sábado, 9 de julho de 2016

SINTROPIA SOMOS PARTE DE UM SISTEMA INTELIGENTE

Modelo de sistema agroflorestal, a “Sintropia” ou Agricultura Sintrópica de Ernst Götsch, em Piraí do Norte, Baixo Sul da Bahia, está há 40 anos produzindo vida: percebendo a inteligência da floresta, a sucessão vegetativa e incluindo a produção de alimentos dentro da dinâmica florestal.
 
Ernst Götsch, 68, agricultor e pesquisador suíço, desenvolveu seus primeiros estudos sobre sistemas complexos de plantio na Suíça e na Alemanha, na década de 1970, trabalhando com consórcio entre espécies e experimentação de associações não tradicionais na época. Assim, dos clássicos milho com feijão, surgiram trigo com ervilha, com framboesa, com maçã e com cereja.
 
Do sucesso dos seus experimentos e da percepção sobre a organicidade e cooperação entre as espécies dos cultivares, assim como Catie e Capra, desenvolveu os princípios do pensamento da Sintropia em cima da abordagem sistêmica e dos Sistemas Agroflorestais Sucessionais.
 
Depois de realizar trabalhos de recuperação de solos com implantação de Sistemas Agroflorestais produtivos na Costa Rica, Ernst migrou para o Brasil no começo da década de 1980, estabelecendo-se na Microrregião do Baixo Sul da Bahia.
 
Em Piraí do Norte, adquiriu 500 hectares de terras degradadas, a Fazenda Fugidos da Terra Seca. Eram terras improdutivas pelas práticas de corte de madeira, formação de pastagens pelo fogo, ciclos repetidos de cultivo de mandioca em encostas e criação de suínos nas baixadas.
 
Hoje, 40 anos depois da utilização de técnicas de recuperação de solos com métodos de plantio que imitam a regeneração natural de florestas, a “Fazenda Olhos d’Água”, como se chama atualmente, é um modelo de viabilidade da produção de alimentos integrada à dinâmica das florestas.
 
Partindo dos sistemas mais simples aos mais complexos, este conjunto de princípios e técnicas constitui a Agricultura Sintrópica de Götsch.
 
As técnicas promoveram a recomposição de 410 hectares de Floresta Atlântica, dos quais, 350 hectares foram transformados numa Reserva Particular do Patrimônio Natural e 120 hectares em Reserva Legal.
 
Sintropia: a vida não conhece tempo, conhece fluxo
Com alta produtividade em grande variedade de espécies vegetais, especialmente o cacau e a banana, a pupunha e o açaí, a recuperação da mata com todas as características de flora e fauna, cerca de 14 nascentes e 7 córregos, a área influencia o clima da Microrregião e o ambiente do entorno.
 
Além da recuperação de áreas degradadas e dos estudos de sistemas de produção em unidades agroflorestais, a Agricultura Sintrópica envolve técnicas de implantação e manejo mecanizado, produção de hortifrutigranjeiros e grãos, prática da pecuária e produção de madeira com baixos insumos.
 
Um dos princípios da Sintropia é a utilização das podas como combustível das transformações, colocando o metabolismo do sistema para funcionar no máximo da eficiência, num aumento constante de recursos, água e solo. E é justamente o que a diferencia dos manejos convencionais, incluindo as produções orgânicas.
 
“Vida em Sintropia” é um curta do Agenda Gotsch. Edição feita para apresentações da COP21 em Paris, é um compilado de experiências expressivas em Agricultura Sintrópica, com imagens e entrevistas inéditas.
 
 
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