o Caribe à região atual da costa do Uruguai, entre 9 milhões e 11 milhões de anos atrás, cortando ao meio o continente.

A maior parte do Brasil atual, nesse período conhecido como Mioceno médio, teria sido uma ilha separada do resto da América do Sul por um braço de oceano.

De acordo com o primeiro autor do artigo, Sérgio Stampar, há pelo menos 50 anos não surgiam estudos novos sobre as anêmonas de tubo Isarachnanthus no Brasil, por causa da dificuldade de se realizar coletas de espécimes desse grupo, que só é encontrado à noite, no substrato marinho.

Segundo ele, as análises filogenéticas indicavam que, há cerca de 16 milhões de anos, só existia uma espécie da anêmona de tubo, ancestral a todas as Isarachnanthus tratadas no trabalho, que ocorria no Atlântico Norte, provavelmente na latitude da saída do mar Mediterrâneo. Essa espécie possivelmente atravessou o oceano e chegou até o Caribe.

"Descobrimos que a espécie do Brasil, Isarachnanthus nocturnus, do ponto de vista genético, era mais próxima à espécie existente no Pacífico, Isarachnanthus bandanensis, do que da que existe no Atlântico norte, Isarachnanthus maderensis. Isso nos deixou surpresos, porque achávamos que as duas espécies do Atlântico teriam mais proximidade entre si", disse Stampar.
Rotas marítimas

A princípio, a espécie do Atlântico Sul, tendo se diferenciado em tempos mais recentes, poderia ter alcançado regiões mais meridionais pela costa da América do Sul, carreada pela corrente.

Mas isso não seria possível, porque os estudos geológicos mostram que já naquela época as correntes eram geradas, como hoje, do sul para o norte. Portanto, elas devem ter passado por outra via.

"É praticamente impossível que essas anêmonas de tubo tenham vindo pelo Atlântico. No entanto, as análises moleculares e de DNA que fizemos permitiram estimar que os organismos chegaram ao Atlântico Sul há cerca de 8 milhões ou 9 milhões de anos. Essa data coincide com as especulações da geologia sobre a existência de um mar interno que cortava a América do Sul. É muito provável que essa tenha sido a rota das anêmonas", explicou Stampar.

A rota marinha teria ligado a região onde hoje é o Caribe, na costa da Venezuela, à região onde hoje é o Uruguai, estendendo-se por todo continente sul-americano, cobrindo as regiões onde hoje estão o Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas e Acre.

Quando esse mar interno se fechou, as anêmonas que haviam chegado ao Atlântico Sul teriam ficado isoladas e se diferenciado em outra espécie.

Agência Fapesp

sexta-feira, 29 de março de 2013

DESMATAMENTO DA AMAZÕNIA AFETA CHUVAS ATÉ NA ARGENTINA

A perda de floresta tropical pode afetar pessoas a milhares de quilômetros de distância, de acordo com um novo estudo.

O desmatamento pode causar uma grave redução das chuvas nos trópicos, com graves consequências para as pessoas, não só nesta região, mas em áreas vizinhas, disseram pesquisadores da Universidade de Leeds, na Inglaterra, e do Centro de Ecologia e Hidrologia do Conselho de Pesquisa Ambiental Britânico.

O ar que passa sobre grandes áreas de floresta tropical produz pelo menos duas vezes mais chuva do que o que se move através de áreas com pouca vegetação.

Em alguns casos, florestas contribuem para o aumento de precipitação a milhares de quilômetros de distância, de acordo com o estudo publicado na revista Nature.
Considerando as estimativas futuras de desmatamento, os autores afirmam que a destruição da floresta pode reduzir as chuvas na Amazônia em 21% até 2050 durante a estação seca.

"Nós descobrimos que as florestas na Amazônia e na República Democrática do Congo também mantêm a precipitação nas periferias destas bacias, ou seja, em regiões onde um grande número de pessoas depende dessas chuvas para sobreviver", disse o autor do estudo, Dominick Spracklen, da Escola sobre a Terra e o Ambiente da Universidade de Leeds.

"Nosso estudo sugere que o desmatamento na Amazônia ou no Congo poderia ter conseqüências catastróficas para as pessoas que vivem a milhares de quilômetros de distância em países vizinhos.

O estudo demonstra a importância fundamental da proteção à floresta, segundo seus autores.

Em declarações anteriores à BBC, o cientista José Marengo, especialista em mudanças climáticas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil, Inpe, explicou por que a floresta amazônica afeta as chuvas tanto no sul do Brasil quanto em Argentina, Uruguai e Paraguai .

Os ventos alísios, que vêm do Oceano Atlântico para o continente, arrastam umidade para o interior da América do Sul tropical, isto é, a Amazônia e o Nordeste do Brasil. E além da humidade que vem do Atlântico, a vegetação amazônica contribui para o aumento da umidade através do processo de evapotranspiração, como é denominada a evaporação dos rios juntamente com a transpiração das plantas.

"Esta umidade é carregada pelo vento em direção aos Andes, que desvia para o Sudeste da América do Sul. Assim, algumas das chuvas que ocorrem na bacia do Rio da Prata, incluindo sul do Brasil, de fato vêm da Amazônia ", disse Marengo.
"Se não existisse a floresta amazônica, o Sul teria menos umidade, de forma que Paraguai, Uruguai, Argentina e o sul do Brasil devem à Amazônia parte de suas chuvas".

Os cientistas têm debatido a ligação entre a vegetação e precipitação ao longo de décadas. É sabido que as plantas retornam a umidade do ar através do processo de evapotranspiração, mas não está claro o impacto das florestas tropicais em termos de quantidade e distribuição geográfica.

Os autores do novo estudo usaram dados de satélite da Nasa sobre a vegetação e precipitação, e um modelo de previsão de padrões de movimentos de vento.

"As observações mostram que, para compreender como as florestas impactam as chuvas, temos de levar em conta a forma como o ar interagiu com vegetação durante sua viagem de milhares de quilômetros"

Stephen Arnold, da Universidade de Leeds
"Nós vimos o que aconteceu com o ar nos dias anteriores, que caminho havia tomado e sobre que área de vegetação", disse Spracklen.

