sábado, 28 de janeiro de 2017

ÚLTIMAS MENSAGENS POSTADAS 29 01 2017

ROSIE, A ROBÔ QUE DETECTA QUANDO DEPUTADOS USAM MAL O DINHEIRO PÚBLICO

Os astronautas da Nasa, na Estação Espacial Internacional, dizem que a capital do Brasil é inconfundível e impressionante vista lá do espaço. O formato de avião impressiona.

Um robô criado por um grupo de oito jovens para monitorar gastos públicos conseguiu descobrir, em apenas três meses, mais de 3.500 casos suspeitos envolvendo o uso da cota parlamentar por deputados federais desde 2011. Apelidada de Rosie – em referência a faxineira-robô do desenho Os Jetsons -, a ferramenta faz uma varredura nas milhares de notas fiscais emitidas pelos parlamentares para identificar se os gastos foram legítimos, ilegais ou superfaturados.

Rosie já encontrou, por exemplo, um pedido de reembolso de cervejas compradas por um deputado em um restaurante nos Estados Unidos, mesmo sendo proibido usar dinheiro público para comprar bebida alcoólica. Muitas anomalias foram encontradas também no valor das refeições. Ainda que as despesas sejam autorizadas unicamente para os parlamentares, a ferramenta detectou notas fiscais de dezenas de pizzas em um mesmo dia, um almoço de 12 kg em um self-service a até um pedido de reembolso de quase 1.500 reais em um restaurante que serve bode assado. Cruzando informações de bancos de dados públicos, como o da Câmara e o da Receita Federal, a ferramenta também identificou notas de refeições em cidades muito distantes em um curto espaço de tempo.

“Explicamos ao robô, a essa inteligência artificial, o que é um gasto e o que seria suspeito nele. Uma nota de 400 reais em uma padaria, por exemplo, é um valor muito alto e provavelmente ilegal. Mas, se for de um restaurante do chef Alex Atala, não é ilegal, ele é apenas alto e um absurdo para um gasto público”, diz o jornalista Pedro Vilanova, de 23 anos, um dos integrantes do grupo desenvolvedor do software, que defende que a Câmara imponha um limite para as despesas com alimentação dos parlamentares.

Após a varredura de Rosie, 849 casos foram auditados pelo grupo e destes, 629 foram denunciados à Câmara dos Deputados pelos jovens no próprio site do Legislativo no início do ano. As denúncias questionam, no total, cerca de 378.000 reais pagos com dinheiro público por 216 deputados. O projeto realizado pelo grupo recebeu o nome de Operação Serenata de Amor, em referência a um escândalo ocorrido nos anos 90 na Suécia, conhecido como “Caso Toblerone”, em que a então vice-ministra sueca perdeu o cargo por ter usado dinheiro público com gastos pessoais.

As descobertas de Rosie ainda não fizeram nenhum deputado perder o posto, mas já obrigaram alguns parlamentares a devolverem o dinheiro usado de forma irregular. “Em novembro, resolvemos testar o sistema e denunciamos 43 casos de irregularidade. Desses, já recebemos algumas respostas da Câmara e a decisão de nove devoluções”, conta Vilanova.

O primeiro caso de devolução após as denúncias do grupo foi do deputado federal Celso Maldaner (PMDB-SC) que teve que devolver 727,78 reais, referentes a 13 refeições feitas no mesmo dia e pagas com dinheiro público. Segundo a assessoria, o motorista do deputado cometeu um equívoco por ter colocado as notas no nome do político.

Uma devolução partiu também do deputado Odelmo Leão (PP -MG), eleito prefeito de Uberlândia.

Ele gastou 190,05 reais da cota parlamentar (ajuda de custo dada aos políticos que tem de ser justificadas com notas fiscais) com o envio de correspondência da sua campanha eleitoral à prefeitura. Após a denúncia, o deputado teve que pagar ao Fundo Rotativo da Câmara dos Deputados o valor gasto de forma ilegal, já que não são permitidos gastos de caráter eleitoral com dinheiro público.
 
Outro deputado que já devolveu o valor de um reembolso pedido na cota parlamentar foi Vitor Lippi (PSDB- SP). O tucano pediu o reembolso de 135,15 reais correspondentes a cinco cervejas durante uma viagem aos Estados Unidos. Quando alertado da irregularidade, ele restituiu o valor à Câmara, e a assessora do deputado pediu desculpas em email enviado à Câmara. “Aproveito para assumir a responsabilidade pelo erro cometido, é de praxe dessa assessoria pedir a glosa de itens não autorizados de ressarcimento, tais como bebidas alcoólicas, mas infelizmente dessa vez não identifiquei o produto, já que estava em outra língua”, afirmou Sirlene Silva, assessora de Lippi, que lamentou ainda o transtorno causado.

