terça-feira, 28 de setembro de 2010

VOCÊ FAZ PARTE DA NATUREZA COMO TODAS AS COISAS DO PLANETA E DO UNIVERSO

 
Somos mais parte do meio ambiente do que vocês podem imaginar. Querem ver? Tenho certeza que não haviam pensado no que vou contar...Acomodados? Então vamos a mais uma estória...

O nosso corpo é uma associação de moléculas, formadas elas próprias de agrupamentos de átomos.

Os átomos são partículas minúsculas governadas por forças específicas. Eles entram no nosso organismo pela respiração e pelos alimentos, renovam incessantemente os tecidos, são substituídos por outros, e quando eliminados, vão pertencer a outros corpos.

Alguns cientistas e pesquisadores acreditam que, em cerca de três meses o corpo humano é totalmente renovado, e nem no sangue, nem nos músculos, nem no cérebro, nem nos ossos resta mais uma única célula que constituía o todo 90 dias antes.

Por intermédio da atmosfera, principalmente, os átomos viajam sem cessar de um para outro corpo. A molécula de ferro é sempre a mesma, quer esteja incorporada ao sangue que pulsa sob a têmpora de um homem ilustre ou pertença a um vil fragmento enferrujado. A molécula de oxigênio é idêntica, quer preencha os pulmões de um recém-nascido, ou reunida ao hidrogênio, projete sua flama em uma vela de aniversário, ou ainda, caia em gota de água do alto das nuvens.

Os corpos vivos atualmente são formados de fragmentos de meteoros e até mesmo de estrelas e dinossauros. E, durante a vida mesmo, numerosas mudanças ocorrem entre homens, animais, plantas e qualquer outra coisa que esteja em nossa atmosfera, inclusive lixo e poluição. Estas trocas causariam grande espanto se pudéssemos enxergá-las.

Tudo o que você respira, come ou bebe, já foi respirado, bebido ou comido milhares de vezes. Tal é o corpo: um complexo de moléculas que se renovam constantemente! Convencido agora de que você faz parte da Natureza assim como todas as outras coisas do Planeta e do Universo? Por isso, é bom cuidar dele direitinho porque assim você estará cuidando de si mesmo.

Revista de Ciência On-line:
Site Imagick

sábado, 25 de setembro de 2010

GEOARQUEOLOGIA QUESTÕES CLIMÁTICAS NO EGITO FARAÔNICO

 
Enquanto especialistas mundiais se debatem sobre as formas de conter o aquecimento global, cientistas se reúnem no Egito em busca de respostas do passado faraônico que ajudem a enfrentar os problemas ambientais do presente.

Dono de uma incomparável riqueza arqueológica, o Egito é a nação mais populosa do mundo árabe e o número de habitantes no país deve mais que dobrar em 2050, com uma estimativa de 160 milhões de pessoas.

Egiptologia tradicional precisa se adaptar a novas abordagens, diz pesquisador durante reunião de geoarqueologia no Egito.

 Há muito tempo, os efeitos das mudanças climáticas têm sido negligenciadas no país, que depende amplamente do fértil delta do Nilo para alimentar sua crescente população, em meio a preocupações sobre a erosão do solo.

Na conferência de três dias, inaugurada no último domingo, especialistas esperam compreender como os antigos egípcios, que foram capazes de erguer as pirâmides, lidavam com as mudanças do clima.

"É tempo de tentarmos aprender com o passado para tomarmos decisões melhores no futuro", disse Shawkat Yahia, cientista da Universidade Americana do Cairo.

Ele afirmou, em entrevista coletiva, que são necessárias respostas rápidas, ressaltando que as vidas de milhões de pessoas estarão em risco se desaparecerem as preciosas terras cultiváveis do país.

"Entendendo mais sobre como as sociedades se adaptaram ao seu ambiente, estaremos mais bem preparados para nos planejarmos e adaptarmos aos desafios atuais e futuros que confrontam o delta do Nilo", afirmou.