Os pesquisadores analisaram a trajetória das massas de ar de diferentes partes de florestas. Quanto maior era a vegetação sobre a qual o ar tinha viajado, maior umidade e a quantidade de precipitação produzidos.

"As observações mostram que, para compreender como as florestas impactam as chuvas, temos de levar em conta a forma como o ar interagiu com vegetação durante sua viagem de milhares de quilômetros", disse Stephen Arnold, um pesquisador da Universidade de Leeds e co-autor do estudo.

"Isso tem implicações importantes para os tomadores de decisão quando se considera o impacto ambiental do desmatamento, já que seus efeitos nas chuvas podem se sentir não só localmente, mas em uma escala continental".

"O Brasil fez recentemente alguns avanços na redução dos altos índices de desmatamento, e nosso estudo mostra que este progresso deve ser mantido".

Um estudo anterior, publicado na revista Nature em janeiro, mostrava que a combinação de agricultura, desmatamento e mudança climática estão enfraquecendo o ecossistema amazônico, potencialmente levando à perda de sua capacidade de retenção de dióxido de carbono e geração de chuva.

O estudo conclui que, apesar da grande redução do desmatamento na Amazônia brasileira (28 mil hectares por ano em 2004 para 7.000 hectares em 2011), a floresta permanece frágil.

Atualizado em  8 de setembro, 2012 - 08:31 (Brasília) 11:31 GMT

DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA CRESCE 91% NO ÚLTIMO SEMESTRE COMPARADO A 2011

Com o objetivo de ocupar áreas da floresta Amazônica desmatadas ilegalmente, o Ibama começou a operação Onda Verde nos Estados do Pará, de Mato Grosso, Rondônia e Amazonas, considerados pelo monitoramento ambiental como áreas críticas.
 
No Mato Grosso, em menos de 40 dias de ação, já foram apreendidos 15 tratores, sendo quatro de esteira, cujo poder de destruição é muito grande, cinco caminhões e duas colheitadeiras, além de 70 toneladas de arroz. Foram embargados 3.790 hectares de terras e aplicados mais de R$ 12 milhões em multas
 
O desmatamento na Amazônia Legal no período de agosto de 2012 a fevereiro de 2013 totalizou 1.351 quilômetros quadrados, o que totaliza um aumento de 91% em relação ao período anterior (agosto de 2011 a fevereiro de 2012), segundo a ONG Imazon.
 
Em fevereiro de 2013, 72% da área florestal da Amazônia Legal estava coberta por nuvens, o que comprometeu a detecção do desmatamento e da degradação florestal para esse mês. Nessas condições foram detectados somente 45 km2 de desmatamento, o que representa uma redução de 58% em relação a fevereiro de 2012.
Em fevereiro de 2013, grande maioria (78%) do desmatamento ocorreu no Mato Grosso, seguido pelo Pará (9%), Tocantins (7%), Rondônia (4%) e Amazonas (2%).

As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 50 km2 em fevereiro de 2013. Em relação a fevereiro de 2012, quando a degradação florestal somou 95 km2, houve uma redução de 47%.
A degradação florestal acumulada no período (agosto 2012 a fevereiro 2013) atingiu 1.091 km2. Em relação ao período anterior (agosto de 2011 a fevereiro de 2012), quando a degradação somou 1433 km2, houve redução de 29%.

Em fevereiro de 2013, o desmatamento detectado comprometeu 990 mil toneladas de CO2 equivalente.  No acumulado do período (agosto 2012 a fevereiro de 2013) as emissões de CO2 equivalentes totalizaram 74,5 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 73% em relação ao período anterior (agosto de 2011 a fevereiro de 2012).
 
ONU Notícias

BANCO DE ALIMENTOS

 

A ONG Banco de Alimentos, organização não governamental, foi fundada em abril de 1998 pela economista Luciana Chinaglia Quintão através de uma iniciativa civil e pioneira, tendo sua primeira arrecadação de alimentos em fevereiro de 1999.

Minimizar os efeitos da fome, através do combate ao desperdício de alimentos e promover educação e cidadania.

Ser modelo e multiplicador na luta pela conscientização da sociedade quanto a seu papel de protagonista na construção do desenvolvimento social, e fazer com que cada vez mais um número maior de pessoas tenham acesso a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente para uma alimentação saudável.

Todo ser humano é cocriador da realidade. Somos todos coresponsáveis por tudo que está à nossa volta, individual e coletivamente.

A iniciativa da ONG Banco de Alimentos representa a formação de um ciclo sustentável: Ao passo que são arrecadados excedentes de produção e comercialização, diminui-se o acúmulo de lixo orgânico e o desperdício de alimentos próprios para consumo, que complementarão a alimentação de milhares de pessoas em situação de risco alimentar e social.

Há também desta forma um favorecimento à inclusão social destes indivíduos por meio de melhoria da saúde e estímulo ao desenvolvimento psicomotor. Isso porque, além de visarmos uma alimentação balanceada por meio de realização de ações profiláticas e educativas voltadas às comunidades atendidas, beneficiamos somente instituições que possuam em seu programa ações de inclusão social.

No entanto estas ações seriam insuficientes se o problema não for tratado em sua origem: ou seja, minimizando a cultura do desperdício e estimulando o não preconceito em relação às partes não convencionais dos alimentos (cascas, folhas, talos e sementes).
Trata-se de uma idéia única por ser sustentável em diversos aspectos, evolvendo questões de responsabilidade ambiental, social, econômica e nutricional.

INICIATIVAS BUSCAM REDUZIR O DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS NA CAPITAL PAULISTA

A redução do desperdício de alimentos é uma preocupação cada vez maior dos empresários que produzem ou vendem comida, avalia Luciana Curvello uma das coordenadoras do Programa Mesa Brasil em São Paulo.

