segunda-feira, 22 de julho de 2019

RIOS DE VAPOR! EXISTE UM RIO ACIMA DE NÓS



Antônio Donato Nobre estuda as interações entre florestas e atmosfera. Sua pesquisa revelou que existem rios de vapor reais correndo sobre a floresta amazônica e transportando umidade para grande parte do continente. Graças a esses rios, a América do Sul não é um deserto como a África. Sua pesquisa mostra a fragilidade da floresta em um cenário de mudança climática e o enorme risco que corremos se a perdermos.

RIOS DE VAPOR SÃO LIGADOS À FLORESTAS NATIVAS

https://youtu.be/uxgRHmeGHMs


Antônio Donato Nobre explica como e porque os Rios Voadores são ligados à florestas nativas e
qual as consequências benéficas para o ciclo hidrológico da América do Sul 

RIOS DE VAPOR NATHIONAL GEOGRAPHIC

O Brasil tem um rio maior que a Amazônia. No entanto, este rio não é onde você normalmente esperaria, para encontrá-lo, você precisará olhar para as nuvens carregadas de água que fluem para o coração do Brasil. Há tanta água nas nuvens que elas agem como um rio que passa por cima.
Google Imagens

RIOS VOADORES VAPOR DAGUA ORIUNDO DAS ÁRVORES DA AMAZONIA VIRA CHUVA


Imagine um "rio voador" com vazão maior que a do São Francisco, dentro dele, um avião "navegando" para recolher gotas de água que serão levadas para laboratórios de alta tecnologia.

A descrição poderia ser parte de um roteiro de ficção científica, mas ocorre no Brasil. O projeto, chamado "Rios Voadores", analisa o percurso do vapor d'água oriundo de árvores da Amazônia até virar chuva para o Centro-Sul do país.

Piloto do avião que viaja pelos rios voadores o pesquisador suíço Gérard Moss apresentou o projeto durante a 61° Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Moss argumenta que a divulgação também é parte do processo de produção de conhecimento"A ciência precisa avançar, mas também precisa ser divulgada. 
E é preciso conectar o Brasil com as questões amazônicas",defendeu.

Metas do projeto é investigar como a redução da floresta pelo desmatamento e pelas mudanças climáticas pode influenciar o regime de chuvas no restante do país. De acordo com o professor Pedro Leite Dias,do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), o aumento da temperatura de 1°C a 2,5 °C pode reduzir as chuvas em até 20%.

Pesquisador da Universidade de São Paulo, o especialista em análise isotópica Marcelo Moreira é um dos responsáveis pela identificação da impressão digital das moléculas de vapor d'água dos rios voadores para dizer se as gotículas capturadas pelo avião de Moss no interior de São Paulo vieram mesmo de árvores da Amazônia.

"Tenho certeza de que, se todos fôssemos cientes do valor de cada  ecossistema, não estaríamos hoje discutindo se escolhemos as florestas ou derrubamos para pastos e plantação se soja", criticou Moss

Além da valorização dos serviços ambientais prestados pela Amazônia o que reforça a ideia de que é economicamente vantajoso manter a floresta em pé o projeto Rios Voadores tem colaborado de outra forma com a comunidade científica, à medida que se mostra uma nova forma de financiamento de pesquisas.

Patrocinado pela Petrobras, o projeto conseguiu garantir verba e velocidade para as pesquisas relacionadas, segundo Dias Leite."

A articulação com o Gérard tornou viável experiências que levariam mais tempo, a questão do custo é crítica para a realização desse tipo de experimento. As parcerias institucionais são fundamentais."

RIOS DE VAPOR SOBRE A FLORESTA AMAZÔNICA



Antonio Donato Nobre estuda as interações entre florestas e atmosfera. Sua pesquisa revelou que existem rios de vapor reais correndo sobre a floresta amazônica e transportando umidade para grande parte do continente. Graças a esses rios, a  América do Sul não é um deserto como a África. Sua pesquisa mostra a fragilidade da floresta em um cenário de mudança climática e o enorme risco que corremos se a perdermos.
Google Imagens 

PÁSSAROS SILVESTRES E HUMANOS ATUAM EM PARCERIA PARA ACHAR MEL NA ÁFRICA

Caçador de mel em Moçambique com um passarinho "guia do mel" na mão 
Aves atendem a chamado de caçadores e mostram a eles onde estão colmeias

Um exemplo raro de colaboração entre animais silvestres e seres humanos. De acordo com estudo realizado por biólogos evolucionistas, pequenos pássaros em Moçambique, no Sudeste da África, respondem prontamente a um chamado específico de caçadores de mel e ajudam essas pessoas a encontrar colmeias espalhadas pela floresta.

A cooperação entre humanos e pássaros da família Indicatoridae, da qual pertencem espécies conhecidas como “guias do mel”, foi primeiramente descrita por um missionário português no final do século XVI, mas esta observação foi totalmente desqualificada na época. Em anos recentes, porém, pesquisadores encontraram evidências dessa associação.

De acordo com o trabalho publicado no periódico científico “Science”, os caçadores de mel encontram com muito mais facilidade o produto das abelhas quando usam o chamado tradicional para atrair os passarinhos. Trata-se de um assobio seguido de um grunhido, segundo os cientistas

Uma vez atraídos, os pássaros guiam os caçadores para árvores com abelhas. O estudo mostra, porém, que as aves não fazem isso apenas para ajudar as pessoas. Ao encontrar a colmeia, os humanos espantam os perigosos insetos com fumaça, retiram o mel e deixam para trás a cera de abelha, que serve de alimento para os pássaros. 
Caçador de mel extrai o produto após ter sido levado por passarinho até colmeia Foto: Claire Spottiswoode / Divulgação

Nos anos 80, pesquisadores observaram que pássaros que atuam como guias do mel procuram ajuda de humanos emitindo sons específicos e voando de uma árvore para outra, com o objetivo de chamar atenção. Segundo o novo trabalho, a colaboração entre humanos e aves aumenta as chances de sucesso na busca por mel de 17% para 54%

- Percebemos que é a uma comunicação de duas vias - explica a bióloga Claire Spottiswoode, professora das universidades de Cambridge, no Reino Unido, e da Cidade do Cabo, na África do Su, em entrevista à agência de notícias Reuters. - O chamado característico dos humanos deixa claro que eles querem seguir (os pássaros). Os guias do mel, então, usam essa informação para escolher seus parceiros para a caça.

A maioria das colaborações entre animais e humanos é observada com animais domesticados, como cachorros, ou treinados, como os falcões. De acordo com Claire, a única outra conhecida “dobradinha” entre pessoas e animais criados na natureza é quando os golfinhos, por vezes, cooperam com pescadores na busca por peixes em diferentes partes do mundo.
O Globo