O robô encontrou também uma fraude em uma série de três reembolsos do deputado Wherles Rocha (PSDB-AC) em um mesmo dia. Duas notas foram emitidas na capital do Acre, Rio Branco, e a outra, a 4.000 km, em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Após a denúncia, o deputado afirmou que na data se encontrava na cidade gaúcha e que a nota do Acre referia-se a uma despesa feita na semana anterior. Ainda segundo o tucano, como estava com pressa em Rio Branco, ele pediu para pagar outro dia e por isso um assessor só conseguiu quitar a dívida no estabelecimento e emitir a nota quando ele estava no sul do país. Mesmo explicando a coincidência dos dias, a Câmara constatou que a Nota Fiscal já encontrava com prazo de validade expirado e por isso o deputado teve que devolver 148 reais.

No fim do ano, o deputado Marco Maia (PT-RS), também teve que devolver dinheiro à Câmara, já que no meio do ano passado emitiu uma nota de 154,50 reais pedindo o ressarcimento de duas refeições em um mesmo local, o que é proibido. Em dezembro, ele teve que restituir 77,25 reais referentes a um almoço adicional.

A primeira fase da Operação Serenata de Amor termina neste mês, mas o plano dos oito integrantes do grupo, que também contam com o apoio de cerca de 400 técnicos voluntários, é continuar passando um pente-fino nas contas do Governo. Para custear a investigação inicial das despesas da Cota de Atividade Parlamentar, eles recorreram a um financiamento coletivo e conseguiram arrecadar 80.000 reais. “Entregamos o que prometemos, entregamos a Rosie. Mas agora queremos aprimorar ainda mais o robô para que os dados sejam ainda mais precisos.

Vamos lançar um novo financiamento coletivo”, explica Vilanova. Para ele, a varredura de dados precisa alçar novos voos e não ficar presa apenas a cota parlamentar. “O programa e a operação podem ser replicado a outras esferas, como o Senado e empresas, por exemplo”, explica.

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ABELHA TIRA PREGO QUE ESTAVA CRAVADO NA PAREDE

A QUARTA DIMENSÃO E A DANÇA DAS ABELHAS


Um dos grandes interrogações filosóficas se refere justamente às características do espaço e do tempo. Ambos, conceitos desconcertantes.

Começando pelo espaço.
Muitos o denominam vazio. Porém rigorosamente o espaço pode ser vazio de matéria, porém existe como um ente pleno de partículas (denominadas partículas virtuais) que sustentam o vácuo, que seria aí outro nome dado para o espaço desprovido de matéria.

O difícil de digerir, pelo menos para mim, é concatenar que o espaço também foi criado, juntamente com o tempo.

No âmbito da relatividade geral pode-se concluir que espaço e tempo é uma entidade única.

Grosso modo, cada um de nós é constituído de um tipo de matéria ( a denominada matéria bariônica) que possui massa e ocupa lugar no espaço.

Se analisarmos um simples objeto, como uma caixa de sapatos, por exemplo, vamos observar que tal corpo ocupa um lugar no espaço tridimensional: possui largura, altura e comprimento – as três dimensões clássicas espaciais de todos os corpos materiais.

No entanto existe também uma quarta dimensão, que seria a sua célebre coordenada temporal (coisa que Einstein adorava ensinar).

Em outras palavras a caixa de sapatos apresenta uma duração.  Ela existe no espaço durante um determinado tempo.

Assim como corpos estelares apresentam uma duração (coordenada temporal) na ordem de milhões de anos,  existem subpartículas atômicas que tem sua coordenada temporal estimada na ordem microssegundos ( 0,000 001 segundo) e outras mais breves ainda.

Entre o microcosmo onde valem as regras quânticas e o macrocosmo onde predominam os eventos relativísticos existe nossa realidade cotidiana:

Bactérias que duram no máximo de um segundo.
Insetos que vivem toda a sua existência no máximo em um dia.

E por aí vai, até chegarmos a nós,  seres humanos,  que duram no máximo algo mais que um século (coisa pouca se comparado às sequoias, por exemplo, que se estima uma vida na ordem de milhares de anos).

Fazendo uma analogia.
Nos deslocamos pelo espaço variando nossas coordenadas espaciais, indo de um lugar para o outro com amplo grau de liberdade.