Uma iniciativa do Serviço Social do Comércio (Sesc), o Mesa Brasil recolhe alimentos de 630 empresas doadoras e distribui para 650 instituições, beneficiando cerca de 120 mil pessoas no estado. “O Mesa funciona baseado em um conceito de segurança alimentar, que busca trabalhar com a questão do acesso ao alimento”, explica Luciana.

Segundo ela, no início do programa, em 1994, ainda havia resistência dos empresários em doar os alimentos que não tinham mais condições de ser comercializados. Atualmente a ideia está muito mais disseminada, na opinião de Luciana. “No começo era muito difícil convencer uma empresa a participar, porque não se tinha esse tipo de experiência no Brasil. Hoje, essa situação mudou”, explica.

Como atende a entidades pequenas, o Sesc usa a própria estrutura para entregar as doações. O procedimento é usado também como estratégia para aumentar a eficiência do programa. “Entregando na instituição é que a gente tem condições de conhecer melhor o nosso parceiro e adequar a entrega de alimento de acordo com a necessidade dela”, ressalta Luciana. “Não é uma simples distribuição, mas uma entrega de acordo com o perfil, com a faixa etária que se serve, com a estrutura que se tem. Então há a preocupação de não se levar um produto congelado para uma instituição que não tem freezer”, exemplifica.

Esse cuidado não é possível em outro programa semelhante, o Banco de Alimentos da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Em 2012 o projeto distribuiu mais de 2 mil toneladas de alimentos recolhidos de 587 empresas colaboradoras. “São alimentos que não têm mais valor comercial, mas ainda há condições de serem consumidos. É uma fruta mais madura, uma verdura com a folhagem um pouco murcha, mas que ainda tem condições de aproveitamento para o consumo humano”, explica a nutricionista Alessandra Figueiredo a respeito do programa que começou a funcionar em 2003.

O Banco de Alimentos aproveita, entretanto, o contato com as entidades que vem retirar as doações para transmitir orientações. “Todas vezes que elas vem retirar as doações nós fornecemos um boletim mensal com temas de nutrição”, conta Alessandra que quer ampliar a atuação com a aquisição de equipamentos para processar os alimentos.

O projeto de expansão prevê a aquisição de uma máquina para retirar a polpa dos alimentos e uma desidratadora. “Seria um alimento que teria apenas um dia para ser consumido, mas quando você processa, aumenta o prazo de validade desse alimento”, destaca a nutricionista sobre o projeto que ainda precisa de uma fonte de recursos para ser posto em prática.

Agência Brasil

ONU CONTRA DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS TEM ADESÃO DOS HÓTEIS SUSTENTÁVEIS BRASILEIROS

Os hotéis sustentáveis do Brasil querem transformar o quanto antes em realidade a campanha global contra o desperdício de alimentos lançada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Uma das primeiras iniciativas já em curso destaca a compra de produtos regionais de pequenos agricultores para a elaboração de cardápios sustentáveis.

A hotelaria nacional foi representada na solenidade de lançamento da campanha da ONU, em Genebra, em janeiro passado, pelo presidente da Associação de Hotéis Roteiros de Charme, Helenio Waddington. A entidade reúne 59 hotéis e pousadas sustentáveis das cinco regiões brasileiras, em 16 estados e 51 destinos turísticos. Em entrevista Agência Brasil, Waddington ressaltou que a principal característica dos empreendimentos associados é aliar a qualidade do produto nacional à sustentabilidade. “Um sem o outro não funciona”.

Segundo Waddington, todo o processo de desenvolvimento sustentável se baseia no princípio da redução do desperdício de água, energia e alimentos. No caso do desperdício de alimentos, o processo vai desde o tratamento que é dado ao que sobra até como fazer com que sobre menos. Ele disse que, além de valorizar a separação do lixo e o tratamento orgânico das sobras, a associação pretende agora influir no processo. “É como se evita o desperdício”.

O Pnuma está elaborando um manual para implantação em nível mundial com procedimentos e técnicas para orientar as equipes de cozinha a elaborar cardápios sustentáveis. “Na parte de cozinha sustentável, você começa com o menu. Cardápio sustentável é aquele que prioriza a compra de produtos regionais. Com isso, você promove o desenvolvimento sustentável daquela região e ajuda a promover o pequeno agricultor, o pequeno criador de galinhas. É a comida ecológica”, disse Waddington.

A inclusão de produtos regionais nos cardápios dos hotéis evita perda de mercadorias transportadas, ao mesmo tempo que reduz o consumo de combustível e diminui a emissão de gás carbônico, por exemplo. A associação está empenhada agora em trabalhar para que as cozinhas dos estabelecimentos desperdicem o mínimo possível de alimentos. “Tudo que você tirar, tem que aproveitar”.

Ele acredita que dentro de 60 dias a associação receberá o manual do Pnuma, para fazer as adaptações necessárias à realidade brasileira. Segundo Waddington, a implementação do manual no Brasil “é um projeto maior” que deverá ocorrer antes do segundo semestre e contará com apoio da ONU, “inclusive para a constituição do grupo de monitores”.

Waddington pretende estabelecer também parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para fazer o acompanhamento do processo, “que é muito caro”. A associação trabalha com equipes de biólogos e de engenheiros ambientais que visitam os hotéis associados, que se encontram, em média, localizados a mil quilômetros da sede da entidade, que é o Rio de Janeiro. As equipes fazem o levantamento do impacto ambiental e do desperdício em todos os níveis.

Waddington disse que, diferentemente do que ocorre nos países do chamado primeiro mundo, no Brasil, assim como na América do Sul, 70% do projeto de redução do desperdício de alimentos é uma questão de educação. Cerca de 86% dos hotéis filiados à associação já adotam medidas para reduzir o desperdício de alimentos, transformando as sobras das refeições em produtos renováveis. A compostagem (reciclagem do lixo orgânico para produção de adubo) é uma dessas iniciativas.

“A nossa meta para 2015 é reduzir o desperdício a 5%”, disse Waddington. A média de desperdício atual é inferior a 15%. O projeto está sendo iniciado nos nove hotéis da associação instalados no Rio de Janeiro. Em seguida, será replicado nos empreendimentos restantes. Waddington espera que a gastronomia como um todo, incluindo hotéis tradicionais, bares e restaurantes, possa aderir à campanha global da ONU e diminuir os níveis de desperdício de alimentos.