Yahia está entre os cerca de 200 arqueólogos, historiadores, geólogos e paleontólogos de 25 países que esperam que a geoarqueologia --união entre arqueologia e geologia-- encontrará as respostas.

A conferência é a primeira do tipo a ser realizada no Egito, onde a arqueologia sempre foi tomada com uma abordagem rígida e clássica para entender o passado.

"A egiptologia tradicional precisa se adaptar a novas abordagens, [tais como] reconstituir o ambiente no qual as pessoas se desenvolveram", disse Yann Tristant, do IFAO (Instituto Francês de Arqueologia Oriental).

O IFAO uniu forças com o CNRS (Centro Nacional de Pesquisas francês) e o Conselho Supremo de Antiguidades do Egito em torno de um "brainstorming" que ajudasse os especialistas a encontrarem soluções para o futuro.

A meta das discussões é resgatar evidências arqueológicas e geológicas que possam explicar como os antigos sobreviveram às mudanças climáticas e quais lições podem ser tiradas daí.

Especialistas do CNRS, Pierre Zignani e Matthieu Ghilardi acreditam que muito pode ser aprendido dos arquitetos que criaram templos milenares capazes de resistir aos ataques do tempo.

"Fortes chuvas provocadas pelas mudanças climáticas no último milênio e grandes inundações do rio Nilo foram consideradas pelos arquitetos ao construir as estruturas religiosas", destacaram, em artigo conjunto.

Pesquisar o passado "pode trazer informações sobre nosso conhecimento fundamental atual e novas informações críticas para a nossa comunidade".

France Presse 

ECOLOGIA MÉDICA: A NATUREZA REFLETE O QUE O HOMEM É


Noites mal dormidas, problemas respiratórios, dor de cabeça, ardência e ressecamento dos olhos, arritmia cardíaca. Esses são alguns dos sintomas que muita gente sentiu em agosto devido à baixa umidade do ar em certas regiões do país.

Para especialistas em ecologia médica, ciência que observa todos os fatores ambientais e suas relações com a saúde, esse fenômeno não pode ser analisado de forma isolada, pois o que se vê é a pendência de uma crise mundial que clama por solução.

Na opinião do médico Alex Botsaris, especialista em doenças infecciosas e parasitárias e autor do livro "Medicina ecológica – descubra como cuidar da sua saúde sem sacrificar o planeta" (Ed. Nova Era), doenças como depressão, ansiedade, infertilidade, dores na coluna e problemas neurovegetativos e no fígado são exemplos de patologias que podem ter o ambiente como fator desencadeante.

“Não dá para ter saúde num planeta doente”, afirma a bióloga Waverli Maia Matarazzo Neuberger , coordenadora do Núcleo Ambiental e do Curso de Gestão Ambiental da Universidade Metodista de São Paulo.

A especialista diz que, para entender esse fenômeno, primeiro é preciso lembrar que o homem não é um ser isolado, mas integrante do ecossistema. “A natureza reflete o que o homem é. Basta pensar nos rios, exatamente como o sistema circulatório do corpo humano. Para a terra, eles são as veias que permitem o fluxo da natureza. E o que temos feito com eles? É só olhar nas margens de qualquer rio para saber”, descreve. “Com o nosso corpo não agimos diferente: comemos mal, temos um estilo de vida sedentário, e o resultado são as doenças cardiovasculares”, completa.

Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas de SP, pondera que a ecologia médica não deve ser vista como um novo modelo que prega apenas atitudes politicamente corretas. Para o toxicologista, o respeito entre o homem e seu ambiente é um valor que faz parte de todas as culturas desde muito tempo. “O problema é que ele foi esquecido”, diz. “O princípio que rege esse valor se resume em não fazer para os outros o que você não deseja para si”.

