terça-feira, 19 de janeiro de 2010

RIOS VOADORES VAPOR DAGUA ORIUNDO DE ÁRVORES DA AMAZONIA VIRA CHUVA


Imagine um "rio voador" com vazão maior que a do São Francisco.  Dentro
dele, um avião "navegando" para recolher gotas de água que serão levadas
para laboratórios de alta tecnologia.

A descrição poderia ser parte de um roteiro de ficção científica, mas ocorre
no Brasil. O projeto, chamado "Rios Voadores", analisa o percurso do vapor
d'água oriundo de árvores da Amazônia até virar chuva para o Centro-Sul
do país.

Piloto do avião que viaja pelos rios voadoreso pesquisador suíço Gérard
Moss apresentou o projeto durante a 61° Reunião Anual da Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Acusado por alguns cientistas de "banalizar ou vulgarizar" a ciência, Moss
argumenta que a divulação também é parte do processo de produção de conhecimento"A ciência precisa avançar, mas também precisa ser divulgada.
E é preciso conectar o Brasil com as questões amazônicas",defendeu.

Metas do projeto é investigar como a redução da floresta pelo desmatamento
e pelas mudanças climáticas pode influenciar o regime de chuvas no restante
do país. De acordo com o professor Pedro Leite Dias,do Laboratório Nacional
de Computação Científica (LNCC), o aumento da temperatura de 1°C a 2,5 °C
pode reduzir as chuvas em até 20%.

Pesquisador da Universidade de São Paulo, o especialista em análise
isotópica Marcelo Moreira é um dos responsáveis pela identificação da
"impressão digital" das moléculas de vapor d'água dos rios voadores para
dizer se as gotículas capturadas pelo avião de Moss no interior de São Paulo
vieram mesmo de árvores da Amazônia.

"Tenho certeza de que, se todos fôssemos cientes do valor de cada
   ecossistema, não estaríamos hoje discutindo se escolhemos as florestas
   ou derrubamos para pastos e plantação se soja", criticou Moss

Além da valorização dos serviços ambientais prestados pela Amazônia o que
reforça a ideia de que é economicamente vantajoso manter a floresta em pé o
projeto Rios Voadores tem colaborado de outra forma com a comunidade
científica, à medida que se mostra uma nova forma de financiamento de
pesquisas.

Patrocinado com recursos da Petrobras, o projeto conseguiu garantir verba
e velocidade para as pesquisas relacionadas, segundo Dias Leite."

A articulação com o Gérard tornou viável experiências que custariam muito
e levariam muito mais tempo, a questão do custo é críticapara a realização
desse tipo de experimento. As parcerias institucionais são fundamentais."

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