Podemos nos mover para o norte, para o sul, para o leste para o oeste, para cima e para baixo, sem nenhum inconveniente. O conjunto de pontos que cada um de nós ocupa no espaço, constrói uma trajetória.

No entanto, também nos deslocamos no tempo, caminhando pela quarta dimensão, variando nossa coordenada temporal, com apenas um grau de liberdade, indo do passado para o futuro, e sempre com a mesma velocidade  de um segundo por segundo. Que tédio.

Sem uma máquina do tempo, o nosso retorno ao passado, por enquanto, não pode se dar materialmente.  E nem mesmo um avanço rápido para o futuro pode ser sonhado.

Como consolo, podemos viajar ao passado psicologicamente, por meio de nossas recordações e socialmente através do armazenamento dessas versões dos fatos que denominamos carinhosamente de história.

Podemos viajar para o futuro com nossas aspirações e planejamentos, ou mesmo como os amparos estatísticos dos futurólogos.

Mas não é a mesma coisa.
Outras teorias surgem, algumas afirmam que existem muito mais dimensões espaciais do que  afirmam nossa vã filosofia (coisa que deixarei para abordar em outro artigo), porém, o que eu gostaria de abordar,  é esse insight termodinâmico:
“Todo o evento que tem um começo, também possui um fim”.

Como em hipergeometria vivemos num espaço daled: três dimensões espaciais e uma dimensão temporal – o tempo – é a quarta dimensão.

Nossa jornada na quarta dimensão, nesse deslocamento pelo tempo que se iniciou em nosso nascimento e terminará em nossa morte, também possui uma trajetória.

Algo como uma dança cósmica.
Ora, depois dos trabalhos de Von Frisch, sabe-se que as abelhas têm uma linguagem: desenham no espaço figuras matemáticas, valendo-se de seu voo, comunicando desta forma, a partir dessa “dança”,  entre si, as informações necessárias à vida da colmeia.

O questionamento que gostaria de compartilhar é se ao traçar a trajetória de cada existência humana, constituída pelo conjunto de ações, de gestos e de decisões, nessa intricada coreografia chamada vida,  teremos a felicidade das abelhas de dar a tudo isso algum proveitoso significado

Hypescience

AS ABELHAS CONSTROEM FAVOS HEXAGONAIS


As abelhas constróem as suas colmeias e, nelas, paredes de cera que é moldada para armazenar mel. A forma dos favos é bem conhecida: são incrivelmente bem aproximados por hexágonos regulares, ao longo  de filas e filas, que se juntam perfeitamente numa rede de favos perfeitamente situados. Porquê esta forma?

Usando ideias básicas de Geometria, é possível mostrar que as abelhas são mais inteligentes do que o que podemos imaginar. Elas simplesmente usam um resultado de Geometria Plana: a rede de figuras geométricas que cobre o maior espaço com a menor área é uma rede de hexágonos regulares!

A construção de alvéolos em colmeias é um processo fascinantemente simétrico e engenhoso. 

Relembra-te que um polígono regular de n lados é uma figura geométrica fechada, em que todos os segmentos de recta do seu perímetro têm o mesmo comprimento e que os ângulos formados por entre eles são \alpha = \frac{360^{\circ}}{n}. O triângulo equilátero, o quadrado, o pentágono regular, etc são os exemplos canónicos.
Os polígonos regulares para n=3,4,5,6,7,8,36. Repara que a figura tende a um círculo para n = \infty. 
Que tipo de polígono esperar? Uma argumento simples para uma pergunta difícil.

Se se pensar devidamente, é fácil encontrar uma condição que limite o tipo de polígono que pode ser a solução para o problema. Ou seja, mesmo não sabendo qual polígono é o mais eficiente, é possível saber rapidamente aqueles que podem ser.

Para saber qual a soma de todos os ângulos num polígono regular, soma-se simplesmente triângulos formados por todos os segmentos que podem ser desenhados de um vértice a todos os outros. 

Ângulo Interno
Primeiro, calculemos o ângulo interno \alpha em função do número de lados n.
Pensa no polígono regular de n lados e fixa um vértice. Podes sempre decompor a soma total dos ângulos internos desta maneira: do vértice que escolheste, liga-o a todos os outros vértices sobre a figura. Acabaste de criar n-2 triângulos, ligaste a todos os lados n menos a 2, que são aqueles que não resultam em triângulo algum: os vértices adjacentes ao que escolheste. É um facto que cada triângulo tem sempre soma interna de ângulos de 180 graus. Então o ângulo interno de um polígono regular é simplesmente a média da soma dos ângulos dos n-2 triângulos, S. 
Ou seja \alpha = \frac{S}{n} = \frac{180(n-2)}{n}.