Quando se pensa no impacto da degradação do meio ambiente à saúde, é fácil pensar na fumaça dos caminhões, em solos contaminados e nos mares poluídos. Mas a exposição às substâncias tóxicas também pode ocorrer dentro de casa. Dados da Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA) indicam que materiais de construção, móveis, tabaco, fogões a lenha e outros objetos podem ser fatores de risco para o desenvolvimento de alergias, asma, além de prejudicar o sistema imunológico.

Wong comenta que estamos vivendo uma situação limite, mas a maioria das pessoas está alienada ou já se esqueceu dos danos ambientais e suas consequências. Cita como exemplo Cubatão, o bairro de Ermelino Matarazzo e algumas regiões do ABC paulista, locais onde há espaços considerados desérticos em razão da desativação de lixões ou indústrias petroquímicas e automotivas. “Apesar disso, nada mudou”.

“No início da década de 2000, um condomínio popular construído em Mauá, sobre um terreno antes ocupado por um depósito de lixo a céu aberto, trouxe muitos prejuízos à saúde de seus moradores. O problema foi tão grave que a área teve que ser desocupada", lembra Wong.

De acordo com os especialistas, todos os dias as pessoas estão expostas a agentes tóxicos, seja em ambientes fechados, seja nas ruas. A lista dessas substâncias é tão extensa, que nenhum deles arrisca especificá-las. Wong afirma que compostos como esses nos cercam por todos os lados; estão presentes na terra, na água e no ar.

Saldiva cita outro exemplo de desigualdade: todos convivem com a poluição. Mas quem anda pelos corredores e principais avenidas, à espera de ônibus, está mais exposto às altas doses de gases emitidos pelos ônibus, capazes de poluir nove vezes mais do que os veículos europeus. O médico conta que esse tipo de poluição é a causa de 1 em cada 10 infartos, e 8 em cada 100 cânceres do pulmão em não fumantes.

A engenheira química Simone El Khouri Miraglia, professora do curso de engenharia química da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coautora de um estudo publicado recentemente na revista "Fertility and Sterility", mostra como a poluição tem efeitos que muita gente jamais associaria ao meio ambiente: “Concluímos que a exposição a altos níveis de poluentes atmosféricos pode influenciar até no sexo dos bebês, fazendo prevalecer o nascimento de meninas”.

A alta concentração de poluentes aumenta também a frequência nos pronto-socorros. As pessoas são medicadas e voltam para suas casas. Segundo Neuberger, “Esses pacientes são verdadeiros sentinelas que anunciam a necessidade de uma mudança”.

Para o infectologista Botsaris, embora seja difícil enumerar tantos agentes tóxicos, existem grupos que ele considera mais agressivos para a saúde: os defensivos agrícolas, metais pesados (chumbo, cobre etc), policlorados (substâncias usadas pela indústria de eletroeletrônicos), bem como polímeros antichamas, capazes de penetrar no corpo humano por meio da pele. “Existem ainda as dioxinas, formadas a partir de plásticos e outras químicas. Quando há combustão desses produtos, eles são altamente tóxicos, mesmo em pequenas quantidades”, diz.

As pessoas mais suscetíveis ao impacto desses poluentes são as crianças, os idosos e os portadores de doenças crônicas. Mas na opinião de Fernando Bignardi, coordenador do Centro de Estudos do Envelhecimento da Unifesp e diretor do Centro de Ecologia Médica Florescer da Mata, os mais sensíveis são os que fazem as coisas de forma automática, sem tomar contato com a própria intuição. Esse seria o perfil dos que têm um estilo de vida estressado, dão pouca atenção ao sono e à alimentação. “Agir assim, leva naturalmente a alterações nas defesas naturais do organismo. Aí a doença se manifesta para lembrar a importância de buscar o equilíbrio. A pessoa pode ser fiel a isso, mudar a vida e se recuperar. Ou não!”.