Ele destacou a necessidade de passar a imagem para o cliente de que o hotel ou restaurante está tentando evitar o desperdício, mas com o cuidado de preservar o direito do hóspede ou do cliente de ter um atendimento de qualidade. “Isso é muito importante”.
Fundada em 1992, a Associação de Hotéis Roteiros de Charme ocupa a vice-presidência da Junta Diretiva dos Membros Afiliados, fórum empresarial da Organização Mundial do Turismo (OMT), organismo de turismo da ONU sediado em Madrid.

Agência Brasil

MÉDICOS DE ONTÁRIO EXIGEM ALERTAS EM RÓTULOS DE JUN K FOOD

 
Os membros da Associação Médica de Ontário afirmam que uma epidemia de obesidade está ameaçando a saúde da população da província canadense, e para combater o problema, o governo deveria impor uma combinação de impostos, restrições à publicidade, programas educativos e desagradáveis mensagens de alerta nas embalagens de alimentos e bebidas. Em seu artigo, Aplicando as lições aprendidas nas campanhas antitabaco à prevenção da obesidade, eles escreveram:  “O tabaco e os produtos alimentícios são diferentes em muitos aspectos, mas ao contrário dos alimentos, não há níveis seguros para o consumo de tabaco. No entanto, ainda há lições que podemos aprender com a redução significativa do número de fumantes e com as metodologias empregadas para atingir esse resultado”.
Uma úlcera no pé de um diabético em uma lata de refrigerante? Hum! É claro que a indústria alimentícia ficou indignada, segundo artigo de The Globe and Mail: “Comida não é tabaco. O tabaco não tem lugar em um estilo de vida equilibrado e saudável. Um novo imposto sobre alimentos e bebidas nada mais é que uma taxação abusiva, que prejudicará principalmente a classe média e baixa de Ontário”, afirmou a vice-presidente da FCPC [Food & Consumer Products of Canada] Phyllis Tanaka, em um comunicado que enfatiza sua formação como nutricionista.

No entanto, o presidente da Associação Médica de Ontário, Doug Weir, defende sua posição. “As pessoas ainda poderão comer junk food. Não faremos nada que as impeça”, argumenta Weir. “Mas queremos que saibam o que estão fazendo”.
Confira as principais recomendações da Associação Médica de Ontário:

1. As lições aprendidas com as estratégia do movimento antitabagista devem ser aplicadas à luta conta a obesidade.

2. Aumentar os impostos em produtos alimentícios pouco nutritivos e ricos em açúcar e gordura, já que impostos maiores geraram mais impacto sobre a demanda por tabaco.

3. Fornecer informações nas embalagens sobre os riscos à saúde associados ao consumo excessivo de alimentos ricos em açúcar e gordura com pouco valor nutricional, e identificar oportunidades de inclusão de mensagens de alerta.

4. Prateleiras de supermercados com alimentos ricos em açúcar e gordura com pouco valor nutricional devem conter informações visíveis, alertando os consumidores sobre os riscos associados ao consumo excessivo de tais alimentos.

5. Deve-se criar restrições a todo tipo de publicidade dirigida a crianças, incluindo anúncios nas embalagens e patrocínios.

6. Se a publicidade infantil de alimentos ricos em açúcar e gordura com pouco valor nutricional continuar, devem ser criadas campanhas educativas sobre os efeitos prejudiciais desses alimentos, a exemplo das campanhas antitabagistas, para neutralizar as promoções e anúncios publicitários da indústria.

7. Como próximo passo da Política Escolar Sobre Alimentos e Bebidas de Ontário, que restringe o consumo de junk food em escolas, quadras de esportes e outros locais recreativos frequentados por jovens devem conter avisos sobre alimentos e bebidas ricos em açúcar e com baixo valor nutricional.

FAST FOOD PODE ESTIMULAR AGRESSIVIDADE

O consumo excessivo de alimentos industrializados, como biscoitos e comida congelada, pode, além de aumentar o risco de doenças cardiovasculares, nos deixar mais ansiosos e agressivos. Um estudo com 1.018 homens e mulheres jovens publicado na PLoS ONE mostra que a gordura trans, ou gordura hidrogenada, afeta o comportamento, pois prejudica a metabolização do ácido docosa-hexaenoico – ou DHA, ácido graxo do tipo ômega 3 –, que tem, segundo estudos anteriores, efeito calmante e antidepressivo. 
Os voluntários do estudo preencheram questionários sobre seus hábitos alimentares e participaram de avaliações psicológicas que mediram seus níveis de impaciência, irritabilidade e agressividade. “Ácidos graxos trans foram mais indicativos de comportamento violento que alguns fatores de risco tradicionais, como baixo nível educacional ou uso de drogas”, diz a professora de medicina Beatrice Golomb, da Universidade da Califórnia em San Diego, autora do estudo. A relação entre agressividade e dieta rica em gordura trans se aplica a ambos os sexos e a diferentes etnias e classes sociais.
Embora a correlação exista, não há prova de que a gordura trans seja causa de comportamento violento. “É possível que pessoas naturalmente agressivas tendam a comer menos alimentos saudáveis”, cogita Beatrice. E, ainda, que outros ingredientes encontrados em comida processada, como o açúcar, possam estar envolvidos na tendência à irritação e à impaciência.
Olena Mykhaylova/Shutterstock