Para um polígono regular com n lados iguais, qual é o seu ângulo interno \theta ? 
O argumento agora é facilmente exposto: quer-se que exista um polígono regular de N lados tal que a soma dos seus ângulos internos seja exactamente o máximo : 360^{\circ}. Sendo assim, temos que impor que N \alpha = 360. Então N(\frac{180(n-2)}{n} = 360. Daqui se retira que apenas certos polígonos podem conter o ângulo total nesse vértice, visto que N= \frac{2n}{n-2} tem de ser um número natural.

Repara que esta fórmula não funciona para n=1 (ponto) nem n=2 (segmento de recta). O truque agora : As soluções desta equação são fáceis e não muitas – n=3,4,6 – qualquer natural n>6 vai resultar em N não natural. O valor n=5 (pentágono) não é solução, pois N não é natural. A razão é facilmente explicada por um diagrama. Então sabemos que, a haver uma forma perfeita de cobrir o plano, ela terá de ser forçosamente um triângulo equilátero, um quadrado ou um hexágono regular.


Calculando Eficiência de Usabilidade de Área
Para saber qual é então o polígono mais eficiente, calculemos agora qual é a figura que consegue conter mais área com um círculo inscrito nela. A ideia é esta: para um círculo de raio r e para um polígono regular de lado a, que relação se pode construir entre a área do círculo A_{\circ} e a área do triângulo A_{\triangle}. Daí, constrói-se um coeficiente que dê a ideia de quão maior a área do polígono é em relação à área do círculo: \eta = \frac{A_{\circ}}{A_{\triangle}}. Assim, o menor valor encontrao de \eta dar-nos-á a solução desejada. Caso a caso:

Se N=3, a figura é um triângulo equilátero, de lado a, então usando Trigonometria, retira-se que sin(30) = \frac{R}{X} onde X é a hipotenusa do triângulo da figura. Então X=2R. Com isto em mente e usando o Teorema de Pitágoras, sabe-se que (2R)^{2} = (\frac{a}{2})^{2}+ R^{2}, o que implica que a= 2 \sqrt{3}R. Então a área do triângulo é simplesmente A_{\triangle} = 2 \frac{\frac{a}{2} 3R}{2} = 3 \sqrt{3} R^{2}. Assim, o coeficiente \eta = \frac{\pi R^{2}}{3 \sqrt{3} R^{2}} \approx 0.6045.
Para n=4, a figura é um quadrado. Então é-se facilmente calculado que R = \frac{a}{2}. Então A_{\square} = a^{2} = 4R^{2}. \eta é então \eta = \frac{\pi}{4} \approx 0.7854,
Para n=6, a figura é um hexágono regular. Usando Trigonometria no triângulo  formado na figura, estabelece-se que sin(30) = \frac{\frac{a}{2}}{X}, sendo X a hipotenusa. Daqui sai que X=a. Aplicando de novo o Teorema de Pitágoras, tem-se que R^{2} + (\frac{a}{2})^{2} = a^{2}, o que força que a = \frac{2}{\sqrt{3}}R. Então a área do hexágono A = 12 \frac{R \frac{a}{2}}{2}= 2 \sqrt{3} R^{2}. Então \eta = \frac{\pi}{2 \sqrt{3}} \approx 0.9069.

Em termos de área, o hexágono é o polígono que “menos espaço desperdiça” para conter um círculo.

Mais ainda, tanto a área como o perímetro da figura – que corresponde a uma medida de material de construção necessário – é minimizado. Repara que o perímetro do triângulo, quadrado e hexágono é respectivamente dado por 6 \sqrt{3} R, \ 8R, \ 4 \sqrt{3} R. De novo, o mínimo!

paralysisbyanalysis52.wordpress.com

SEGREDO DAS FORMAS DO FAVO DE MEL


A forma hexagonal perfeita das células do favo de mel – que se pensava ser uma façanha incrível dos insetos – agora foi explicada pela mecânica simples.

Os cientistas sempre estiveram maravilhados com a perfeição angular do favo de mel, mas nenhum foi capaz de descrever claramente como ele se forma. Engenheiros do Reino Unido e da China deram um passo a frente, mostrando que as células na verdade começam como círculos, moldados pela forma do corpo de uma abelha, e então o fluxo segue para o padrão hexagonal alguns segundos depois.