Os especialistas são unânimes quanto ao fato de que estamos longe de políticas sanitárias e ambientais sérias, capazes de garantir sustentabilidade e evitar custos na saúde. “Os custos não são só de natureza econômica. Há ainda um preço a ser pago pela perda de bem-estar, longevidade, faltas no trabalho, sem falar do sofrimento causado por todas essas circunstâncias”, diz Miraglia.

Saldiva pondera que as pessoas têm falado muito e feito pouco. Na sua opinião, “educação, exemplo, noção de limites e de aspectos éticos, bem como eventual litigância, podem ser a solução do problema”.

Wong diz que o ideal seria a conscientização em massa de que as ações atuais afetam a sociedade e o ambiente como um todo e interagem entre si. Embora se saiba que nem todos ainda foram afetados diretamente pelas consequências da degradação ambiental, “é preciso ter em mente que o conjunto desses fatores contribui para a diminuição da qualidade de vida, tornam as pessoas mais suscetíveis fisicamente, o que resulta no aumento do risco de doenças”.

“Parece utópico dizer que cada um precisa fazer sua parte. Mas continuar nesse ritmo e condições levará à inviabilidade da vida para as próximas gerações. Não temos muita saída: ou consertamos isso, ou não teremos mais onde ficar”, conclui o toxicologista. UOL Ciência e Saúde

terça-feira, 21 de setembro de 2010

DEUS É ÚNICO, PERMANENTE E CÓSMICO

NEBULOSA DEL ALMA CELESTIAL VALENTINE
 
“A quantidade de CO2 lançada pelos vulcões
é muito superior à liberada pela atividade humana”

“Não se faz ecologia com um pensamento imediatista,
procurando solucionar os problemas de degradação do meio ambiente
no tempo presente. A ecologia volta-se, antes de tudo, para o futuro”

“A aplicação dos conceitos de evolução de Charles Darwin ao Cosmo
dá uma nova dimensão à questão ambiental no espaço”

“A Terra funciona como um grande organismo autorregulador global
 e, talvez, único no Sistema Solar”

“Todas as religiões convergem para uma finalidade única
que é a tentativa do bem comum. Mas, às vezes,
nessa luta do bem comum se comete muita injustiça”

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, astrônomo e físico

Ele já publicou mais de 40 livros, entre eles, o “Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica”, com cerca de 20 mil verbetes, único do gênero no mundo. Agora, acaba de lançar “Astronomia e Budismo”, em coautoria com o humanista Daisaku Ikeda. Seu nome está gravado no Sistema Solar, mais exatamente, no asteroide 2590. O carioca Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, de 74 anos, tem colocado sua genialidade a favor da pesquisa astronômica e seu trabalho tem projeção mundial. Sua trajetória começou em 1952, quando seus primeiros artigos de divulgação científica foram publicados na revista “Ciência Popular”. Em 1956, ainda estudante, foi nomeado auxiliar de astrônomo do Observatório Nacional. Suas principais contribuições astronômicas foram efetuadas no campo das estrelas duplas, asteroides, cometas e estudos das técnicas de astrometria fotográfica. Idealizou e fundou, em março de 1984, o Museu de Astronomia e Ciências Afins, do qual foi o primeiro diretor até abril de l989. Nessa entrevista exclusiva à Revista ECOLÓGICO, o astrônomo vai tecendo a rede que permeia a dinâmica interestelar, passa pelo aquecimento global e pelo conceito de que diversidade cósmica é uma prova que permite compreender a existência de uma evolução que rege o Universo, orquestrado por um Deus cósmico, que originou esta vida.