ARCA GLOBAL DE SEMENTES


A Embrapa-Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária pretende garantir a preservação de sementes típicas, depositando-as na Caixa-Forte Internacional de Sementes de Svalbard, inaugurada na Noruega,  para conservar espécies vegetais de todo o mundo.   O banco de sementes, no Círculo Polar Ártico, foi apresentado por seus criadores noruegueses como um depósito seguro de bancos de exemplares de sementes de cultivos alimentícios, o que garantiria sua sobrevivência.   A Embrapa informou que seu plano é duplicar as sementes das quase 400 espécies armazenadas em câmaras frigoríficas em Brasília para enviá-las ao banco global de sementes de Svalbard. O diretor-geral da Embrapa, José Manuel Cabral, disse que a empresa recebeu no ano passado um convite da Noruega para participar do depósito global.   Cabral acrescentou que a empresa está interessada em enviar cópias das sementes à Noruega porque o banco é o "mais seguro em termos físicos e ambientais" e é capaz de resistir a "catástrofes climáticas, inclusive a uma explosão nuclear".   A Embrapa anunciou que, por enquanto, está analisando a possibilidade de transferir tanto espécies originalmente brasileiras quanto outras que se adaptaram ao habitat da nossa região e constituem a base da alimentação no país.   A estatal também está analisando as condições legais do contrato com a Noruega, assim como a legislação brasileira.
O banco de conservação de sementes está situado perto de Longyearbyen, em uma ilha do arquipélago norueguês de Svalbard,e foi apelidada de arca do "fim do mundo" "Arca de Noé".

O objetivo é conservar até 4,5 milhões de amostras de sementes 2 bilhões de sementes de todas as espécies cultivadas pelo ser humano.

Esse patrimônio, mantido em segurança máxima, estará protegido de catástrofes naturais e até mesmo de guerras nucleares.

A nova Arca de Noé fica escondida no final de um túnel de 120 metros, escavado em rochas geladas a 70 metros de profundidade e será mantida a -18ºC.

Essa caverna de alta tecnologia, construída nos últimos 11 meses numa montanha de Longyearbyen --uma das cidades do arquipélago-- é equipada com portas de aço blindadas, câmeras e detectores de movimentos e será monitorada remotamente, da Suécia.

As mudanças climáticas foram inicialmente o que impulsionou o projeto,mas não foram o único motivo. Nos últimos anos, mais de 40 países tiveram os seus bancos de sementes destruídos: em guerras como no Iraque e no Afeganistão ou em inundações e outros desastres ecológicos, como o recente tufão nas Filipinas.

O projeto é apoiado pelo governo norueguês, pelo Fundo Mundial para a Diversidade de Cultivos e pelo Banco Genético Nórdico.

Folha Online

REDES WIRELESS PODEM PREJUDICAR AS ÁRVORES

Ninguém duvida que as redes wireless realmente facilitaram nossas vidas. Em qualquer lugar podemos conferir nossos e-mails, fazer downloads e falar sobre nossa vida no twitter. Mas um novo estudo afirma que nem tudo são flores – muito pelo contrário. As redes Wireless poderiam estar prejudicando as árvores.

A cidade holandesa de Alphen aan den Rijn contratou cientistas para descobrir o motivo de suas árvores estarem se desenvolvendo de forma estranha. Os pesquisadores contratados, da Universidade de Wageningen, descobriram que 70% das árvores de áreas urbanas apresentam os sintomas das árvores de Alphen aan den Rijn, enquanto, na década passada, apenas 10% das plantas apresentavam esses problemas. O que pode estar causando isso? Segundo os pesquisadores, as redes Wi-fi.

O estudo expôs 20 árvores a diferentes fontes de radiação por três meses. As plantas posicionadas mais próximas de redes wireless apresentavam enfraquecimento das folhas e inibição do crescimento.

Mesmo assim, estudos anteriores haviam provado que as redes wireless eram completamente seguras. Mais estudos serão feitos antes que se possa ter uma conclusão definitiva.

Gawker]

ÁRVORE BODHI


A mera presença delas desperta uma paz e um sossego na alma humana. Esse é um segredo que explica por que - desde os tempos mais remotos - em todos os cantos do mundo, os sábios e místicos têm usado florestas como locais de refúgio e de inspiração. Há uma relação natural e instintiva entre a árvore e o homem. Até os seus modos de respirar se completam.

Aquele que medita pode aprender com as árvores uma sábia e serena imobilidade. Na antiga Índia, conta a lenda que Gautama Buda alcançou a iluminação ao pé de uma grande árvore chamada Bodhi, símbolo da sabedoria universal. Sentou-se ali em um entardecer, foi saudado amorosamente pelos seres da floresta.

É difícil imaginar seres tão benéficos quanto as árvores. Elas embelezam a paisagem, dão sombra, madeira, frutas, e são o refúgio e abrigo de pássaros e outras espécies de animais. Comunicam o subsolo com a atmosfera e purificam o ar. Atraem nuvens, regulam as chuvas, estabilizam o clima e garantem a umidade do solo. Combatem a erosão e evitam o excesso de ventos.

Mas, além das suas funções vitais e práticas, a árvore tem uma forte natureza mágica. Ela é universalmente considerada um símbolo do relacionamento entre céu e terra. Com sua estrutura vertical - o tronco - a árvore estabelece um eixo simbólico de ligação entre o mundo físico e o mundo divino. Por outro lado, seus galhos, ramos, folhas e frutos reúnem toda uma comunidade de aves, insetos, répteis e pequenos mamíferos, o que é um símbolo da infinita diversidade da vida.

Naturalmente, o Paraíso da tradição judaico-cristã é um bosque. Ali, segundo Gênesis, II, "Deus fez crescer do solo toda espécie de árvores formosas e boas de comer". Porém, há duas árvores que se destacam nesse local sagrado. Uma delas é a árvore da sabedoria, que dá o conhecimento. A outra é a árvore da vida, que simboliza a imortalidade.

Estas duas árvores não são inteiramente exclusivas da Bíblia: em seu tratado sobre história das religiões, Mircea Eliade destaca que os antigos babilônios situavam duas árvores na entrada leste do Céu. Uma era a árvore da vida, e a outra a da verdade.

No Bhagavad Gita hindu (Cap. XV), o Universo é uma árvore invertida que tem suas raízes no céu e suas folhas e frutos na Terra. Seu nome é Asvartha, e sua imagem simboliza a manifestação concreta da vida cósmica. A mesma árvore com raízes no céu e frutos na terra aparece sob o nome de Yggdrasil no folclore dos países do Norte da Europa.