As pessoas sempre especularam como as abelhas formam esses favos de mel”, disse Bhushan Karihaloo, engenheiro da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, e coautor do estudo, citando Galileu Galilei e Johannes Kepler como dois dos luminares mistificados pelo problema. “Houve algumas explicações incríveis, algumas até um pouco bizarras. Algumas pessoas acreditavam que as abelhas tinham uma incrível capacidade de medir ângulos, mas na verdade é muito mais simples”.

Usando um favo de mel cultivado em um centro de pesquisa em Pequim, os pesquisadores foram capazes de afastar cuidadosamente as abelhas e fotografar as colmeias vazias segundos após a formação dos favos, proporcionando a primeira evidência clara de que as células começam naturalmente como círculos. Eles então observaram as abelhas no aquecimento da cera após a formação inicial da célula – um fenômeno identificado em estudos anteriores, mas nunca analisado ​​em detalhes – e descobriram que este é o passo fundamental no formação do hexágono para o favo de mel.

Ao aquecer as células, a cera se torna fundida e flui como lava. Depois disso, as paredes das células naturalmente entram em queda e assumem a forma de um hexágono, como bolhas adjacentes em um banho. Esta é fisicamente a maneira mais simples e estável para os cilindros se fundirem, explica Karihaloo.

A equipe ainda não sabe exatamente como funciona o aquecimento de cada célula, e explorou a mecânica de dois cenários plausíveis: um em que as abelhas concentram o calor só nos pontos das células se tocam (um total de seis pontos por célula), e outro em que as abelhas aquecem a célula inteira de uma vez.
“Minha impressão é de que a natureza tenta minimizar o gasto de energia e, a partir desse ponto de vista, eu acho que o primeiro cenário é o mais provável”, disse Karihaloo. “Mas, por outro lado, do ponto de vista das abelhas, elas podem apenas querer esquentar a célula toda”.

Construindo como abelhas
A equipe calculou a quantidade de tempo que cada cenário deve tomar, e descobriu que as células circulares devem transformar-se em hexágonos dentro de seis segundos se são aquecidas inteiramente, e dentro de 36 segundos se são apenas parcialmente aquecidas. Em seus trabalhos futuros, os pesquisadores esperam que essas limitações de tempo ajudem a avaliar qual o mecanismo que as abelhas usam.

Juergen Tautz, biólogo especialista em abelhas da Alemanha, que não estava envolvido no estudo, não acredita que as abelhas podem direcionar o calor em pontos específicos em uma célula, mas ainda considera este estudo valioso.

Este trabalho é muito importante no meu ponto de vista, porque não só nos dá um profundo conhecimento sobre os mecanismos que as abelhas conseguem construir células muito precisas, mas também a tecnologia que pode existir nisso”, conta Tautz.


A equipe espera que seus resultados possam permitir a criação um favo de mel artificial tão forte quanto o material natural, o que seria útil no reforço de uma variedade de materiais de construção e estruturais. 

LiveScience

ABELHAS PODEM SER O SEGREDO PARA A SUPERINTELIGÊNCIA HUMANA


Uma ferramenta inspirada em enxames de insetos está ajudando as pessoas a prever o futuro, tornando grupos mais inteligentes do que seus membros são individualmente.
 
Quem acredita ter descoberto uma forma de aumentar a inteligência de todos nós é Louis Rosenberg. E o segredo é simples: abelhas.
 
Rosenberg tem uma startup no Vale do Silício, a Unanimous AI, que criou uma ferramenta para facilitar a tomada de decisões levantando opiniões online.
 
A ferramenta permite que centenas de participantes respondam a uma questão todos de uma vez, juntando suas opiniões coletivas, tendências, preconceitos e variações de conhecimentos em uma única resposta.
 
Desde seu lançamento, em junho, até a primeira quinzena de dezembro, a Unanimous AI registrou cerca de 50 mil usuários e respondeu 230 mil questões.
 
Rosenberg acredita que o Unanimous AI pode ajudar a responder algumas das questões mais difíceis da atualidade. E mais: ele acredita que mesmo com avanços cada vez mais rápidos em inteligência artificial os humanos ainda podem ser cruciais na tomada de decisões.
 
"Não podemos parar o desenvolvimento de inteligências artificiais cada vez melhores. Então, a alternativa é nós ficarmos cada vez mais inteligentes para estarmos sempre um passo à frente", explicou.
  
