quinta-feira, 21 de junho de 2012

SEVERN CULLIS SUZUKI ECO RIO + 20


A canadense Severn Cullis-Suzuki (à esquerda) e a neozelandesa Brittany Trilford (à direita), se encontram com Christiana Figueres, secretária-executiva da convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática (Foto: Daniel Buarque/G1).

A canadense Severn Cullis-Suzuki, conhecida como "a menina que silenciou o mundo por cinco minutos" por seu discurso feito para delegados e chefes de Estado na Rio 92, encontrou-se nesta terça-feira (19) com a neozelandesa Brittany Trilford, de 17 anos, que falará aos líderes presentes à Rio+20 no início do Segmento de Alto Nível da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Social, nesta quarta-feira (20). Juntas, elas discursaram a ativistas e pediram voz para as gerações que vão viver no mundo pelas próximas décadas. "Eu peço aos líderes que escutem. Nós, jovens, somos poderosos, podemos falar a verdade ao poder", disse Brittany. "Há muito discurso e pouca ação", disse, apelando que os chefes de Estado e Governo partam para ações mais profundas em defesa da sustentabilidade.

Severn, que agora tem 32 anos, se disse preocupada em relação ao futuro, mas alegou ter esperança para o futuro. "O discurso no Rio foi a coisa mais poderosa que fiz na vida. O mundo está faminto por esta mensagem. Sou otimista. Acredito que vamos mudar o mundo para melhor.

Aos 12 anos de idade, em 1992, ela conseguiu emocionar os presentes no Riocentro com frases marcantes como "sou apenas uma criança e não tenho as soluções, mas quero que saibam que vocês também não têm".

Já crescida, com 32 anos, mãe de dois filhos e pós-graduada em etnobotânica, Severn retornou ao Brasil para a Rio+20, e quer mais uma vez a atenção dos chefes de Estado para alertar que desde 1992, quase nada mudou. Ela tem feito discursos para tentar alertar que o mundo não conseguiu superar seus problemas ecológicos existentes há duas décadas, já que os governantes "pensam apenas na incerteza econômica, não na ambiental".


Discurso

Severn conta que seu discurso na Rio 92 ocorreu após convite das Nações Unidas, que tentava reajustar o cronograma das plenárias de chefes de Estado. Ela, que estava no Brasil junto com outros adolescentes da ONG Eco (Environmental Children's Organization, fundada por Severn) foi escolhida para falar aos delegados e utilizou o período de cinco minutos para abordar questões importantes como o buraco na camada de ozônio e o impacto da mudança climática em seu país, o Canadá.

"Vi que muitas pessoas choraram após o discurso. Desde então, milhões de pessoas viram o vídeo [que está no YouTube e já teve mais de 23 milhões de acessos]. Ainda recebo correspondências sobre isso, mas 20 anos depois, o que mudou? Ainda procuro provas de que minhas palavras fizeram diferença".

Severn afirma que nas duas décadas que se passaram, a comunicação e a velocidade da informação melhoraram devido à internet. Mas, na perspectiva ecológica, o mundo continua "em sérios apuros". Para ela, "nosso estilo de vida está com prazo estourado e não seremos capazes de sustentá-lo, pois nossos ecossistemas estão no limite".

Ela comenta que a mudança climática é um crime "intergeracional", ou seja, que passará por várias gerações, e se diz envergonhada com a atitude do governo do Canadá ao se retirar do Protocolo de Kyoto, em dezembro de 2011, por não conseguir cumprir as metas de redução de gases de efeito estufa.

"Estou absolutamente envergonhada. Em 20 anos, meu país deixou de ser um campeão da sustentabilidade para se tornar um retardatário ambiental".

Brasil e Rio+20
Sobre a discussão ambiental no Brasil, Severn diz que empreendimentos como a usina hidrelétrica de Belo Monte, em construção no Rio Xingu, no Pará, só demonstram que o mundo não valoriza os serviços ambientais da Amazônia. Ela se diz desapontada com o andamento da construção e com mudanças recentes nalegislação ambiental (Código Florestal) que "irão comprometer a floresta devido ao aumento da exploração madeireira".

"É o pulmão do mundo e devemos pagar para que a Amazônia permaneça intacta".

Sobre a Rio+20, a canadense afirma que a conferência só conseguirá êxito se os governos deixarem de pensar nas crises econômicas e passarem a planejar uma forma de socorrer o meio ambiente nos mesmos métodos aplicados para socorrer bancos, com a injeção de dinheiro. "Devemos reduzir nossa pegada ecológica e começar a usar a nossa voz."

Questionada sobre qual será o cenário do mundo daqui 20 anos, na Rio+40, Severn foi enfática: "verei isto a partir da próxima semana".

Em entrevista ao G1, no início do mês, ela afirmou que a população ainda não percebeu o significado da crise ecológica e que "estamos vivendo um novo evento de extinção em massa no planeta".

Sobre ao Brasil, Severn diz que o país tem, na Rio+20, a chance de assumir a liderança ambiental, mesmo, segundo ela, o governo tendo comprometido a Amazônia ao mudar o Código Florestal e autorizar as obras da hidrelétrica de Belo Monte, que considera uma "tragédia para o mundo".

G1

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