Do ponto de vista microcósmico, essa árvore mitológica representa cada alma humana, cujas origens e raízes estão na eternidade, mas cujas folhas e frutos são as atividades práticas do mundo concreto.

Macrocosmicamente, esta árvore simboliza o universo material como um todo, que surge periodicamente do mistério e do mundo oculto para florescer em uma vida física e espiritual infinitamente variada.

Cada ser humano, como cada árvore, é uma miniatura e um resumo do universo. Esse é um dos motivos pelos quais temos tanto a ganhar convivendo com as árvores. A experiência de comunhão com elas faz parte de uma comunhão maior com toda a natureza e liberta a alma humana de seu sofrimento. John Muir, o grande pioneiro da preservação ambiental, deu seu testemunho a respeito.

Certo dia, no final do século 19, John estava decepcionado com alguns seres humanos. Para recuperar a consciência da sua unidade interior com todas as formas de vida, ele foi nadar sozinho em um grande lago, em região desabitada. Mais tarde, contou: "Foi o melhor batismo de água que jamais experimentei". Ao sair do lago, ele olhou para o norte e viu as montanhas. Observou como as curvas suaves do vale desciam até mergulhar nas águas do lago. Então decidiu: "Agora terei outro batismo. Vou mergulhar minha alma no alto céu. Avançarei entre os pinheiros, entre as ondas de vento do topo das montanhas".Para Muir, não havia templo melhor que a natureza a céu aberto.

A árvore é cantada em prosa e verso nas mais diferentes culturas, e está presente nas imagens primordiais das várias religiões. O taoísmo ensina que uma árvore sagrada, um pessegueiro, cresce na montanha K'un-lun e floresce uma vez a cada mil anos. São necessários três mil anos para que o fruto desse pessegueiro amadureça. O seu pêssego milenar é grande como um melão, mas vermelho e brilhante. Uma mordida nele é suficiente para que a pessoa prolongue sua vida até mil anos. Só os imortais, que alcançaram a sabedoria eterna, têm as credenciais necessárias para alimentar-se com o fruto do pessegueiro em flor.

Era nas florestas que os sábios taoístas, budistas e hindus se refugiavam, mantendo-se afastados ao mesmo tempo da sociedade mundana e das burocracias religiosas. Também os magos druídas desenvolveram sua sabedoria nas florestas.

O humilde e silencioso crescimento de cada árvore é um símbolo cósmico da transformação do que é pequeno no que é grande, do que é potencial no que é real. No Novo Testamento, Jesus afirma que o Reino dos Céus é "semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou em suas mãos e lançou em sua horta; ele cresce, torna-se árvore, e as aves do céu se abrigam em seus ramos" (Lucas, 13: 18).

Mas a popularidade universal das árvores não impediu a sua constante destruição em função de interesses materiais de curto prazo.

No mundo antigo, as novas civilizações surgiam saudáveis em regiões bem florestadas. Algum tempo depois, as populações já se multiplicavam e o consumo de madeira crescia excessivamente. As árvores eram usadas como lenha - algo indispensável para fundir metais - e também como material para construir casas e barcos.

É verdade que o mundo grego já procurava proteger suas florestas desde Aristóteles. As cidades da Grécia tinham os seus arvoredos sagrados, equivalentes aos parques nacionais de hoje. Mas, apesar das cautelas, esses bosques intocáveis foram destruídos. A decadência de Atenas, a partir de 404 a.C. está relacionada com o esgotamento das suas florestas durante as guerras.

Cada sociedade que ganhava poder e influência usava a guerra como meio de expandir-se. Então as reservas florestais eram usadas para fundir metais, para produzir armas e construir navios de combate. O desmatamento descontrolado provocava a erosão do solo, que destruía a produtividade agrícola, provocando a decadência da sociedade e finalmente a sua derrota nas guerras. Helena Blavatsky escreveu que a decadência de uma civilização se segue à destruição das suas florestas tão inevitavelmente quanto a noite segue o dia.

O mundo romano, como a sociedade grega, devia sua força às árvores. A floresta era considerada mãe de Roma. Todo o crescimento do império romano se baseou sobre o uso das florestas e de outros recursos naturais, no seu próprio território e nos territórios de povos distantes. Mas valeu a regra geral e o caso de Roma não foi uma exceção: no seu devido tempo, a destruição das florestas e da base ecológica da vida ajudou a provocar a decadência e o fim do vasto império que dominava o mundo.

Ao longo de milênios, enquanto alguns cortavam as árvores, outros as viam como seres sagrados. Com seu charme encantador, elas sempre inspiraram sentimentos religiosos. Na Inglaterra, só no século 11 a Igreja cristã, finalmente, decretou que era "pecado" construir um santuário em torno de uma árvore. Mas em 1429, o clérigo de Bungay ainda sustentava que as imagens religiosas não tinham muito valor, e que as árvores tinham mais energia e virtude, "sendo mais adequadas ao culto do que pedras ou madeira morta esculpida com a forma de um homem". Alguns dos primeiros protestantes consideravam que se podia rezar tanto nos bosques como nas igrejas.

Quando a madeira começou a escassear na Inglaterra do século 17, surgiu a prática do reflorestamento e a preservação florestal ganhou força. A admiração pelas árvores também se apoiava em certos mitos cristãos, na época considerados literalmente verdadeiros. Em 1670, por exemplo, John Smith, especialista em silvicultura, sustentava que alguns carvalhos ingleses ainda vivos haviam surgido no primeiro verão depois do Dilúvio, e que uns poucos entre eles eram, inclusive, "do momento da Criação do mundo".

Os fiéis das paróquias inglesas faziam uma peregrinação anual. Durante a caminhada, paravam de quando em quando diante de um carvalho de maior porte para ler as escrituras e rezar ao pé da árvore, que consideravam sagrada. O poeta inglês Alexander Pope escreveu que uma árvore é "uma coisa mais nobre do que um príncipe em traje de coroação". As árvores eram temas de livros. Plantá-las era um esporte em toda a Europa. Essa tendência cultural compensou, em parte, a devastação causada pela revolução industrial, cuja poluição ambiental era extrema.