"Se você analisar espécies sociais como as abelhas, elas trabalham juntas para tomar decisões melhores. Por isso as aves formam bandos e os peixes, cardumes - isso permite que eles reajam de forma otimizada combinando a informação que possuem. A questão para nós era: pessoas conseguem fazer isso?", disse Rosenberg.
 
O Unanimous AI conseguiu um índice de acerto muito bom em alguns eventos: a previsão dos vencedores do Oscar; vencedores da Stanley Cup, o Campeonato Nacional de Hockey, em 2016; os quatro primeiros colocados na corrida de cavalos de Kentucky Derby de 2016, transformando uma aposta de US$ 20 (quase R$ 64) em um prêmio de US$ 11,8 mil (mais de R$ 37 mil).
 
Mais recentemente a ferramenta previu não apenas o time vencedor do campeonato americano de beisebol, o World Series Baseball, o Chicago Cubs, que não vencia desde 1908. Mas também previu quem seria o adversário dos Cubs na final, o Cleveland Indians.
 
Além disso, o Unanimous AI também previu quem seriam os oito times que chegariam nas fases finais do campeonato. Todas as previsões foram publicadas quatro meses antes no jornal americano Boston Globe.
 
'Sabedoria da multidão'
Para Toby Walsh, pesquisador em inteligência artificial da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, a "sabedoria da multidão já é bem conhecida".
 
"Vários métodos já foram desenvolvidos para usar a inteligência coletiva", acrescentou.
 
Um exemplo é a previsão para mercados, na qual as pessoas fazem apostas financeiras, na bolsa de valores, por exemplo, tendo como base o resultado de um evento futuro.
 
O comportamento geral do mercado pode ser usado como um indicador da probabilidade daquele evento.
 
Outro exemplo vem do ano de 1999. Menos de três anos depois de perder uma partida para o computador Deep Blue, da IBM, o campeão mundial de xadres Gary Kasparov resolveu enfrentar uma multidão de 50 mil pessoas em um jogo pela internet.
 
Ele venceu, mas disse que nunca tinha se esforçado tanto em um jogo, que ele chamou de o maior jogo na história do xadrez, graças ao número incrível de ideias e diferentes pontos de vista.
 
Essa ideia de enfrentar ou pedir a opinião de muitas pessoas ao mesmo tempo não é nova. Há registros dela no começo do século 20.
 
Em 1906, Francis Galton, um erudito da época, pediu a 787 agricultores que adivinhassem o peso de um boi.
 
Os palpites foram variados mas a média entre todos foi apenas 450 gramas abaixo da resposta correta, que era de 542,9 quilos.
 
Há alguns anos, a Rádio Pública Nacional dos Estados Unidos (NPR, na sigla em inglês) repetiu a experiência pedindo a mais de 17 mil pessoas para adivinhar o peso de uma vaca em uma fotografia.
 
Novamente a média chegou muito perto - cerca de 5% diferente do peso correto. E, neste caso, a multidão não era formada por fazendeiros.

O que está claro é que opiniões abalizadas fazem parte desse fenômeno. Mas, assim como na experiência da NPR, os participantes das experiências de Rosenberg não são especialistas.
 
Ninguém do grupo que previu quem seriam os ganhadores do Oscar sequer tinha visto todos os filmes concorrentes, por exemplo.
 
E, mais importante, grupos relativamente pequenos, ou pequenos enxames, têm um desempenho melhor que as multidões maiores.
 
No ano passado Rosenberg fez a pergunta da vaca para um grupo. Com respostas de apenas 49 pessoas, a precisão do palpite mais que dobrou quando os pesquisados agiram como um enxame em comparação à simplesmente calcular a média entre as respostas do grupo.
 
Rosenberg afirma que isto é mais do que a sabedoria das multidões. "Nós deixamos os grupos de pessoas mais inteligentes", explicou.
 
A sabedoria das multidões geralmente é mais usada através de pesquisas ou votações. E, para Rosenberg, isto tem um efeito de amplificação - nossa tendência é tomar decisões melhores como um grupo do que como indivíduos.
 
Mas a abordagem de Rosenberg foi criada para melhorar ainda mais este quadro.
 
"Enxames vão superar (o desempenho de) votações e pesquisas pois permitem que (a opinião do grupo) convirja para a melhor resposta, ao invés de simplesmente descobrir qual é a média das opiniões", contou.
 
Escolher uma resposta desta forma é importante pois impede a influência daqueles que dão a resposta primeiro. Por exemplo: em votações públicas, as pessoas que votam primeiro podem influenciar um grupo.
 