Qual é a sua visão sobre a questão ambiental planetária? A aplicação dos conceitos de evolução de Charles Darwin ao Cosmo dá uma nova dimensão à questão ambiental no espaço. Para que se tenha uma rápida ideia da diversidade cósmica em uma escala mais próxima, o próprio Sistema Solar apresenta planetas, cometas, asteroides, meteoros, satélites naturais e pequenos corpos celestes de grandes proporções e diversidade. Numa faixa de proximidade do Sol, os planetas são sólidos, como é o caso de Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Depois do conhecido cinturão de asteroides, região onde provavelmente há milhões de anos um planeta explodiu ou deixou de se constituir (deixando ali centenas de milhares de fragmentos), encontram-se os chamados planetas gasosos, mundos em formação, como os gigantescos Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, todos apresentando anéis ao seu redor. Nas fronteiras do Sistema Solar surgem outros corpos celestes superiores em dimensões a Plutão, que passou a ser o principal planeta anão de um novo cinturão – o de Kuiper – de objetos transnetunianos, chamados plutoides. Essa astrodiversidade cósmica, contudo, atinge um grau de complexidade inimaginável, além do nosso sistema planetário e também nas outras galáxias.

Qual a dinâmica do espaço interestelar? A presença de poeira cósmica, a chamada matéria escura (predominante no Universo), estrelas supergigantes, estrelas-anãs, estrelas de nêutrons, buracos negros, pulsares, quasares, nebulosas e galáxias oferecem uma complexidade cósmica que, apesar dos esforços dos cientistas, ainda abrigam mistérios que estão muito distantes de serem revelados. O alcance dos telescópios espaciais, em particular o Hubble, colocado em órbita pela Nasa (EUA) e pela European Space Agency (ESA), tem proporcionado descobertas até então inimagináveis. Parece que, quanto mais descobertas são feitas, mais enigmas surgem, como incógnitas em busca de uma explicação científica. Tão rica quanto a flora e a fauna terrestre que Darwin explicou, a diversidade cósmica é uma prova que permite compreender a existência de uma evolução que rege o Universo. Além das questões relativas à diversidade das espécies, aos ciclos de sua existência, à estabilidade de seus números, presentes no ecossistema, a ecologia ocupa-se desde o estudo do indivíduo no meio (autoecologia) até a biosfera (biogeoquímica). Foi essa globalidade de visão que me conduziu à ideia da ecologia cósmica, estimulado, sem dúvida, pelo processo de luta dos ecologistas de combate permanente com hipóteses às vezes contrárias ao dogmatismo científico.

Houve avanços nesse caminhar da luta ambiental? A ecologia passou de uma etapa mais genérica, durante o século XIX, para outra de diversificação, no começo do século XX, para, finalmente, depois dos anos 50, atingir uma concepção sistemática e unitária. Seu objeto de estudo passou do ecossistema para a biosfera, que sofre influência do meio interplanetário vizinho e até do meio intergaláctico. Isso para não dizer intercósmico, quando nos ocupamos das modificações da atmosfera por efeitos de origem externa à biosfera, como a atividade solar e, muito além, da própria poluição das nuvens cósmicas que poderão nos atingir, produzindo um longo e intenso inverno na biosfera terrestre.

Há saída para o aquecimento global? Ainda há tempo? Sim. O mais importante é que a humanidade está tomando consciência do problema. Há pelo menos oito mil anos, depois da descoberta da agricultura, o homem vem intervindo na biosfera. Todavia, nos últimos decênios a situação se tornou preocupante. Em 1957, no Observatório de Mauna Loa, no Havaí, sob a direção de Charles David Keeling, uma série de medidas, muito precisas, mostrou que a concentração de gás carbônico na atmosfera era de 318 partes por milhão (318 ppm) de volume. Hoje, segundo os resultados de diversas estações distribuídas pelo globo, essa contração ultrapassa 350 ppm. É indiscutível que, nos últimos 30 anos, vem ocorrendo um aumento significativo e bastante regular da proporção de CO2 na atmosfera. Para compreendermos a situação atual, convém compará-la à do início do século, quando a concentração de CO2 era de 290 ppm. Algumas estimativas sugerem que o máximo na última glaciação teria sido de 200ppm.