O que dizer do Brasil? Nosso país deve seu nome a uma árvore. Depois de 500 anos de desmatamento, ainda somos donos de mais da metade da maior floresta tropical do mundo. As árvores ocupam lugar central em nossa história, nossa economia e nossa cultura. As lendas tradicionais falam de Curupira, o deus que protege as florestas brasileiras. Ele é um pequeno índio com os pés voltados para trás, e seu corpo não tem os orifícios necessários para as excreções indispensáveis à vida. Por isso, o povo do Pará o chama de muciço. No Amazonas, Curupira é visto como um pequeno índio de quatro palmos de altura, careca, mas com o corpo coberto de pelos. No rio Tapajós, ele tem apenas um olho.

O pequeno deus Curupira é dotado de uma força extraordinária. Para experimentar a resistência das árvores antes de uma tempestade, ele bate nelas com o calcanhar. Curupira tanto mostra a caça como a esconde. Sua função é proteger a mata e seus habitantes. Todo aquele que derruba ou estraga inutilmente as árvores é punido por ele com o castigo de caminhar indefinidamente pelo bosque sem poder lembrar do caminho de casa. Por isso era temido pelos indígenas.

"Curupira foi o primeiro duende selvagem que a mão branca do europeu fixou em papel e comunicou a países distantes", escreveu Luis da Câmara Cascudo. José de Anchieta já o citava em uma carta de 1560. Mas seu nome tem variações: no Maranhão, esse deus da floresta se chama Caipora. Ele tem uma presença marcante nas lendas do sul brasileiro, e ganha o nome de Curupi no Paraguai e na Argentina.

Os mitos brasileiros registram o conceito de caapora (caipora no norte e nordeste) para designar genericamente qualquer um dos espíritos da natureza que aparecem nas florestas. Mas Caapora também está associado aos pequenos animais selvagens, enquanto que Anhanga é o espírito que protege os animais maiores, como a paca, a anta, a capivara e o veado. A caipora nordestina é mulher, aparece quase sempre montada em um porco-do-mato, e ressuscita os animais abatidos.

O simbolismo universal das árvores é rico e complexo - e estimula a busca da sabedoria. Cada espécie de árvore irradia uma influência e uma vibração próprias, que os seres humanos buscam descrever com palavras. O espírito do cipreste, por exemplo, representa a imortalidade. O pinheiro, a árvore escolhida para as festas de Natal, é outro símbolo da vida espiritual. A acácia representa a verdade, assim como o sicômoro simboliza a bondade.

O carvalho é a árvore de Zeus, de Júpiter, e simboliza a força divina e o eixo do mundo. A aveleira, que dá a avelã, representa a fertilidade e ainda fornece a madeira de que são feitas as varinhas mágicas. A figueira e a oliveira simbolizam a abundância. A figueira também pode representar o eixo do mundo, como o carvalho. A videira é uma árvore sagrada tanto na tradição egípcia como na antiga Israel, e alguns a associam à Árvore da Vida. A mamona - que aparece na breve história bíblica de Jonas - simboliza a imprevisibilidade do futuro e nos ensina o desapego. Ela nos faz lembrar que, apesar das aparências, a vida raramente é linear e contínua.

Os significados e as influências espirituais das árvores são inesgotáveis. Em diferentes momentos da nossa vida, cada árvore - em um parque, uma rua ou um quintal - traz a nós mensagens diferentes. Devemos estar abertos ao diálogo silencioso com estes seres benéficos. Há inúmeras vantagens nisso.

Segundo o filósofo Plotino, todas as plantas buscam a felicidade. De fato, a filosofia esotérica ensina que, assim como os animais mais evoluídos já fazem força para aproximar-se do desenvolvimento mental, as plantas, por sua vez, avançam no sentido do desenvolvimento das emoções.

Ora, as árvores estão entre os habitantes mais sábios e evoluídos de todo o reino vegetal. Há inúmeros relatos de que elas são capazes, à sua maneira, não só de receber os nossos sentimentos de amizade mas também de responder a eles. Nossa  inteligência humana só tem a ganhar quando percebemos a inteligência das árvores. O conteúdo das lições que elas nos trazem, porém, depende da nossa capacidade de deixar de lado as coisas pequenas, que pensamos que conhecemos, e de abrir-nos para a magia da vida.

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70% DAS ESPÉCIES DA TERRA SÃO DESCONHECIDAS

Embora o conhecimento sobre a biodiversidade do planeta ainda esteja muito fragmentado, estima-se que já tenham sido descritos aproximadamente 1,75 milhão de espécies diferentes de seres vivos – incluindo microrganismos, plantas e animais.

O número pode impressionar os mais desavisados, mas representa, nas hipóteses mais otimistas, apenas 30% das formas de vida existentes na Terra.

“Estima-se que existam outros 12 milhões de espécies ainda por serem descobertas”, disse Thomas Lewinsohn, professor do Departamento de Biologia Animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), durante a apresentação que deu início ao Ciclo de Conferências 2013 organizado pelo programa BIOTA-FAPESP com o intuito de contribuir para o aperfeiçoamento do ensino de ciência.

Mas como avaliar o tamanho do desconhecimento sobre a biodiversidade? “Para isso, fazemos extrapolações, tomando como base os grupos de organismos mais bem estudados para avaliar os menos estudados. Regiões ou países em que a biota é bem conhecida para avaliar onde é menos conhecida. Por regra de três chegamos a essas estimativas”, explicou.

Técnicas mais recentes, segundo Lewinsohn, usam fórmulas estatísticas sofisticadas e se baseiam nas taxas de descobertas e de descrição de novas espécies. Os valores são ajustados de acordo com a força de trabalho existente, ou seja, o número de taxonomistas em atividade.

“No entanto, o mais importante a dizer é: não há consenso. As estimativas podem chegar a mais de 100 milhões de espécies desconhecidas. Não sabemos nem a ordem de grandeza e isso é espantoso”, disse.