E em termos de previsão dos mercados, aqueles com mais dinheiro têm uma influência maior no resultado final. E estas forças podem distorcer o quadro final.
 
Rosenberg trabalhou com sistemas de realidade aumentada para o Armstrong Labs da Força Aérea Americana no começo da década de 1990.
 
Mas ele se interessou por abelhas. Por exemplo: quando um enxame de abelhas quer estabelecer uma nova colmeia, precisa tomar uma decisão coletiva na hora de escolher o lugar.
 
Algumas centenas de abelhas vão voar em direções diferentes para ocupar possíveis lugares. Quando elas voltam, fazem uma dança, se balançando, para passar a informação sobre o que encontraram para o enxame.
 
Cada uma destas abelhas que saíram em busca de um novo local para a colmeia vai tentar puxar o grupo para o seu lado e, no fim, elas decidem em grupo qual direção seguir, tomando uma decisão que nenhuma abelha sozinha poderia tomar.
 
Rosenberg está tentando capturar a mesma dinâmica com seus enxames humanos. Responder uma questão com a ferramenta Unanimous AI envolve mover um ícone para um canto da tela ou para outro - indo a favor ou contra a multidão - até alcançar uma convergência de ideias ou opiniões.
 
Os indivíduos precisam disputar o tempo todo com os membros do grupo para persuadi-los a se inclinar em direção de sua solução preferida.
 
Experiências já mostraram que esta abordagem supera a previsão que usa pesquisas.
 
Em outro estudo, Rosenberg e seus colegas pediram a um grupo de 469 torcedores do futebol americano para prever os resultados de 20 apostas no Super Bowl de 2016.
 
Em seguida, eles fizeram a mesma proposta para um grupo de apenas 29 torcedores. Apesar de ser 16 vezes menor - e não ter informações melhores - este grupo acertou em 68% de suas previsões em comparação com apenas 48% no grupo maior.
 
Empresas e médicos
No entanto Rosenberg não está tão interessado em apostas e esportes. Ele sabe que alguns vão querer usar a ferramenta para melhorar suas apostas.
 
"Se ficar muito popular, poderá afetar a forma como as probabilidades são calculadas", explicou.
 
Para ele os eventos esportivos são apenas bons testes para a ferramenta.
 
Rosenberg está oferecendo a Unanimous AI para empresas. O sucesso da ferramenta despertou o interesse de muitos grupos, desde organizações que fazem previsões financeiras até empresas de pesquisa de mercado.
 
"O valor de longo prazo do ato de ampliar a inteligência das pessoas é muito mais importante do que apostas em esportes", disse.
 
Por exemplo: equipes de vendas podem fazer previsões melhores se pensarem como um enxame.
 
"O objetivo é realmente fazer melhor uso do conhecimento, da sabedoria e da intuição que já existe em uma equipe."
 
A ferramenta também despertou o interesse de médicos. Um diagnóstico médico é uma forma de previsão que pode se beneficiar da inteligência do enxame, de acordo com o criador da Unanimous AI.
 
"Um radiologista, um oncologista, outros especialistas podem chegar a uma conclusão sobre um diagnóstico e nossa visão é que eles podem fazer um uso melhor dos seus conhecimentos e intuições combinados", afirmou Rosenberg.
 
Máquinas já são capazes de fazer diagnósticos. Mas, para Rosenberg, os enxames humanos têm uma vantagem.
 
"Existe muito trabalho por aí para tirar as pessoas da equação em coisas como o diagnóstico médico. Mas se você está tirando humanos da equação, você corre o risco de acabar com uma forma muito fria de inteligência artificial que realmente não tem o sentido do interesse humano, das emoções ou valores humanos."
 

Os temores do criador da Unanimous AI vão além dos diagnósticos médicos. "Se construirmos uma inteligência artificial que é realmente inteligente, então será imprevisível, como se alienígenas aparecessem na Terra."
 
Rosenberg afirma que ampliando nossa inteligência, criando estes enxames humanos, é uma forma que nos manter na corrida.
 
"É um jeito de ter os benefícios da inteligência artificial, mas mantendo as emoções, valores e intuição dos humanos."
 
É uma ideia grandiosa. Que Toby Walsh, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, prefere encarar com mais cautela.
 
"Infelizmente existe uma diferença entre um simples experimento de laboratório e como as pessoas se comportam em um mundo bagunçado", disse.
 
"Eu teria menos certeza de que armadilhas (sociais) como a tragédia dos comuns - onde indivíduos egoístas agem contra os interesses do grupo - podem ser evitados com tanta simplicidade."
 