E o efeito estufa? A quantidade de CO2 lançada pelos vulcões é muito superior à liberada pela atividade humana. Assim, na época terciária, deve ter havido 40 mil vezes mais dióxido de carbono que atualmente. Toda essa massa de gás carbônico se encontra, hoje, sob a forma de carbonato de cálcio ou magnésio nas rochas ou ainda sob a forma de calcário no fundo dos oceanos, bem como nos vegetais da época. Apesar de saber que o grande absorvente de dióxido de carbono são os oceanos, os cientistas não têm certeza sobre até que ponto o gás carbônico produzido pelo homem poderá ser absorvido pelos oceanos. Realmente, só as camadas superficiais, até dez metros de profundidade aproximadamente, efetuam essa absorção. Logo que elas ficam saturadas, as águas profundas agem mais lentamente, quando então a transferência torna-se extremamente difícil, pois essas camadas não se misturam facilmente. Como tal troca é da ordem de 5% ao ano, uma renovação total da camada superficial deve levar milhares de anos. Atualmente, o homem tem certeza de que o planeta está se aquecendo em consequência do efeito estufa – produzido pela queima de combustíveis fósseis e carvão. Já em 1963, o meteorologista norte-americano Moeller havia avaliado o impacto sobre o clima da elevação da taxa de gás carbônico na atmosfera. Partindo da temperatura média atual do planeta (15 graus Celsius), de uma umidade relativa de 75% e uma nebulosidade global de 50% avaliadas, segundo fotografias obtidas com satélites meteorológicos, Moeller encontrou uma elevação mínima de 1,5 grau para uma duplicação da taxa de CO2, o que é previsto para os próximos 50 anos.

Considerando que a Terra é um organismo vivo, contemplar o céu nos dá alguma pista sobre o futuro do planeta? Toda vida no nosso planeta depende das alterações que ocorram no espaço exterior, como, por exemplo, as variações cíclicas da atividade solar, as ameaças de colisão com um grande meteorito (como ocorreu no fim do Mesozoico, e provocou o desaparecimento dos dinossauros) e até mesmo das emissões de uma estrela supernova que venha a explodir, na Via Láctea, relativamente próxima ao nosso sistema planetário. Estamos habituados a discutir as mudanças que ocorrem nos sistemas naturais diariamente, ao acompanharmos as variações climáticas que se seguem às estações do ano, nos esquecendo das que ocorrem gradualmente em períodos mais longos, como as eras glaciais, as alterações que surgiram em consequência da lenta variação do movimento do eixo de rotação da Terra (em cerca de 26.000 anos) e da excentricidade da órbita da Terra, felizmente muito pequena, que ocorre a cada 40 mil anos.

Há indícios de evolução dessa realidade? Na Terra, a atmosfera e os oceanos têm propriedades extremamente preciosas e sui generis, que parecem não ter evoluído a partir de processos meramente aleatórios. Sua temperatura, alcalinidade e composição química mantêm-se quase constantes. Ao contrário do que ocorrem nas outras atmosferas planetárias, a terrestre contém uma elevada concentração de oxigênio, que se mantém constante, apesar da presença de nitrogênio, metano e hidrogênio e outros reagentes potenciais da atmosfera. Tal anomalia, em escala planetária, como muito bem sugeriu Lovelock, só pode ser atribuída à presença da vida na superfície de nosso planeta. A vida cria para si mesma uma biosfera para nela se manter viva. Na verdade, a Terra funciona como um grande organismo autorregulador global e, talvez, único no Sistema Solar.