Lewinsohn avalia que, para descrever todas as espécies que se estima haver no Brasil, seriam necessários cerca de 2 mil anos. “Para descrever todas as espécies do mundo o número seria parecido. Mas não temos esse tempo”, disse.

Algumas técnicas recentes de taxonomia molecular, como código de barras de DNA, podem ajudar a acelerar o trabalho, pois permitem identificar organismos por meio da análise de seu material genético. Por esse método, cadeias diferentes de DNA diferenciam as espécies, enquanto na taxonomia clássica a classificação é baseada na morfologia dos seres vivos, o que é bem mais trabalhoso.
“Dá para fazer? Sim, mas qual é o custo?”, questionou Lewinsohn.

Um artigo publicado recentemente na revista Science apontou que seriam necessários de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão por ano, durante 50 anos, para descrever a maioria das espécies do planeta.
Novamente, o número pode assustar os desavisados, mas, de acordo com Lewinsohn, o montante corresponde ao que se gasta no mundo com armamento em apenas cinco dias. “Somente em 2011 foram gastos US$ 1,7 trilhão com a compra de armas. É preciso colocar as coisas em perspectiva”, defendeu.

Definindo prioridades – Muitas dessas espécies desconhecidas, porém, podem desaparecer do planeta antes mesmo que o homem tenha tempo e dinheiro suficiente para estudá-las. Segundo dados apresentados por Jean Paul Metzger, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), mais de 50% da superfície terrestre já foi transformada pelo homem.
Essa alteração na paisagem tem muitas consequências e Metzger abordou duas delas na segunda apresentação do dia: a perda de habitat e a fragmentação.

“São conceitos diferentes, que muitas vezes se confundem. Fragmentação é a subdivisão de um habitat e pode não ocorrer quando o processo de degradação ocorre nas bordas da mata. Já a construção de uma estrada, por exemplo, cria fragmentos isolados dentro do habitat”, explicou.

Para Metzger, a fragmentação é a principal ameaça à biodiversidade, pois altera o equilíbrio entre os processos naturais de extinção de espécies e de colonização. Quanto menor e mais isolado é o fragmento, maior é a taxa de extinção e menor é a de colonização.

“Cada espécie tem uma quantidade mínima de habitat que precisa para sobreviver e se reproduzir. Não conhecemos bem esses limiares de extinção”, alertou.

Metzger acredita que esse limiar pode variar de acordo com a configuração da paisagem, ou seja, quanto mais fragmentado estiver o habitat, maior o risco de extinção de espécies. Como exemplo, ele citou as áreas remanescentes de Mata Atlântica do Estado de São Paulo, onde 95% dos fragmentos têm menos de 100 hectares.“Estima-se que ao perder 90% do habitat, deveríamos perder 50% das espécies endêmicas. Na Mata Atlântica, há cerca de 16% de floresta remanescente. O esperado seria uma extinção em massa, mas nosso registro tem poucos casos. Ou nossa teoria está errada, ou não estamos detectando as extinções, pois as espécies nem sequer eram conhecidas”, afirmou Metzger.

Há, no entanto, um fator complicador: o período de latência entre a mudança na estrutura paisagem e mudança na estrutura da comunidade. Enquanto as espécies com ciclo curto de vida podem desaparecer rapidamente, aquelas com ciclo de vida longo podem responder à perda de habitat em escala centenária.
“Cria-se um débito de extinção e, mesmo que a alteração na paisagem seja interrompida, algumas espécies ficam fadadas a desaparecer com o tempo”, disse Metzger.

Mas a boa notícia é que as paisagens também se regeneram naturalmente e além do débito de extinção existe o crédito de recuperação. O período de latência representa, portanto, uma oportunidade de conservação.

“Hoje, temos evidências de que não adianta restaurar em qualquer lugar. É preciso definir áreas prioritárias para restauração que otimizem a conectividade e facilitem o fluxo biológico entre os fragmentos”, defendeu Metzger.

Colhendo frutos – Ao longo dos 13 anos de existência do BIOTA-FAPESP, a definição de áreas prioritárias de conservação e de recuperação no Estado de São Paulo foi uma das principais preocupações dos pesquisadores.

Os resultados desses estudos foram usados pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente para embasar políticas públicas, como lembrou o coordenador do programa e professor do Instituto de Biologia da Unicamp, Carlos Alfredo Joly, na terceira e última apresentação do dia.

“Atualmente, pelo menos 20 instrumentos legais, entre leis, decretos e resoluções, citam nominalmente os resultados do BIOTA-FAPESP”, disse Joly.

Entre 1999 e 2009, disse o coordenador, houve um investimento anual de R$ 8 milhões no programa. Isso ajudou a financiar 94 projetos de pesquisa e resultou em mais de 700 artigos publicados em 181 periódicos, entre eles Nature e Science.

A equipe do programa também publicou 16 livros e dois atlas, descreveu mais de 2 mil novas espécies, produziu e armazenou informações sobre 12 mil espécies, disponibilizou e conectou digitalmente 35 coleções biológicas paulistas.

“Desde que foi renovado o apoio da FAPESP ao programa, em 2009, a questão da educação se tornou prioridade em nosso plano estratégico. O objetivo deste ciclo de conferências é justamente ampliar a comunicação com públicos além do meio científico, especialmente professores e estudantes”, disse Joly.
A segunda etapa do ciclo de palestras está marcada para 21 de março e terá como tema o “Bioma Pampa”. No dia 18 de abril, será a vez do “Bioma Pantanal”. Em 16 de maio, o tema será “Bioma Cerrado”. Em 20 de junho, será abordado o “Bioma Caatinga”.

Em 22 de agosto, será o “Bioma Mata Atlântica”. Em 19 de setembro, é a vez do “Bioma Amazônia”. Em 24 de outubro, o tema será “Ambientes Marinhos e Costeiros”. Finalizando o ciclo, em 21 de novembro, o tema será “Biodiversidade em Ambientes Antrópicos – Urbanos e Rurais”.

Agência Fapesp