Para Walsh, este tipo de atitude humana pode atrapalhar na hora de se chegar a um consenso.
 
"Mudança climática é um bom exemplo da tragédia dos comuns onde a inteligência do enxame não vai ajudar", alertou.
 
E há outra razão para preocupação. Enxames às vezes acabam em catástrofe.
 
Formigas, por exemplo, formam grandes grupos, deixando para trás uma trilha de feromônios que outras formigas vão seguir.
 
O comportamento às vezes leva a um fenômeno conhecido como espiral da morte, que acontece quando formigas seguem a formiga logo à frente em um círculo cada vez maior até que todas morrem.
 
Ainda assim, Rosenberg não parece preocupado.
 "Enxame é uma forma muito simples de nos manter à frente das máquinas."
 
E com as pesquisas de opinião fracassando de forma espetacular na previsão dos resultados do referendo para a saída da União Europeia, na Grã-Bretanha, e dos resultados das eleições nos Estados Unidos, este pode ser o momento certo para tentar usar nossa inteligência coletiva.
 
Então a Unanimous AI é uma espiral da morte ou um atalho para um futuro mais inteligente? Talvez esta seja mais uma pergunta para o enxame.
 

BBC

ABELHAS CONSTROEM MAPAS MENTAIS

As abelhas são capazes de encontrar o caminho de volta para casa sem precisar recorrer ao sol, bússola natural utilizada por outros insetos e pelos pássaros. Uma pesquisa recente sugere que elas utilizam um mecanismo parecido com o usado pelos mamíferos: um mapa cognitivo construído a partir da lembrança, apesar de seus cérebros terem um tamanho consideravelmente inferior. O estudo publicado nesta segunda-feira (2) na PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, oferece uma nova dimensão sobre as complexas habilidades de navegação das abelhas.
Para comprovar a teoria, a equipe de Randolf Menzel, neurobiólogo da Universidade Livre de Berlim e coautor da pesquisa, mudou o relógio biológico das abelhas, usando anestesia geral para induzir seu sono. Quando as abelhas acordaram, os pesquisadores soltaram os insetos a vários metros de distância da colmeia e usaram um radar harmônico para rastrear o caminho de volta.
Ao perceberem que estavam em um local estranho, as abelhas passaram a se locomover na direção contrária à colmeia, por pensarem que ainda era manhã e que o sol estaria em determinada posição naquele momento. "Mas depois elas redirecionaram o caminho, ignorando o sol", afirmou Menzel. A equipe de pesquisadores acredita que esse redirecionamento foi feito com base no mapa cognitivo.
O biólogo comportamental da Universidade Estadual de Michigan, Fred Dyer, também envolvido com a pesquisa, afirmou que os resultados da equipe de pesquisadores oferecem boas evidências de que as abelhas não usam um tipo de vetor aditivo para navegação, ligado à posição do sol. Ele elogiou também o uso do radar harmônico e da anestesia para ter uma visão da vida cognitiva das abelhas.
Fred Dyer, no entanto, disse não estar ainda totalmente convencido de que as abelhas usam um mapa cognitivo. Segundo ele, os insetos podem estar usando recursos independentes do sol para navegarem, como faz um marinheiro em relação ao um farol. Mas isso não seria o mesmo que usar um mapa cognitivo, que permite a um indivíduo seguir por um caminho desconhecido em direção a um objetivo invisível, sem necessariamente usar um marco.
Nos mamíferos
O mapa cognitivo usado pelos mamíferos se origina no hipocampo do cérebro. Os humanos, por exemplo, conseguem se localizar mesmo dentro de um cômodo sem janelas, a partir de uma orientação espacial construída com base no conhecimento da localização em relação ao mundo externo.
"Eles podem apontar para suas casas mesmo que não possam vê-las", afirmou Fred Dyer. Segundo os autores do estudo, as abelhas podem fazer algo similar, embora em um nível muito mais rudimentar.
Para Randolf Menzel, as abelhas usam esse tipo de mecanismo, embora não armazenem dados. Em vez disso, elas conseguem "lembrar", a partir de esquema bastante rudimentar, de aspectos do meio ambiente que as cercam.
Menzel espera caracterizar melhor suas descobertas. Ele planeja colocar as abelhas em labirintos montados em laboratório e gravar seus sinais cerebrais, enquanto interagem com um ambiente artificial. Ele espera que isso ofereça novas pistas sobre a cognição das abelhas e suas habilidades de navegação.

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