O que significa essa atividade ecológica? É uma ação conjunta de diversos setores da ciência, desde a biologia até a astronomia, passando pela geofísica e a meteorologia. Não se faz ecologia com um pensamento imediatista, procurando solucionar os problemas de degradação do meio ambiente no tempo presente. A ecologia volta-se, antes de tudo, para o futuro. E o futuro significa uma visão ampla de todos os problemas que envolvem a vida do homem no Universo, onde seguramente não somos os únicos. Na verdade, a ecologia é uma atividade pluridisciplinar de amplitude universal; daí o conceito de ecologia cósmica que procuramos apresentar ao discutir diversos problemas que ameaçam o meio ambiente numa escala espacial. A longevidade das civilizações inteligentes vai depender não só de sua capacidade de controlar seu ascendente poder de autodestruição, respeitando e conservando o equilíbrio ecológico, mas, sobretudo, de sua capacidade de desenvolver métodos de previsão, assim como tecnologias capazes de defendê-las de situações catastróficas que podem surgir a qualquer momento na história do cosmo.

Qual o seu conceito de Deus?  Quando se diz – Deus presente, onipotente, onipresente, estamos falando indiretamente para aqueles que creem em Deus. Devemos lembrar que há várias formas de Deus. Particularmente, acredito em um Deus cósmico e que originou esta vida. Um Deus que está permanente, que é único. Cada um de nós cria em sua religião pessoal uma forma de Deus. Cada um de nós quer ter a sua individualidade de criar um Deus para si e tem esse direito. Isso é fundamental, mas no fundo esse Deus é único, mas não conseguimos visualizar essa unidade. Todas as religiões convergem para uma finalidade única que é a tentativa do bem comum. Mas, às vezes, nessa luta do bem comum se comete muita injustiça.

Ana Elizabeth Diniz

ECOLOGIA CÓSMICA INTERAÇÃO ENTRE O COSMOS E A BIODIVERSIDADE DA TERRA

O astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão diz que o século 21 será o século da ecologia cósmica, com grandes descobertas no campo da meteorologia espacial.

O astrônomo desenvolve a teoria da interação entre o cosmos e a biodiversidade da Terra. Ele explica que os efeitos da radiação solar, assim como a trajetória dos cometas e dos meteóros que ocupam o universo, influenciam o que se passa em nosso planeta.

Ronaldo Mourão faz comparações entre as condições da natureza terrestre e as de outros planetas, como Marte e Vênus, na esperança de poder prever o que nos espera. “Todos os problemas podem ser contornados desde que a gente tenha uma previsão do que pode acontecer”, diz ele. Marte precisa ser estudado porque é um planeta semi-árido e não tem camada de ozônio. Vênus também deve ser observado por causa de seu efeito estufa permanente, que eleva a temperatura a 400° centígrados. A ciência deve aproveitar esses exemplos para desenvolver soluções para a humanidade.

O risco maior que corremos, segundo Ronaldo Mourão, é que o sol se apague. Sem ele, não haverá mais vida. “Mas daqui a cinco bilhões de anos, a civilização será capaz de se deslocar para outros planetas e o homem poderá permanecer no Cosmos”, afirma o astrônomo.

Em relação aos ecologistas terrestres, Mourão não tem boa opinião. Ele acha que eles exageram os perigos do degelo da calota polar e, em compensação, não dão importância suficiente ao acúmulo do lixo nuclear e do lixo espacial.

www.rfi.fr/actubr/articles

domingo, 19 de setembro de 2010

NATUREZA É A BASE DA ECONOMIA


O agricultor Hélio de Lima, de 58 anos, é um homem de sorte. Em sua propriedade rural na cidade de Extrema, divisa entre os Estados de Minas Gerais e São Paulo, há dez nascentes. Quando as águas encontram os riachos vizinhos, ajudam a formar o rio da foto que abre esta reportagem. O gado nunca passou sede. Não falta à família água para se banhar nos fins de semana. Além disso, há um ano, Lima passou a lucrar diretamente com suas fontes. Em troca de preservá-las, ganha da prefeitura em torno de R$ 1.300 todo mês.

A explicação é que, depois de correr cerca de 100 quilômetros, a água que brota em suas terras desemboca no sistema Cantareira, em São Paulo, que abastece as torneiras de quase 9 milhões de pessoas todos os dias. O pequeno incentivo lá na fonte ajuda os moradores das regiões norte, central, leste e oeste da capital paulista, zonas abastecidas pela Cantareira, a beber água de qualidade, com menos produtos químicos. “Deixo de criar umas 40 cabeças de gado por ano”, diz Lima. “Mas, se eu não fizer isso, o que o boi vai beber? Com o que a gente cozinha? Acabou a vida.” Ganha Lima, porque recebe compensação por não usar a terra. Ganha o planeta, com a manutenção das florestas. Ganha quem mora em São Paulo, ao desfrutar água pura e sem cheiro.

A relação monetária entre Lima e a prefeitura de Extrema tem nome: pagamento por serviços ecológicos. Ele recompensa quem ajuda a sociedade a preservar seus recursos naturais. Não é só a água doce e limpa. É também a polinização dos insetos, sem a qual não existiria agricultura. Ou a regulação do clima, feita pela floresta que estoca carbono. Ou as drogas, cujos princípios ativos vêm da fauna e da flora. “O declínio da biodiversidade leva à decadência econômica”, afirma Luiz Fernando Merico, diretor da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) no Brasil, um organismo que reúne 1.200 organizações preservacionistas.

Não é nenhuma novidade que a natureza é a base da economia. Sempre foi – até porque não há vida fora da natureza. Mas a abundância de recursos era tamanha que eles podiam ser considerados inesgotáveis, e portanto gratuitos. Em alguns casos, essa premissa se revelou ilusória, como na civilização da Ilha de Páscoa, no Pacífico, que ruiu quando a madeira acabou. Há um temor similar para alguns recursos de nossa civilização, como o petróleo, os peixes e até a água potável.

Revista Época

FLORESTA AMAZÔNICA USA MATÉRIA ORGÂNICA PARA FABRICAR CHUVA


É como se a Amazônia tivesse "aprendido" a fabricar a própria chuva. Migalhas microscópicas de matéria orgânica, que sobem da mata para a atmosfera, agem como "sementes" de nuvens na região, revela um novo estudo.

Uma equipe internacional de cientistas detalha o fenômeno, já conhecido, mas ainda pouco compreendido, na edição de hoje da revista especializada "Science".

"Pela primeira vez foi medida em detalhes a composição e a distribuição de tamanho dessas partículas", explica o físico Paulo Artaxo, da USP, coautor do trabalho ao lado de colegas do Brasil e de instituições do exterior.

Os dados foram obtidos na Reserva Biológica do Cuieiras, mantida pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) pouco mais de 50 km ao norte de Manaus.

Os pesquisadores usaram uma série de técnicas sofisticadas para saber de que eram feitas as partículas em suspensão no ar [conhecidas como aerossóis], além de avaliar o potencial que elas tinham para gerar as nuvens carregadas de chuva.

Os aerossóis são "sementes" de nuvens basicamente porque servem de plataformas em torno das quais o vapor d'água da atmosfera consegue se condensar, mais ou menos como as gotículas que aparecem na superfície de um espelho frio ao lado de um chuveiro quente. No caso dos aerossóis, tanto gotas quanto cristais de gelo podem se acumular.

Dependendo do tipo e da quantidade das partículas, as nuvens atingem um tamanho crítico, e a chuva então despenca. Artaxo e companhia verificaram que, na estação chuvosa da Amazônia, aerossóis produzidos pela própria mata predominam, numa faixa que vai de 90% a 80% do total das partículas.

As maiores são pedaços de folhas ou esporos de fungos; as menores, e aparentemente entre as mais importantes, são moléculas emitidas pelas árvores que se transformam quimicamente em contato com o ar. "Essas últimas são chaves na formação de nuvens rasas", diz Artaxo.

Os cientistas comparam a floresta a um imenso reator: ela "usaria" plantas para produzir aerossóis os quais, por sua vez, trazem a chuva que sustenta a vegetação.

Jornal Folha de São Paulo